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João Paulo II, de saudosa memória,
num dos seus discursos ao Tribunal da Rota Romana, fez ressaltar a
“diferença essencial” entre o matrimónio e a mera “união de facto”.
O Santo Padre lembrou que os primeiros cristãos tiveram que
enfrentar-se com a cultura jurídica de Roma, que fazia depender a
estabilidade do vínculo matrimonial da permanência do affectio
maritalis. Experimentalmente “o mero sentimento não pode separar-se da
mutabilidade do ânimo humano; a atracção recíproca não pode ter
estabilidade e está exposta a extinguir-se facilmente se não
definitivamente”. Pelo contrário, o amor coniugalis “não é só nem
sobretudo sentimento, mas é essencialmente um compromisso com outra
pessoa, que se assume com um acto da vontade. É isto que qualifica este
amor, convertendo-o em conjugal. Uma vez dado e aceite o compromisso
por meio do consentimento, o amor converte-se em conjugal e nunca perde
esse carácter”.
O matrimónio reflecte “uma doação recíproca de amor, de amor exclusivo,
de amor indissolúvel, de amor fecundo”. Portanto, não pode confundir-se
com o mero rito formal e externo, ainda que, “certamente, a forma
jurídica do matrimónio representa uma conquista da civilização, que lhe
confere relevância e eficácia face à sociedade. E esta compromete-se a
cuidá-lo”.
À luz dos grandes princípios naturais que marcam o matrimónio, chega-se
a compreender “a diferença essencial existente entre uma mera união de
facto – ainda que se pretenda fundada no amor – e o matrimónio, no qual
o amor se traduz num compromisso não só moral, mas também jurídico”.
Como consequência, revela-se incongruente “a pretensão de atribuir uma
realidade ‘conjugal’ à união entre pessoas do mesmo sexo”.
Se as palavras se gastassem eu penso que já não havia «amor», tão usada
ela é. Usa-se no seu verdadeiro sentido e usa-se com uma despudorada
deturpação. Os sábios e as pessoas de bom senso lamentam a deterioração
da palavra «amor» - as pessoas não percebem que estão usando em vão o
nome de Deus, uma vez que diz S. João que Deus é Amor. A palavra «amor»
está de tal modo deturpada que se chamam aos adúlteros, os infiéis ao
amor, «amantes». Essas pessoas amam a sua própria satisfação, os seus
apetites desordenados e fogem de todo o sacrifício que acompanha o
verdadeiro amor.
Fala-se até de «amor livre», duas palavras que deviam viver unidas, que
deviam ser fecundas e no entanto não passam de um encontro impessoal
sem compromisso, sem outra finalidade que não seja a satisfação do
instinto.
O «amor humano» é muito diferente, porque o homem foi criado à imagem e
semelhança de Deus. Temos de tornar a dar à palavra «amor» a dignidade
que lhe foi tirada, de modo que ela volte a mostrar centelhas da
santidade de Deus. Assim tornaremos o «amor humano» semelhante ao amor
de Deus que é Amor, melhor dizendo, é o Amor.
No amor de Deus não aparece nenhuma componente material, porque Deus é
puro Espírito e o seu Amor é puramente espiritual. Também no homem o
amor é sobretudo ou deve ser espiritual, não se devendo dar esse nome à
mera atracção física. É certo que no homem há uma mistura de espírito e
corpo, e assim o amor terá manifestações sensíveis, sendo, porém, o seu
princípio espiritual. Se faltar a componente espiritual ao «amor
humano», não se está a falar de amor verdadeiro. Para que este exista
tem de intervir a vontade, que leva a que o amor seja um «querer bem».
Amar assim é buscar o bem do outro, como se fosse o seu próprio bem.
Amar também é dar-se. Na Redenção Deus feito Homem, assume a forma de
escravo, aniquila-se, Ele que é imutável que não pode sofrer torna Sua
a natureza humana e sofre para nos resgatar do poder do pecado, do
demónio e da morte – dá-se totalmente.
Muitas vezes a sensualidade causa problemas porque o coração atraiçoa;
então é preciso tirar do peito o coração de pedra e meter nele um
coração de carne, obediente às leis de Deus e observante dos seus
princípios (Cfr. Ez 36, 26-27). Este é o remédio que leva Rabindranath
Tagore a escrever: “O tesouro da castidade vem da abundância do amor”.
E como conseguir esse amor? Recorrendo à Mãe do Amor Formoso, a Virgem
Nossa Senhora.
Não tenhamos medo que o amor se torne demasiado espiritual, pois que
quanto mais espiritual for mais alegre e mais nobre ele é. Talvez
custe, mas recorrendo a Maria tudo irá bem e chegaremos à conclusão que
vale a pena...
Estas considerações podem servir de lembrança para o Dia dos Namorados
uma vez que, para mim, o namoro deve ser a ante-câmara do Matrimónio.
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