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Bebés, precisam-se... PDF Imprimir E-mail
Escrito por Maria Fernanda Barroca   
26-Jan-2006
Isto não é propriamente um anúncio publicitário ou a procura de bebés com fins comerciais, como adopções ilegais ou colheita de órgãos. Esta frase inicial é antes de mais e sobretudo um grito de alerta para o envelhecimento demográfico em que o mundo se está a afundar e tudo por culpa da política do «filho único» e do «horror» de um casal ter mais de dois filhos.
 
O envelhecimento da população está a alarmar a União Europeia que procura soluções. Neste momento fomentar a natalidade já não é, e ainda bem, um tabu ou uma falta de responsabilidade, mas uma necessidade imperiosa. Nunca na história houve crescimento económico sem crescimento da população e o crescimento económico será necessário para a solidariedade entre as gerações numa União Europeia onde cada vez menos pessoas no activo terão que sustentar os reformados.
 
As mudanças demográficas obedecem a três “tendências de fundo”: a duração média da vida aumentou, o número de pessoas com mais de 60 anos vai crescendo até 2030 e o número de reformados vai crescendo face a uma cada vez mais baixa taxa de natalidade.
 
Segundo as estimativas mais recentes, a taxa de fecundidade na União Europeia dos 15, está em 1,5 filhos por mulher e a situação dos 10 novos membros é ainda pior (excepção para Malta e Chipre). O que ainda vai mantendo os níveis de crescimento é a imigração. Em 2003 o crescimento da União Europeia foi só de 0,04 % (!) e os novos estados membros – excepto Malta e Chipre – perderam população.
 
Como o limite de substituição de gerações está em 2,1 filhos por mulher, a União Europeia parece condenada a continuar com um crescimento demográfico muito ténue, até que a imigração não possa já compensar a escassez de nascimentos e a população comece a diminuir. Isto prevê-se que acontecerá em 2025, quando a União Europeia dos 25 chegue a 469,5 milhões de habitantes.
 
O número de pessoas com menos de 40 anos está a diminuir na União Europeia dos 25: dentro de 5 anos haverá 8,9 milhões menos do que agora. E desde 2010, o único grupo que aumentará é o daqueles com mais de 55 anos.
 
As pessoas nos últimos 10 anos de vida laboral (55-64 anos), que agora são 17 % da população em idade de trabalhar, em 2010 serão 18,5 % e em 2030 atingirão os 23 %.
Pelo que diz respeito aos que têm mais de 65 anos, espera-se um crescimento ainda mais rápido a médio prazo. Prevê-se que a população de 65-79 anos aumente 3,4 % nos próximos 5 anos e 37,4 % entre 2010 e 2030. Em resumo: dentro de 25 anos serão 80 milhões, o segundo grupo de idade mais numeroso, depois da população de 40-54 anos (cerca de 93 milhões) e ligeiramente à frente dos jovens de 25-39 anos.

 
E não podemos deixar de referir o caso dos “idosos” (com mais de 80 anos). Graças ao constante aumento da esperança de vida, a população com mais de 80 anos crescerá 17 % a partir de 2005até 2010 e de 57 % a partir de 2010-2030.

 
Olhando para estes números, de certo modo assustadores, é fácil concluir que faltam bebés. Assim o único remédio contra o envelhecimento demográfico é o aumento da natalidade, mesmo que esse aumento se deva aos imigrantes. Para esse aumento de natalidade se verificar teremos de fazer face aos problemas que até agora o tem impedido: acesso tardio ao emprego estável, impossibilidade de ter uma casa suficientemente espaçosa (não precisa ser um palácio!) e as dificuldades para harmonizar a profissão com a família.
 
E quais as soluções? Podemos nomear algumas: subsídios familiares, licenças de maternidade e/ou paternidade, facilidades no acesso a infantários, etc. Estas medidas, em alguns países têm-se mostrado favoráveis ao aumento de natalidade e à facilidade de arranjar emprego, sobretudo entre as mulheres. Se a Europa quer inverter a tendência da diminuição demográfica, deve apoiar as famílias mediante políticas que permitam, quer à mulher, quer ao homem, compatibilizar a vida familiar com a vida profissional. O número de filhos não deve ser olhado como “empecilho”, mas como uma opção dos casais que compreendem que devem estar abertos à vida, exigindo que o Estado lhes facilite a educação dos filhos que desejam ter, dentro de um planeamento familiar correcto.

                                                                   
 
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