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Em louvor da Maternidade PDF Imprimir E-mail
Escrito por Maria Fernanda Barroca   
31-Jan-2006
Parece, só parece, que esta jovem, ligada voluntariamente por um voto de virgindade, tinha todas as condições legais, mas ilícitas, convém nunca esquecer esta diferença, para optar pelo aborto. Não o fez – sacrificou a sua vontade, vendo que a sua situação era da vontade de Deus: não que Deus quisesse o crime de violação, mas ao permiti-lo, respeitando a liberdade do violador, colocou a jovem perante uma dramática opção – juntar ao crime de violação de que foi vítima o crime de assassínio de que seria autora. Ela fez a sua opção: deu àquele pequenino ser, que não pedira para nascer, o que de melhor tinha – o seu amor de Mãe. Tinha pensado dar o seu coração indiviso a Deus na consagração religiosa, mas perante uma tal situação, pôs em prática a palavra do Senhor: «(...) Tudo o que fizeste a um destes Meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizeste (Mt 25, 40)».

Joana Baretta Molla, médica, com 39 anos de idade e 7 de matrimónio, encontrava-se grávida quando lhe detectaram um fibroma. A sua profissão tornou-a imediatamente consciente da realidade: ou se deixava operar e morria o filho que estava a gerar ou não se operava, deixava ir a gravidez até ao fim e morria ela. Optou pela segunda hipótese. Assim, há bem pouco tempo o Papa João Paulo II, beatificou-a, pois a sua decisão foi fruto pelo respeito pela vida, e cumprimento do que nos diz o senhor: «Ninguém tem amor  maior   que  o  de  quem  der  a  própria  vida  pelos  seus  amigos  (Jo 15, 13)».

E que dizer daquelas que sendo mães são as primeiras a, sadicamente, fazerem mal aos próprios filhos? Castigar um filho que prevarica é um dever inalienável dos pais – se dele abdicam por comodismo, para não criar problemas ou por uma falsa compaixão, estão a preparar, muitas vezes os delinquentes do futuro. Nos Estados Unidos um rapaz que cometera inúmeros crimes foi condenado à morte. Quando se encaminhava para o lugar da execução, cheio de gente mórbida, pois que o espectáculo não é de modo nenhum agradável, virou-se para a multidão e apontou com o dedo para uma mulher, dizendo: “Aquela é a culpada da minha morte; é minha mãe e quando eu comecei a enveredar pelo erro, não soube repreender-me nem tentar que eu seguisse o caminho do bem”.

Não era porém a casos como estes, que eu me queria referir, mas aos que praticados, são a negação dos sentimentos maternais que toda a mulher normal tem. Uma criança de tenra idade viu a mãe guardar as bolachas num armário da cozinha. Na sua ausência trepou a uma cadeira, mas caiu e entornou tudo. A mãe alertada pelo barulho entrou na cozinha e vendo sujo o que tanto trabalho lhe tinha dado a limpar, não se interessou em saber se a criança se tinha magoado e depois castigá-la pela sua travessura; não. Aqueceu a lamina de uma faca e obrigou a criança a apertá-la na mãozinha: além da dor horrível da queimadura, cortou dois tendões e ficou com a mão parcialmente inutilizada. A criança, à ordem das autoridades foi-lhe retirada, pois era uma criança em risco e entregue à Assistência Social. Ainda hoje ela diz que «odeia» a mãe...

Isto são aberrações da maternidade, que só a louvam por contraste: são a excepção que confirma a regra.

E que dizer da Maternidade daquelas que nunca tiveram filhos? Umas casadas, por razões alheias à sua vontade e por vezes com grande desgosto, não os têm; outras por opção escolhem uma vida de consagração a Deus ou a qualquer outra causa nobre e sentem-se assim mais disponíveis para atender a centenas e centenas de «filhos». Pensemos no caso da Madre Teresa de Calcutá, há pouco falecida. Foi um exemplo de Mãe espiritual para milhares de crianças, legando esse carisma à Congregação que fundou.

E para aquelas que não querem ter filhos para não perder a elegância e a beleza física, deixo este episódio passado com o célebre Miguel Ângelo. Quando acabou a sua famosa «Pietá», que representa Maria com Jesus morto no seu regaço e se pode venerar na Basílica de S. Pedro em Roma, alguém disse que a escultura tinha um erro grosseiro: a Virgem Nossa Senhora tinha um rosto demasiadamente jovem para poder ser mãe de um filho como Jesus que devia ter 33 anos. Então Miguel Ângelo respondeu: “Não me enganei, porque Nossa Senhora, sendo a Virgem Imaculada, tinha de ter um semblante sempre jovem”.

E assim acontece. A Maternidade não envelhece as mulheres; o que envelhece as mulheres é o egoísmo de só pensarem em si, de viverem só para si e para os cuidados exagerados com o seu aspecto físico. A essas chamo «solteironas» casadas...
 
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