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Estou farta de ouvir sempre o mesmo PDF Imprimir E-mail
Escrito por Maria Fernanda Barroca   
09-Mar-2006
Estou cansada de ouvir sempre o mesmo, quer nos noticiários radiofónicos ou televisivos, quer nos jornais, quer nas revistas, quer no cinema, etc.

 

E o que é esse mesmo de que estou farta? Pois é o problema da homossexualidade, da cultura gay, dos casamentos (se me é permitido dizer isto) de dois seres do mesmo sexo, da adopção de crianças por esses pares o que leva a que uma criança possa ter uma mulher por mãe e outra mulher por pai (!), ou então ter um homem por pai e outro homem por mãe (!). Isto para mim são aberrações da natureza. Sempre as houve, mas não se falava delas senão de uma maneira discreta e quando necessário; actualmente enche-se a boca com tais assuntos e fala-se deles com o maior à vontade, como se fosse algo normal e corrente (infelizmente está a tornar-se corrente).

 

O Vaticano lançou na segunda-feira, dia 20 de Fevereiro, uma ofensiva contra a cultura gay e organizou conferências com teólogos e psicanalistas para tentar evitar a legalização do casamento entre homossexuais e a adopção de crianças por esses casais.

 

Cinco países – Grã-Bretanha, Espanha, Bélgica, Holanda e Canadá – autorizam o casamento entre homossexuais. Por cá foi o que se viu. Duas lésbicas tentaram tudo para, ao arrepio da Constituição, conseguirem “casar-se”. Foi o que se viu, mas eu pergunto: até quando? Temo que nós, com medo de parecermos atrasados neste campo (já o somos em muitos outros), venhamos a ceder.

 

A Igreja, que oficialmente pede que os homossexuais não sejam discriminados como indivíduos, condena o movimento gay porque considera que atenta contra a concepção de família. A hierarquia rejeita toda a possibilidade de “equiparar” o casal heterossexual com o casal homossexual e considera a homossexualidade imoral e contra a lei natural. O Papa Bento XVI já se pronunciou e qualificou de “grave erro” a introdução de leis que regulamentem a união entre homossexuais.

 

Não contentes com a publicidade jornalística, televisiva e radiofónica que estes assuntos têm tido, agora chegou descaradamente o assunto aos filmes exibidos nos cinemas. São exemplo disso: “O Segredo de Brokeback Mountain e Truman Capote.

 

O que leva a fazer sair estes filmes dos guetos, cineclubes e festivais para o grande público? Pois o tilintar do dinheiro nas caixas registadoras das bilheteiras.

 

Para tornar “Brokeback” mais aceitável há quem diga que se trata apenas de uma “história de amor”. Para já está exibido nos cinemas. O que será quando chegar à TV ou ao CD? A questão gay torna-se ainda mais visível e o público é desafiado a pôr em causa os seus preconceitos e as suas convicções.

 

A insistência com que estes temas estão a ser tratados, vulgariza-os de tal modo que, quer se queira, quer não, vão insensibilizando sobretudo os mais jovens que começam a ver nessas cenas o “normal”. Mas pior, ou talvez mais ridículo, é que as pessoas maduras, com idade para ter juízo, encolham os ombros, vão assistir e digam com um ar cândido – isto a mim não me faz mal. Faz mal e muito mal, pois estas coisas entram por osmose e se não se reage acaba-se por desculpar e aceitar como inevitáveis.

 

Que fazer? Especialmente não alimentar com o nosso dinheiro as produtoras de tais aberrações (podem dizer-me: já viste os filmes? Eu respondo: não, nem preciso; há, felizmente, boas críticas que nos elucidam; eu não preciso de tomar cicuta para saber que é um veneno mortal, basta que pessoas autorizadas mo afirmem).

 

A Igreja católica está preocupada com a crescente tendência do mundo ocidental para legalizar os casais homossexuais, e tem razão. O católico Romano Prodi líder da oposição de esquerda em Itália, comprometeu-se no seu programa de governo a reconhecer os direitos dos casais não casados, inclusive os dos homossexuais, se ganhar as eleições legislativas dos próximos dias 9 e 10 de Abril.

 

E o que acontecerá em Portugal? Quem não morrer cedo verá.
 
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