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por William Norman Grigg em 02 de fevereiro de 2006
Resumo:
O movimento pró-aborto constantemente descreve crianças nascidas de
estupro e incesto como defeituosas de algum modo, moralmente
corrompidas, quase como se portassem um gene predispondo-as ao
comportamento anti-social.
© 2006 MidiaSemMascara.org
De
acordo com um axioma jurídico, casos difíceis produzem leis ruins.
Proponentes do aborto há muito tempo capitalizam sua propaganda se
utilizando de casos difíceis, como gravidez resultante de estupro ou
incesto. Filtrando o assunto do aborto pelas lentes distorcidas dessas
situações, apoiadores do aborto sob demanda exploraram a simpatia de
pessoas decentes para avançar a noção de que o direito à vida da
criança é contingente às circunstâncias de sua concepção. Entretanto,
como observa o Dr. Charles Rice da Escola de Direito da Universidade
Notre Dame, permitir aborto nesses “casos difíceis” é dizer que “a
questão de quais bebês serão mortos é negociável”. Julie Makimaa está
viva hoje porque sua mãe, que engravidou de Julie como resultado de um
estupro, entendeu que sua criança era uma bênção não negociável.
“Não importa como eu nasci”, explica Julie, que vive com seu marido Bob
e duas crianças adolescentes em Michigan. “O que importa é quem eu me
tornarei”. Julie é a fundadora da Fortress International, que trabalha
em benefício de mulheres que engravidaram devido à violência sexual e
de crianças assim concebidas. Ela ofereceu testemunhas ao Congresso,
bem como às legislaturas estaduais em Louisiana, Carolina do Sul,
Missouri e Tennessee. Líderes pró-vida da Irlanda buscaram ajuda de
Julie durante o debate nacional sobre legalização do aborto. Julie
conversou com grupos de pré-escolares, de jovens, nas igrejas e
apareceu em inúmeros programas de rádio e TV. Julie é uma voz eloqüente
oferecendo uma mensagem de esperança em um contexto trágico de
violência sexual.
“Uma das coisas verdadeiramente perversas que o movimento pró-aborto
fez é convencer muitas pessoas de que a criança concebida devido a
estupro jamais poderá ter uma vida que valha a pena”, Julie conta ao
The New American. “O movimento pró-aborto constantemente descreve
crianças nascidas de estupro e incesto como defeituosas de algum modo,
moralmente corrompidas, indesejadas, quase como se carregássemos em nós
algum gene predispondo-nos a comportamento anti-social. Enquanto
cristãos certamente entendem a realidade da natureza pecadora do homem,
devemos também entender, como minha mãe fez, que cada criança é um
milagre de Deus, e que isso é verdade sobre crianças concebidas por
estupro e incesto”.
Julie colaborou com Dave Reardon, autor do estudo Aborted Women: Silent
No More, um livro examinando “casos difíceis” de estupro e incesto. De
experiências de 264 mulheres e crianças, o novo estudo documenta que “o
aborto não faz absolutamente nada para ajudar mulheres e garotas que
foram estupradas ou sofreram violência sexual por incesto”, ela
explica. “É mais um ato violento que compõe o problema. A despeito do
fato de que matar a criança pode oferecer uma solução de curto prazo,
ela traz danos muito sérios de longo prazo à garota, como milhões de
mulheres estão agora aprendendo tragicamente”.
Esse dano é particularmente marcante em vítimas adolescentes de estupro
e incesto que estão iludidas ao abortar suas crianças. “Conselheiros do
Planned Parenthood se sobressaem na pregação sobre os medos das jovens
que consideram a opção de abortar”, explica Julie.
“Uma das abordagens preferidas usada pelos conselheiros do Planned
Parenthood é dizer às jovens garotas “oh, não há ninguém que possa amar
seu filho do mesmo modo que você” e assim insistem que “de qualquer
modo, matar a criança é a alternativa mais compassiva possível” do que
dar ao bebê a chance de ser adotado. Outra tática favorita, explica
Julie, é insistir que “não podemos forçar essas jovens garotas a ter
bebês”. Mas as pessoas que recitam essa linha se recusam a aceitar o
fato de que ter adolescentes matando seus bebês é muito mais
traumático. O que encontramos em nossos estudos foi que, quanto mais
jovem é a garota, mais próxima ela se torna de sua criança. Quando elas
são pressionadas a abortarem, seu senso de vulnerabilidade se junta ao
trauma e o de desamparo aumenta por sua incapacidade de proteger o
filho”.
Sonhos arruinados
A mãe de nascimento de Julie, Lee Ezell, foi uma adolescente que
engravidou como resultado de estupro. Filha de um pai alcoólatra e
truculento, Lee fugiu da Filadélfia para Califórnia em 1962. Como uma
cristã devota, ansiava por se apaixonar, constituir família e viver uma
“vida de Doris Day” com o homem pelo qual ela se guardava. Mas as
esperanças de Lee receberam um revés brutal quando um colega de
trabalho, agindo com malícia premeditada, maquinou uma situação na qual
ele pode submetê-la fisicamente. O vil ataque deixou a adolescente
ferida, confusa e grávida. Ajuntou-se a esses problemas o fato de que
sua mãe alcoólatra, a qual também tinha ido para a Califórnia, reagiu à
notícia de Lee expulsando-a de casa, dizendo-lhe para “dar um jeito
nisso” e “voltar quando tiver terminado”. Sem residência, sem emprego,
com apenas alguns dólares, Lee foi “uma criança indesejada grávida de
uma criança indesejada”, relembra em seu livro The Missing Piece.
Embora a decisão Roe v. Wade [1] estivesse anos à frente, alguns amigos
estavam cientes de mulheres que tinham resolvido seus “problemas” por
meio de aborto ilegal; isso foi provavelmente o que sua mãe tinha
aludido quando lhe disse para “dar um jeito nisso”. Um de seus amigos
sugeriu que ela fosse a um abortista no México para “dar um fim nessa
coisa que eu não merecia”. Mas Lee sabia que isso seria um erro. “O
aborto parecia uma solução permanente a um problema temporário”,
escreveu Lee. “Eu tinha conhecimento o bastante para saber que um dos
Mandamentos de Deus era ‘Não Matarás’.” “Se eu estava realmente
decidida em deixar Deus guiar minha vida, então essa não seria uma
opção”. Pela intervenção de sua irmã mais velha, Lee foi capaz de
arrumar novo abrigo com um parente. Imergindo em preces e em estudo da
Bíblia, ela foi capaz de receber a força e consolo necessários para
enfrentar o que parecia uma mudança insuperável em sua vida.
Com ajuda de Deus, Lee foi capaz de perdoar aqueles que a ofenderam,
incluindo seus pais e seu estuprador. Com o auxílio de uma congregação
de apoio em Los Angeles, ela adentrou mais profundamente na comunidade
cristã. “Dada minha falta de maturidade espiritual, eu não sei qual
escolha eu teria feito se o acesso ao aborto fosse tão fácil como é
hoje”, reflete Lee. “Sim, teria sido um ato ilegítimo e ilegal. Mas a
vida dentro de mim estava agora nas mãos de Deus, e não existe
nascimento ilegítimo quando Deus cria uma vida”.
Embora homens possam cometer estupro e outros crimes hediondos, Lee
observa, “é Deus quem decide quando gerar a vida”. Lee descobriu
depois, que Ethel Waters, uma cantora negra de gospel que participava
da cruzada de Billy Graham onde Lee prometeu sua vida a Cristo, “foi o
resultado de um estupro sofrido por sua mãe de doze anos de idade, na
ponta de uma faca, em um terreno de estacionamento... Sua mãe não se
ofereceu para ajudar, assim como eu não me ofereci no caso de Julie.
Ambas Ethel e Julie foram idéias de Deus e Ele é o Único que nos dá
valor”.
Novos começos
Lee foi anestesiada quando deu a luz à Julie, e nunca pode segurar ou
mesmo ver sua filha. “Após o nascimento, eu assinei os papéis e me
disseram somente ‘você teve uma garota saudável’”, relembra. “Eu nunca
pude vê-la... Eu sabia que os registros de adoção eram selados, e eu
nunca soube se a agência de adoção designou-a a um casal cristão, como
eu havia requisitado”. Com a ajuda de seu grupo de Cristãs Solteiras,
Lee graduou-se na escola bíblica. Ela se tornou ativa na organização de
conferências sobre a Bíblia e começou a escrever e dar palestras sobre
mudanças relativas a mulheres cristãs.
Em 1973, Lee encontrou Harold Ezell, cuja vida também tinha sido tocada
pela tragédia: sua primeira esposa morrera de câncer, a segunda de uma
rara doença do sangue. Lee e Harold se casaram seis meses depois.
Embora eles não tivessem tido filhos juntos, Lee desenvolveu uma
relação de amor com as filhas de Harold, Pam e Sandi, e foi abençoada
com um exemplo do que ela chama “Ironia de Deus”: “Eu sentei na mesma
sala de adoção onde os pais de Julie a tinham adotado e onde Harold
adotou as suas filhas, Pam e Sandi, como minhas próprias filhas! Eu
tinha dado uma preciosa criança para adoção e Deus deu-me duas
crianças. Eu sabia que se Deus pode fazer isso por mim, certamente ele
poderia fazê-lo para a criança que eu tinha abandonado”.
Julie tinha encontrado seu caminho no lar de um apaixonado casal
cristão, Harold e Eileen Anderson, e soube aos sete anos que ela fora
adotada. Embora a notícia a tenha perturbado, sua mãe adotiva explicou
que “foi por amor que minha mãe de nascimento tinha me possibilitado
ter um lar e pais, algo de que ela não poderia me prover”. “Eu
freqüentemente me perguntava quem seria minha mãe e se eu me pareceria
com ela”, Julie conta. “E eu nunca perdi a esperança de que ela,
também, fosse cristã”.
Em 1984, como uma nova mãe, Julie contatou o Adoptees’ Liberty Movement
Association (ALMA), uma organização voluntária que auxilia as crianças
adotadas a encontrarem suas mães de nascimento. A ALMA pôs Julie em
contato com a família cristã que tinha provido um lar para sua mãe
enquanto grávida. Em 2 de dezembro daquele ano, Lee chamou Julie, a
criança que ela tinha abandonado duas décadas antes. “Como eu pensei
que essa seria nossa única conversa, fui cuidadosa em não perguntar
muito ou fazê-la desconfortável”, relata Julie. “Eu disse-lhe que tinha
duas motivações em tentar encontrá-la: fazê-la saber que ela era avó e
dizê-la o que Cristo fizera em minha vida”.
Nesta época, Lee tinha se tornado uma autora cristã de sucesso,
apresentadora de rádio, e palestrante motivacional altamente
requisitada, e seu marido, Harold era Comissário Ocidental do Serviço
de Imigração e Naturalização. Quando Julie e sua família foram para
Washington, D.C. para encontrar sua mãe de nascimento, seu marido Bob
disse a Lee em particular, “Gostaria de agradecê-la por não ter
abortado a Julie. Esta teria sido a coisa mais conveniente a ser feita.
Eu não poderia imaginar viver minha vida sem ela ou sem minha filha...”
Lee escreve: “Eu fui muito agraciada por não existir clínica de aborto
gratuita disponível para me tentar naqueles anos muito atrás”.
Derrotando a cultura da morte
Todo dia das mães, Julie observa, ela agradece “ambas minhas mães, uma
que me deu a dádiva sem preço da vida, e a outra que me deu o
insubstituível presente de anos de amor e educação”. Pela Fortress
International, ela aprendeu que “aqueles que abandonaram uma criança
para adoção dizem que a despeito da dor emocional, sabem que estão
dando à criança a melhor esperança de uma boa vida. Mas aqueles que
abortam crianças hoje suplicam às mulheres grávidas que não acreditem
nas mentiras de que o ‘feto realmente não é uma criança, ou que o
aborto e seus efeitos colaterais são indolores’”.
A cultura abortista “é inteiramente construída sobre mentiras e
engodos”, Julie enfatiza à The New American. “Essas mentiras destruíram
aproximadamente 40 milhões de crianças nascituras e têm desfigurado as
vidas de outras dezenas de milhões. Aproximadamente três décadas após
Roe v. Wade, temos de confrontar o fato de que o aborto afetou as vidas
de quase todos nós. É muito raro encontrar uma família americana que
não sentiu o impacto do aborto de algum modo. Existe um desafio
confrontando aqueles de nós que buscam restabelecer o respeito à vida.
Temos de estar prontos, primeiramente, para estender o braço com amor
incondicional às mulheres que estão considerando o aborto ou que
cometeram o erro de permitir que seu filho fosse morto por um
abortista. Para derrotar a cultura da morte, devemos confrontá-la com o
amor de Deus”.
“Devemos também recuperar o governo constitucional”, continua Julie.
“Muitos ativistas pró-vida bem intencionados falham neste ponto. Muito
freqüentemente somos convidados a agir como se a Constituição não
existisse, e adotar uma abordagem política baseada em compromisso e
gradualismo, em vez de princípio. O abortismo é enraizado em uma visão
do ser humano e do governo que nega nossos direitos dados por Deus e
exalta o poder de um Estado sem Deus; nega o império da lei
substituindo-o pelos caprichos da elite política. A decisão Roe v. Wade
não foi somente uma tragédia para os não nascidos, mas foi um ataque
contra o governo constitucional, e os ativistas pró-vida precisam
entender que a defesa do direito à vida requer a restauração do império
da lei sob a Constituição”.
Julie trabalha como Life Issues Advocate para o Family Research
Council. Como membros da John Birch Society, ela e seu marido, Bob,
trabalham para restaurar o governo constitucional e para desenredar a
América da ONU. De acordo com Julie, “não podemos derrotar a cultura da
morte se nossa nação continuar emaranhada na ONU. Por décadas os
americanos viram seus impostos direcionados a grupos pró-aborto e
eugenistas que espalham a cultura da morte por meio da ONU. A América
já foi vista pelas pessoas do mundo inteiro como uma bênção; hoje
milhões de famílias na África, Ásia e América Latina vêm maldizer nossa
nação por financiar e promover a agenda antifamília da ONU”.
“Alguns ativistas pró-vida e pró-familia clamam que podemos promover
nossos valores trabalhando em conjunto com a ONU, mas isso simplesmente
não é possível”, insiste Julie. “Não podemos vencer se aceitarmos jogar
com regras definidas pelos inimigos de tudo o que defendemos. Eu não
quero ir à casa do demônio e jogar pelas suas regras; Eu quero acabar
com o jogo completamente. Este é o porquê de os americanos que apóiam o
direito à vida não somente precisarem ajudar-nos a restaurar a
Constituição, mas também acabar com a subserviência da nossa nação a
uma cultura de morte, retirando nossa nação da ONU”.
Artigo originalmente publicado por The New American
[1] Roe v. Wade é uma das mais famosas decisões da Suprema Corte dos
Estados Unidos, que deu origem ao serviço de aborto sob demanda, isto
é, bastando apenas que a gestante assim o queira, por quaisquer motivos
alegados. O caso foi motivado por Norma McCorvey (“Jane Roe”) no Texas
em 1970 que, sob direção do lobby abortista, reclamou o direito a
aborto por ter sido estuprada por uma gangue, uma fraude inventada e
depois desmascarada trinta anos após. Mesmo assim, a lei pró-aborto
permanece vigente. Veja também:
http://www.olavodecarvalho.org/semana/051124jb.htm
http://www.olavodecarvalho.org/semana/050409globo.htm
http://www.worldnetdaily.com/news/article.asp?ARTICLE_ID=33132
http://www.touchstonemag.com/docs/issues/16.1docs/16-1pg3.html
Tradução e notas por Gerson Faria
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