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Era agreste aquele dia 9 de Janeiro
de 1902, na cidade de Barbastro situada no planalto aragonês (Espanha).
Os estabelecimentos fecharam cedo e os habitantes apressam-se a chegar
a casa para desfrutar o calor de uma boa lareira.
Na casa dos Escrivá y Albás há um movimento fora do comum: está
para nascer o segundo filho do casal. D. Dolores e D.
José Escrivá têm já uma filha – Carmen e a espera do novo filho faz D.
José passear nervosamente pelo corredor da casa indiferente ao
movimento da empregada Maria que, balbuciando orações vai preparando
tudo o que é necessário para um parto doméstico, segundo os costumes de
antigamente. De repente, eram 22 horas, um choro enérgico anuncia que
mais um ser deu entrada neste mundo – era um menino forte e saudável.
Como bons cristãos os pais desejam que seja baptizado o mais depressa
possível, o que aconteceu no dia 13 desse mês. Deram-lhe o nome de
José, María, Julián, Mariano. Mais tarde, por amor à Virgem e a S.
José, ele mesmo mudará o seu nome para Josemaría. No dia 23 de Abril
desse mesmo ano recebeu, na Catedral onde foi baptizado e pelas mãos do
Administrador Apostólico de Barbastro, o Sacramento da Confirmação. Era
esse o costume da época: ministrar o Sacramento da Confirmação aos
bébés, pouco depois do seu Baptismo.
Josemaría desenvolveu-se num clima de normalidade, mas com fortes
raízes cristãs. Aos 15 anos sentiu que Deus queria algo dele, sem saber
ao certo o quê. As pegadas deixadas na neve por um carmelita descalço,
colocam-lhe na alma uma inquietação: “Se outros fazem tantos
sacrifícios por Deus, eu não serei capaz de oferecer nada?”
Para estar disponível para o Deus lhe venha a pedir, resolve fazer-se
sacerdote. Assim aconteceu – em 28 de Março de 1925 é ordenado
sacerdote na igreja do seminário sacerdotal de S. Carlos e celebra, a
30 de Março, a primeira missa solene por alma de seu pai que entretanto
falecera, na capela de Nossa Senhora do Pilar em Saragoça.
Em 2 de Outubro de 1928, estando recolhido no seu quarto na Casa dos
Padres Paulinos, onde realizava o seu retiro anual, Deus faz-lhe «ver»
o que quer dele. E que «viu» D. José? «Viu» o que mais tarde se havia
de chamar o Opus Dei.
Começa então a plantar aquilo que outros irão colher até ao fim dos tempos.
Em 1930, mais precisamente no dia 14 de Fevereiro, Deus fez-lhe ver que
o trabalho do Opus Dei, também devia ser feito com mulheres e
confirmada a inspiração pela boca dos seu director espiritual, assim
aconteceu.
Em 1933 surge o primeiro trabalho apostólico – a academia
DYA, destinada a estudantes de Direito e Arquitectura, mas que de
facto queria dizer: Deus e Audácia. Deus, porque ele só pensava na
formação daqueles estudantes que já o acompanhavam e precisavam de um
lugar para ter os meios de formação até aí dados com frequência à mesa
de um café; audácia, porque são nulos os meios económicos de que dispõe
– só há muita confiança e uma fé “de cortar à faca”, segundo uma das
suas muito castiças expressões.
Mas a Obra é de Deus e nasceu para crescer e assim acontece, mesmo em
plena Guerra Civil espanhola. Acabada esta, entre 1939 e 1946 começa a
estender-se por Espanha: Valência, Barcelona, Valladolid, Zaragoza,
Bilbau, Sevilha, Santiago.
Neste intervalo nasce, a 14 de Fevereiro de 1943 a Sociedade Sacerdotal
da Santa Cruz inseparavelmente unida ao Opus Dei e destinada a acolher
os sacerdotes que quisessem receber formação.
Mas o Opus Dei, nasceu para “servir a Igreja como ela quer ser servida”
e portanto era conveniente que a cabeça visível da Obra – o Padre –
como lhe chamavam se mudasse para a Cidade Eterna e assim «romanizar» a
Obra. Tal aconteceu em 1946. Passadas a s primeiras dificuldades de
alojamento procuram algo de estável e suficientemente espaçoso, com os
olhos da fé postos no futuro da Obra. É o próprio Cardeal Montini,
futuro Papa Paulo VI, quem os aconselha a arranjarem uma casa
estável – surge assim Villa Tevere, um conjunto que integra: a Sede
Central do Opus Dei, a administração doméstica em casa independente, e
a Montagnola, para a Assessoria Central, organismo de governo da Secção
de mulheres.
Em 1948 Mons. Escrivá erige o Colégio Romano de Santa Cruz, onde se
formarão milhares de profissionais do Opus Dei, oriundos de todo o
mundo.
Mons. Escrivá defendia que as mulheres também deviam ter uma sólida
formação teológica e filosófica e para isso erigiu em 1953 o Colégio
Romano de Santa Maria – a que chamou Villa delle Rose.
Apesar de todo este trabalho ainda tem tempo para escrever livros que
têm sido para muitos alavanca para a entrega a uma vida de santidade
que “é para todos” e não só para alguns privilegiados: Caminho, Cristo
que passa e Amigos de Deus (colectânea de homilias), Rosário,
Via-Sacra, Sulco e Forja, muitos deles publicados depois da sua morte.
Mas fiel a uma frase sua : “E muito bonito plantar árvores de cuja
sombra não gozaremos, para que a desfrutem os que nos sigam”, as suas
«loucuras» não acabam aqui: em 1966 começam as obras do que viria a ser
um dos maiores e mais belos templos dedicados a Nossa Senhora:
Torreciudad, lugar de peregrinações e conversões sem número; e em 1971
a sede definitiva do Colégio Romano de Santa Maria que tomará o nome de
Cavabianca.
De todas estas “árvores” que o Padre semeou, não colheu os frutos
do Santuário de Torreciudad, cuja altar principal ainda consagrou a 24
de Maio de 1975 e onde a primeira missa celebrada foi de sufrágio pela
sua alma que em 26 de Junho desse ano deixou este mundo para o encontro
definitivo porque sancionado pela Igreja com a Beatificação a 17 de
Maio de 1992, com o seu Pai-Deus.
Resta-nos a nós, desfrutar desse enorme património espiritual que nos deixou e assim completar e expandir o que ele começou.
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