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Pessoas com deficiência PDF Imprimir E-mail
Escrito por Dom Dadeus Grings   
08-Mar-2006

A Campanha da Fraternidade de 2006 tem como tema 'Pessoas com deficiência' e, como lema 'Levanta-te, vem para o meio' (Mc 3,3). Apresenta propostas evangelizadoras e pedagógicas para colocar as pessoas com deficiência no centro da atenção e da reflexão. Conseqüentemente, quer levar a própria Igreja e toda a sociedade a um novo relacionamento com esses seus irmãos.


Começamos com o título. Não se fala de 'deficientes' como se a deficiência qualificasse ou caracterizasse a pessoa. Quer se evitar a polarização em torno da deficiência, para chamar a atenção sobre a pessoa como um todo. Isso vale para toda e qualquer doença: não se leva para o pronto-socorro uma perna quebrada, nem se interna um coração enfartado. São sempre pessoas que se caracterizam pela dignidade humana, que eventualmente necessitam de uma ajuda. Por isso, nossa atenção e nosso carinho vão a elas. São nossos irmãos.

Em segundo lugar, a deficiência tem um sentido relativo. Ninguém julga que a raça humana é portadora de deficiência por lhe faltar o rabo, apanágio de quase todos os animais. Nem se considera a condição dos carecas pela deficiência de cabelos... As mulheres não deveriam se sentir complexadas por lhes faltarem as características masculinas, nem os homens pela ausência das características femininas em seu organismo...

Algumas deficiências são resolvidas, com bastante galhardia, por dispositivos artificiais. É só lembrar a deficiência visual, corrigida para grande parte da população, nesses últimos séculos, pelo uso de lentes. Chegam hoje a ser muito apreciadas até como enfeite do visual de alguém. Temos recursos para ajudar as pessoas com deficiência auditiva, por meio de aparelhos especiais; para deficiência locomotiva com carros e carrinhos e próteses...

O problema se torna mais grave quando não há como remediar: É o caso das pessoas cegas, paralíticas, surdas, retardadas, desequilibradas. Em síntese: pessoas com distúrbios que lhes dificultam a vida pessoal e social.

A Campanha da Fraternidade leva a acolher essas pessoas levando à consideração de sua dignidade humana. Sua capacidade de amar não é afetada. E a necessidade de serem amadas deve ser acentuada. Lembramos que o amor é a essência da vida cristã. Nesses casos, ele se exerce e manifesta de modo mais pleno. A Campanha da Fraternidade traz a pessoa das deficiências para o meio da atenção para lhe incutir coragem e auto-estima.

A primeira ajuda que se dará à pessoa com deficiência é amá-la, não por causa da deficiência nem apesar dela, mas por seu valor intrínseco, como pessoa e filha de Deus. Amar não custa. É um ato da vontade: querer bem, o que equivale a dizer: reconhecer o bem que existe nessa pessoa. Não se trata de uma pessoa deficiente, mas de uma pessoa humana como todas as demais.

A segunda ajuda é o amparo a quem necessita, na medida das possibilidades. É o empenho de facilitar-lhes a vida e ajudá-las a se realizarem plenamente, no amor.

A terceira ajuda é acolher a lição que essas pessoas dão a toda a sociedade: quem não tiver deficiência agradeça a Deus e, em reconhecimento, disponha-se a acolher, com carinho, aquele que necessita.
Dom Dadeus Grings - Arcebispo de Porto Alegre
 
Fonte: CNBB
 
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