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De 1 a 7 de fevereiro realizou-se o 11º Encontro Nacional de Presbíteros do Brasil (ENP). Quatrocentos e sessenta e dois participantes entre bispos, padres e assessores, representando as Dioceses e Prelazias e os dezoito mil padres do país, se reuniram em Itaici, município de Indaiatuba, interior de São Paulo. O tema do encontro foi “Missionariedade e Profetismo do Presbítero, na Igreja e no Mundo, à Luz do Concílio Vaticano II”. O 11º ENP é convocado e organizado pela Comissão Nacional dos Presbíteros (CNP), organismo vinculado à Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e Vida Consagrada da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB.
Durante sete dias os participantes, com ajuda de assessores convidados, bispos e teólogos, estudaram temas como “Olhar para o mundo e para a Igreja”, “Profetismo”, “Retiro”, “Missionariedade”, “Elaboração dos desafios” e encaminhamentos.
A celebração eucarística de abertura do primeiro dia de trabalhos foi presidida pelo Pe. José Pietrobom Rotta, Presidente da Comissão Nacional de Presbíteros (CNP) que afirmou que “o 11º ENP é um momento de graça, onde todos, iluminados por Cristo, luz do mundo, possam levar a todos uma palavra missionária e profética, transformadora, assim como fizeram Simeão, a profetiza Ana e Maria que apresentou Jesus ao mundo”.
Na primeira manhã de trabalho, Pe. Virgílio Leite Uchoa falou sobre o “Concílio Vaticano II e a presença da Igreja Católica na realidade brasileira”. Abordou os desafios da realidade brasileira nos últimos anos e a questão do poder - poder enquanto serviço. Afirmou que “a nossa proposta como Igreja, seguidora e convertida a Jesus Cristo, será a de caminhar em direção a uma profunda mudança no exercício do poder para exercê-lo como serviço”.
Na segunda sessão, a reflexão foi conduzida por outro assessor, o Pe. Gabriele Cipriani, que também falou sobre a “missionariedade e profetismo”. Afirmou que é necessário “revisitar o Concílio Vaticano II: esse é um imperativo da nossa consciência cristã e da nossa missão de presbíteros desafiados a dar respostas proféticas às demandas da humanidade. Temos a obrigação de dar-nos conta do empreendimento histórico e da gravidade da tarefa a que somos chamados”.
Dom Luciano Mendes de Almeida, arcebispo de Mariana, Minas Gerais, apresentou “o profetismo” a partir de testemunhos, destacando Dom Oscar Romero, Dom Helder Câmara, Pe. Henrique, Pe. Antoniazzi, Cardeal Van Thuan e tantos outros que articularam o profetismo à missão, pois não há missão sem profecia. Ressaltou os ambientes que apelam para a missão, como por exemplo, a Amazônia, as periferias das grandes cidades, os índios, os negros, os pobres e a juventude. “O profeta é sinal da ligação com Deus, possuído do amor de Deus e aquele que se dá pelo povo. Aquele que não sabe conviver com estas pessoas está contaminado pelo ‘vírus da riqueza’. O profeta se apaixona e se deixa possuir por Deus”, declarou. Diante de tantas demandas existentes no mundo de hoje, Dom Luciano questionou o modelo de profeta atual. A resposta, segundo o assessor é redescobrir as comunidades.
O sábado foi um dia muito esperado pelos participantes, pois aconteceu o retiro espiritual orientado por Dom Frei Luis Flávio Cappio, bispo de Barra, na Bahia. O pregador destacou, percorrendo a narrativa bíblica da criação, que Deus é luz e o presbítero resplandece a luz de Deus numa história profundamente marcada pela alternância das sombras, ajudando a humanidade a buscá-Lo sempre de novo, e aproximar-se Dele. Dom Cappio disse ainda que o presbítero profeta-missionário está sempre atento ao tempo em que vive. É sentinela dos sinais dos tempos. E além do tempo, está presente num espaço determinado, junto a um povo que possui uma história, tradições e costumes. Entende que a inculturação implica encarnação na vida daqueles a quem é chamado a evangelizar.
Na noite, ao término do retiro, os padres participaram da noite cultural com o show acústico Zé Vicente.
O dia seguinte foi reservado ao estudo do tema “Missão”. O orientador dos trabalhos foi Dom Erwin Kräutler, bispo da Prelazia do Xingu, no Pará. Fundamentado em textos bíblicos e principalmente no Decreto Conciliar Ad Gentes (A todos os povos), o assessor mostra que o Decreto AG relaciona a missionariedade da Igreja à sua catolicidade. Em outras palavras: a Igreja deixa de ser católica se não for missionária. O palestrante disse que “há 500 anos o Brasil está acostumado a identificar o missionário como alguém que chega e ‘vem’ de fora. Custa-nos compreender que o missionário também ‘vai’, parte das nossas dioceses, de nosso país para outros lugares, países e continentes”. O bispo falou bastante da região, amazônica, e portanto, seu discurso foi traçado pelo perfil cultural e religioso daquela região. Por isso não omitiu os fatos que envolveram a morte da irmã Dorothy Mae Stang (07/06/31 – 12/02/05). Dom Erwin falou com insistência da necessidade de missionários na região amazônica e também dos riscos que ali podem enfrentar se assumirem, de fato, a história do povo.
Os momentos de estudos e trabalhos em grupo, divididos por Regionais (17), foi alternado com a apresentação da realidade pastoral e a comunhão presbiteral nos Regionais da CNBB. Cada grupo de debate construiu propostas para os desafios na ação evangelizadora e missionária a partir dos temas propostos. O documento final estará disponível em breve nas livrarias.
Pe. Roberto Luiz Preczevski - Assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação
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