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Vergonha de Crer em Deus? |
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06-Mai-2002 |
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Não são a maioria, mas também não
são poucas: milhares de pessoas sentem vergonha de afirmar que
acreditam em Deus! Dão um jeito de ficar bem com quem crê e com
quem não crê. Têm sempre um mas... um porém... ou uma crítica a quem
crê. Milhares de pessoas duvidam do Deus em quem afirmam
crer. O que os levou a isso? Numa
sociedade onde muita gente de vanguarda nas artes, na economia,
nas letras afirma não crer, de repente alguém pode se sentir
incomodado de, diante das câmeras, afirmar que
acredita. Pareceria falta de cultura... Seria preciso
explicar. Mas ninguém exige explicação de quem não crê.
Ninguém interpela o professor de química, de história ou de física
que afirma não crer. Mas o aluno que afirma ser católico ou evangélico
é mais questionado do que seu mestre ateu. Por quê? Porque não
crer é científico e é cultura e crer não é? Quem
passou a todo uma geração a idéia de que quem crê precisa se explicar e quem
não crê não precisa, passou uma noção errada de cultura. Ninguém
precisa se defender por não crer em Deus, mas também ninguém
precisa se defender por crer. O ateu tem tanta dificuldade em
provar que Deus não existe quanto o que crê em provar sua existência.
Simplesmente porque quem não quer provas, não aceita provas. Não
serve o fato, nem o livro, nem a história, nem a
tradição. Poucos assuntos sugerem mais paixão e
conflito do que o assunto religião. E o conflito se torna ainda pior
quando as religiões brigam entre si para mostrar qual sabe mais e qual
tem mais Jesus do que as outras. Há muita gente com
vergonha de Deus. Mas também há muitos fiéis e crentes com vergonha
uns dos outros. Não estão felizes porque o outro crê, e não
estarão felizes enquanto o outro não crer exatamente do jeito que eles
crêem. Com gente de coração e cabeça pequenos assim,
como querer que a idéia de Deus seja fonte de
paz? Talvez o mundo tivesse menos vergonha de crer
em Deus se as religiões tivessem um pouco mais de vergonha de agir como
agem. Não são serenas nem respeitam os ateus. Como querem que os
ateus as respeitem?
José Fernandes de Oliveira.
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