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Parece, só parece, que esta jovem,
ligada voluntariamente por um voto de virgindade, tinha todas as
condições legais, mas ilícitas, convém nunca esquecer esta diferença,
para optar pelo aborto. Não o fez – sacrificou a sua vontade, vendo que
a sua situação era da vontade de Deus: não que Deus quisesse o crime de
violação, mas ao permiti-lo, respeitando a liberdade do violador,
colocou a jovem perante uma dramática opção – juntar ao crime de
violação de que foi vítima o crime de assassínio de que seria autora.
Ela fez a sua opção: deu àquele pequenino ser, que não pedira para
nascer, o que de melhor tinha – o seu amor de Mãe. Tinha pensado dar o
seu coração indiviso a Deus na consagração religiosa, mas perante uma
tal situação, pôs em prática a palavra do Senhor: «(...) Tudo o que
fizeste a um destes Meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizeste (Mt
25, 40)».
Joana Baretta Molla, médica, com 39 anos de idade e 7 de matrimónio,
encontrava-se grávida quando lhe detectaram um fibroma. A sua profissão
tornou-a imediatamente consciente da realidade: ou se deixava operar e
morria o filho que estava a gerar ou não se operava, deixava ir a
gravidez até ao fim e morria ela. Optou pela segunda hipótese. Assim,
há bem pouco tempo o Papa João Paulo II, beatificou-a, pois a sua
decisão foi fruto pelo respeito pela vida, e cumprimento do que nos diz
o senhor: «Ninguém tem amor maior que o
de quem der a própria vida
pelos seus amigos (Jo 15, 13)».
E que dizer daquelas que sendo mães são as primeiras a, sadicamente,
fazerem mal aos próprios filhos? Castigar um filho que prevarica é um
dever inalienável dos pais – se dele abdicam por comodismo, para não
criar problemas ou por uma falsa compaixão, estão a preparar, muitas
vezes os delinquentes do futuro. Nos Estados Unidos um rapaz que
cometera inúmeros crimes foi condenado à morte. Quando se encaminhava
para o lugar da execução, cheio de gente mórbida, pois que o
espectáculo não é de modo nenhum agradável, virou-se para a multidão e
apontou com o dedo para uma mulher, dizendo: “Aquela é a culpada da
minha morte; é minha mãe e quando eu comecei a enveredar pelo erro, não
soube repreender-me nem tentar que eu seguisse o caminho do bem”.
Não era porém a casos como estes, que eu me queria referir, mas aos que
praticados, são a negação dos sentimentos maternais que toda a mulher
normal tem. Uma criança de tenra idade viu a mãe guardar as bolachas
num armário da cozinha. Na sua ausência trepou a uma cadeira, mas caiu
e entornou tudo. A mãe alertada pelo barulho entrou na cozinha e vendo
sujo o que tanto trabalho lhe tinha dado a limpar, não se interessou em
saber se a criança se tinha magoado e depois castigá-la pela sua
travessura; não. Aqueceu a lamina de uma faca e obrigou a criança a
apertá-la na mãozinha: além da dor horrível da queimadura, cortou dois
tendões e ficou com a mão parcialmente inutilizada. A criança, à ordem
das autoridades foi-lhe retirada, pois era uma criança em risco e
entregue à Assistência Social. Ainda hoje ela diz que «odeia» a mãe...
Isto são aberrações da maternidade, que só a louvam por contraste: são a excepção que confirma a regra.
E que dizer da Maternidade daquelas que nunca tiveram filhos? Umas
casadas, por razões alheias à sua vontade e por vezes com grande
desgosto, não os têm; outras por opção escolhem uma vida de consagração
a Deus ou a qualquer outra causa nobre e sentem-se assim mais
disponíveis para atender a centenas e centenas de «filhos». Pensemos no
caso da Madre Teresa de Calcutá, há pouco falecida. Foi um exemplo de
Mãe espiritual para milhares de crianças, legando esse carisma à
Congregação que fundou.
E para aquelas que não querem ter filhos para não perder a elegância e
a beleza física, deixo este episódio passado com o célebre Miguel
Ângelo. Quando acabou a sua famosa «Pietá», que representa Maria com
Jesus morto no seu regaço e se pode venerar na Basílica de S. Pedro em
Roma, alguém disse que a escultura tinha um erro grosseiro: a Virgem
Nossa Senhora tinha um rosto demasiadamente jovem para poder ser mãe de
um filho como Jesus que devia ter 33 anos. Então Miguel Ângelo
respondeu: “Não me enganei, porque Nossa Senhora, sendo a Virgem
Imaculada, tinha de ter um semblante sempre jovem”.
E assim acontece. A Maternidade não envelhece as mulheres; o que
envelhece as mulheres é o egoísmo de só pensarem em si, de viverem só
para si e para os cuidados exagerados com o seu aspecto físico. A essas
chamo «solteironas» casadas...
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