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Li há pouco que se está a proceder à procriação
assistida com embriões excedentários, com o fim de após o nascimento
das crianças, lhes sejam retirados órgãos para transplante a quem pode
pagar bem.
Na Índia é vulgar a comercialização de órgãos humanos, mas com adultos.
Homens entre os vinte e os trinta anos, “vendem” um órgão, geralmente
um rim, para obter dinheiro para manter a família. Colocam-se num lugar
estratégico perto do hospital que procede aos transplantes a fim de
serem contactados e realizar a comercialização.
E quem são os compradores? Pois são os detentores de enormes fortunas
que se podem dar ao luxo de comprar a sua saúde à custa do mal físico
de um indigente. O pior é que consumada a transacção o vendedor vê
rapidamente esgotado o dinheiro que ganhou, e uma vez debilitado, pela
operação a que se submeteu e pela perda de um órgão, tem dificuldade em
arranjar trabalho. Esta situação é imoral, desumana e degradante, mas
parece que tem a cobertura das autoridades ou pelo menos o seu fechar
de olhos.
Para estes ricaços que pouco valor tem a vida humana…do seu semelhante, claro.
Outro caso de que tive conhecimento, refere-se à depreciação da vida
humana de um ser já de idade avançada. Defendia o médico, galardoado
com o Prémio Nobel (!), que um ser humano a partir dos setenta anos não
devia ter direito a internamento hospitalar, nem a cuidados médicos,
pois isso seria prejudicar os novos. Sem comentários.
Em 1992, Linda Grant na sua obra “Sexing the Millennium”, conta como e
para quê apareceu a pílula anticonceptiva. Talvez muitas mulheres não
saibam que foi criada com fins eugénicos e experimentada, sem
garantias, nas mulheres porto-riquenhas.
Porto Rico é uma ilha essencialmente agrícola, de economia muito débil
e o aumento de população na ilha foi considerado o responsável pelo não
crescimento económico. Como a cana de açúcar era a principal cultura da
ilha e os proprietários pensavam substituir a mão de obra, por máquinas
mais rentáveis, associaram-se aos receios dos Estados Unidos de que os
porto-riquenhos fugissem para lá, e montaram eles mesmos, nas suas
plantações, clínicas com o fim de testar os anticonceptivos. Foram as
mulheres porto-riquenhas as escolhidas para “cobaias”.
Apareceram estudantes de Medicina que tentaram lutar contra esta
manipulação, mas foram ameaçadas por um professor de Farmacologia da
Faculdade de Medicina da Universidade de Porto Rico, nestes termos:
“(…) se qualquer estudante se mostrar irresponsável…utilizarei isso
contra ela, no momento de lhe conceder o título”. “Cobaias” forçadas
foram usadas, mas face aos resultados negativos, mais de 50%
abandonaram o uso da pílula pelos efeitos nefastos que produzia. Mas
como o dinheiro nasceu esperto, uma companhia farmacêutica de Chicago
pôs à venda a referida pílula sem olhar aos efeitos secundários
prejudiciais e muito menos às implicações morais.
Diz o Dr. José Maria Cabral no seu livro “Doença terminal – Valor da
Vida Humana”, na página 20: “Qualquer acção que atente directamente
contra a própria vida ou de outrem ou ainda que dificulte novas vidas
subordinando-as a algum interesse, reduzindo-as assim a valor de meio,
sofrerá de ilicitude grave”.
Não foi pelo uso da pílula que Porto Rico diminuiu a natalidade, o que
muito decepcionou os pró-controlo demográfico. Foi pior. Porto Rico
enveredou pela esterilização que é um atentado ao direito natural, bem
como à integridade física se for imposta pelo Estado; se a
esterilização for voluntária é do mesmo modo ilícita, pois vai contra o
uso natural da capacidade sexual: a procriação.
Está provado, por cientistas autênticos e honestos, e li esta afirmação
num jornal diário da cidade onde vivo, que os métodos naturais são mais
seguros que a pílula e os preservativos, quer no espaçamento dos
nascimentos, quer para evitar a transmissão de doenças. Só têm um grave
inconveniente: não rendem tanto dinheiro e por isso são recusados,
silenciados, menosprezados e ridicularizados.
Se as Bolsas estão em baixa face à recessão económica que atravessamos,
e se lá estivesse cotada a vida humana, penso que teria o menor valor
entre todas as cotações…
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