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Semana de orações pela união dos cristãos PDF Imprimir E-mail
Escrito por Maria Fernanda Barroca   
22-Jan-2006
Todos os anos do dia 18 de Janeiro (em que se comemorava a festa da Cátedra de S. Pedro) até ao dia 25 do mesmo mês (festa da conversão de S. Paulo), a Igreja dedica esses dias a pedir que todos os que acreditam em Jesus Cristo estejam unidos. Estamos portanto a meio desse período.
 
Leão XIII, em 1897, na sua Encíclica Satis cognitum determinou que os nove dias entre a Ascensão e o Pentecostes fossem dedicados a essa intenção de unidade. Em 1910, S. Pio X mudou essa celebração para os dias entre 18 e 25 de Janeiro.
 
O Concílio Vaticano II, no decreto sobre o ecumenismo exorta a esta oração, “conscientes de que este santo propósito de reconciliar a todos os cristãos na unidade de uma só e única Igreja de Cristo excede as forças e a capacidade humana” (Decr. Unitatis redintegratio).
 
Já nos fins do século XIX apareceram iniciativas com o fim de tentar a união de todos os que acreditam em Jesus Cristo, para se cumprir o que o Senhor tinha dito depois da Última Ceia: “para todos serem um só; como Tu, ó Pai,  estás  em  Mim  e  Eu  em  Ti,  que  eles também estejam em Nós”(Jo 17, 21).
 
Nesta mesma linha de ideias o pastor protestantu Tomas Watson, sentia inquietação ao ler as palavras da Escritura relativas à unidade da Igreja: “Tenho ainda outras ovelhas, que não são deste aprisco. A essas, também, tenho Eu de conduzir, e elas hão-de ouvir a minha voz. Então passará a haver um só rebanho, um só Pastor” (Jo 10, 16). Tomas Watson considerava esta desunião um escândalo e para o reparar consagrou-se inteiramente à unidade dos cristãos. Para isso deixou o seu cargo de pastor e fundou a Sociedade da Reconciliação, bem como uma revista, com o intuito de mostrar que a Igreja fundada por Jesus Cristo é uma só. O seu fim foi coerente – converteu-se juntamente com os seus seguidores à Igreja Católica.
 
A Comissão Episcopal da Doutrina da Fé da Conferência Episcopal Portuguesa determinou que, neste ano 2005, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, se centre sobre o tema proposto nos primeiros versículos da Primeira Carta de S. Paulo aos Coríntios, capítulo 3, versículos 1-23: “Cristo, único fundamento da Igreja”.
 
A unidade é, de facto, uma característica da Igreja de Cristo e forma parte do seu mistério. O Senhor não fundou muitas igrejas, mas uma só Igreja, “que no Credo confessamos ser una, santa, católica e apostólica; depois da ressurreição, o nosso Salvador, entregou-a a Pedro para que a apascentasse ( Jo 21, 17), confiando também  a ele e aos demais Apóstolos a sua difusão e governo (cfr. Mt 28, 18 ss), e a erigindo-a  para sempre em  «coluna e fundamento da verdade» (I Tim 3, 5). Esta Igreja, constituída e organizada neste mundo como sociedade, é na Igreja católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em união com ele, que se encontra, embora, fora da sua comunidade, se encontrem muitos elementos de santificação e de verdade, os quais, por serem dons pertencentes à Igreja de Cristo, impelem para a unidade católica” (Concílio Vaticano II, Lumen Gentium, 8).
 
A unidade é, pois, um dom de Deus e por isso está unida à oração e à conversão do coração, isto é, ao desejo de nos santificarmos e viver mais unidos ao Senhor. Pouco poderemos fazer pela unidade dos cristãos se, como dizia João Paulo II em 1981: “não conseguimos esta intimidade estreita com o Senhor Jesus; se realmente não estamos com Ele e como Ele santificados na verdade; se não guardamos a sua palavra tratando de descobrir cada dia a sua riqueza oculta; se o amor mesmo de Deus pelo seu Cristo não está profundamente implantado em nós”.
 
A união com Cristo é o fundamento da unidade dos irmãos entre si. A fé em Jesus Cristo deve levar-nos – como no caso dos primeiros cristãos – a tratarmo-nos fraternalmente, a ter cor unum et anima una (um só coração e uma só alma) (Act 4, 32).

 
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