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Conselho Mundial de Igrejas PDF Imprimir E-mail
Escrito por Dom Demétrio Valentini - Bispo de Jales (SP)   
16-Fev-2006
Está em plena realização, na cidade de Porto Alegre, um acontecimento que faz reviver o clima do Fórum Social Mundial. De 14 a 23 de fevereiro o Conselho Mundial de Igrejas realiza sua nona assembléia geral. O CMI tem sua sede em Genebra, na Suíça. É lá que acontecem, geralmente, suas assembléias.  Quando se realizam fora do continente europeu é para destacar a importância ecumênica do país ou continente escolhido, como aconteceu com a assembléia realizada na Índia e na África anos atrás.
         Agora, pela primeira vez, o CMI realiza sua assembléia no continente latino americano. O local escolhido foi Porto Alegre, pelo destaque adquirido com a reiterada realização, nesta cidade, do Fórum Social Mundial. E também pela tradição de ecumenismo que há mais tempo vem se praticando no Sul do País, onde a diversidade eclesial trazida pelos imigrantes europeus consolidou um bom relacionamento entre as diversas Igrejas lá existentes.
         A envergadura, e o significado especial, do acontecimento destes dias podem passar desapercebidos, se não os analisarmos com atenção.
         Estão presentes 4.014 participantes, vindos de cento e dez países. Chama a atenção a composição desta  assembléia. Quarenta e cinco por cento são mulheres. Expressiva é também a participação da juventude, que representa quinze por cento do total.
         Desses participantes, 691 são delegados oficiais das 348 Igrejas que são membros do Conselho Mundial. E destes, 312 são pessoas ordenadas, e 279 são leigos.  Uma assembléia, portanto, bem representativa da realidade eclesial vivenciada por estas Igrejas, que sentiram o apelo para o ecumenismo, e se associaram ao CMI para cultivar entre si um relacionamento responsável e construtivo, na perspectiva maior da missão a ser cumprida pelas Igrejas no mundo de hoje.
         O CMI foi fundado em 1948. Mas sua inspiração precedeu de algumas décadas a instituição deste organismo que acabou se tornando a referência ecumênica mais importante no contexto da história do cristianismo.
         Foram os missionários protestantes, no início do século passado, que despertaram as Igrejas para a importância e a urgência do ecumenismo.  Perceberam que a divisão dos cristãos era péssima recomendação para a ação missionária. Deixava em descrédito os pregadores de Cristo, ao revelarem que estavam desunidos entre si.  Daí surgiu o movimento ecumênico, que foi tomando forma mais definida com sucessivos encontros de missionários, realizados sobretudo na Inglaterra. A fundação do CMI em 1948 não teria sido possível, sem este despertar ecumênico nascido no contexto da missão. 
         Quando João 23, em 1959, anunciou sua intenção de convocar um concílio ecumênico, justo no momento em que presidia a conclusão da  “semana de orações pela unidade dos cristãos”,  a causa ecumênica recebeu um grande impulso. A organização, por parte da Igreja Católica, do “Secretariado para a união dos cristãos”,  confiado ao Cardeal Bea, renomado biblista, possibilitou o progressivo estabelecimento de relações de cooperação entre o CMI e a Igreja Católica, que passaram a marcar o relacionamento da Igreja Católica com o Conselho Mundial de Igrejas.
         No momento em que acontece no Brasil um esfacelamento eclesial sem precedentes, pela entrada em ação sobretudo do pentecostalismo, é mais do que oportuno contar entre nós com a realização desta Assembléia do CMI, que carrega a bandeira do ecumenismo. É urgente recolocar em cena a causa da união entre os cristãos, com as lições eclesiais que ela aponta.
                  (www.diocesedejales.org.br)
 
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