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Este é o título de um livro de Thomas Merton, e
com ele o autor faz-nos pensar que não podemos viver isolados;
precisamos de conviver, pois o homem é um ser eminentemente social.
Nunca como agora a convivência é tão grande, mas também, nunca como
agora, as pessoas andam tão distantes umas das outras. A convivência
não leva à ajuda mútua sobretudo nos momentos de crise que todos nós,
em certas ocasiões atravessamos. Algo vai mal na nossa sociedade e
vemos que a solidão é um mal que afecta grande número de pessoas e até
nem escolhe idades.
Assim não admira que tenha vindo a prosperar um novo emprego/negócio: o de “Orientadora Espiritual Médium”.
Um dia destes chegou-me à mão um panfleto que dizia assim: Teus
problemas e suas consequências – Drª XXX – Orientadora Espiritual
Médium. Este o título e continuava: a conceituada (?) Drª XXX, está
apta a fornecer-lhe indispensáveis orientações e preciosos dados sobre
os seus negócios inexplicavelmente embaraçados, Sociais ou
Particulares, Vícios, Angústias, Complexos de Inferioridade,
Prosperidade no Comércio, Indústria, Decadência e queda inexplicável de
lucro, Emprego, Assuntos Sentimentais, Amor e Consequência. Desarmonia
no Lar, Segurança e Paz entre familiares, etc.
Quais as causas reais ou ocultas destes e de outros males que te
impedem de ser feliz? Tira de vez a tua dúvida que tanto te desanima e
preocupa.
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Tratamentos também através de Ervas Medicinais. Atendimento e marcação. Tel: (xx) XXXXXXX. Segunda a sábado das 9.00 às 20.00 h.
Primeiro a Drª XXX trabalha 66 horas por semana e se os Sindicatos
sabem vão queixar-se ao Ministério da Tutela e fazer manifestações de
rua, contra um Governo desnaturado (!) que permite uma tal exploração.
Segundo ela vai resolver muitos problemas, mas vai lançar no desemprego
muitos profissionais de saúde que não usam os seus métodos tão
eficientes (!) e mesmo a Indústria Farmacêutica vai ter de dar uma
palavra quanto às Ervas Medicinais.
O pior é que as consultas são muito caras, não têm comparticipação do
Estado e pior – depois das consultas, as pessoas que até eram normais,
só que tinham um qualquer problema, ficam com «uma panca».
Um caso verídico. Uma senhora andava deprimida e com mau aspecto.
Resolveu desabafar com uma amiga só que não lhe contou tudo. A amiga,
que o era de verdade, instou para que lhe contasse tudo. A outra cedeu
e o desabafo veio: não consigo dormir; quando estou quase a adormecer
ouço o choro de uma criança que me deixa ficar angustiada. A amiga, com
muito tacto puxou-lhe pela língua e veio o resto. Quando tinha 20 anos
fiquei grávida e para que os meus pais não soubessem, abortei. Então a
amiga, que a conhecia bem disse-lhe: o que te acontece é consequência
da tua falta de paz interior. Queres um conselho – procura um sacerdote.
A senhora assim fez e passado pouco tempo parecia outra. Tinha-se
reconciliado com Deus através do Sacramento da Confissão e se a
lembrança da sua falta passada a fazia sofrer, a certeza do perdão de
Deus superava a crise e evitava a corrosão do remorso. Tornou-se uma
activista dos movimentos pró-vida.
Se estou absolutamente contra as Drª XXX que proliferam a cada esquina,
não o estou contra os profissionais de saúde que podem ajudar a superar
estas crises. O principal, porém, está na paz da alma com Deus e para
isso temos o Sacramento do Perdão, e o sacerdote, geralmente uma pessoa
experiente, se vê que a parte física está muito afectada é o primeiro a
aconselhar um tratamento médico honesto, mas nunca as Drª XXX. A sua
actividade devia ser proibida; tem sido a causa de muitas desgraças e
exploração da ignorância.
A amizade fez o que as magias nunca fariam e por isso não devemos
esquecer que «Nenhum homem é uma ilha» e assim estar atentos aos
outros, sempre prontos a dar um bom conselho, é um dever do homem que
é, como já disse, um ser social.
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