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Recordando João Paulo II, um ano após a sua morte PDF Imprimir E-mail
Escrito por Maria Fernanda Barroca   
02-Abr-2006

Ao falar de João Paulo II, tenho certa relutância em falar da “sua morte”, porque os grandes Homens não morrem – passam desta vida para a Vida.

As suas primeiras palavras, como Papa, foram para lembrar o seu antecessor – o Papa do sorriso João Paulo I, e para manifestar os sentimentos que o dominaram ao tomar conhecimento da sua eleição: sentimentos de humildade, espírito de obediência a Nosso Senhor e uma total confiança na sua Mãe, a Virgem Santíssima.

Em Outubro de 1978 o Cardeal Wojtyla ouviu as mesmas palavras que o Senhor tinha dito a Pedro –“Simão, filho de João, amas-me? Apascenta as minhas ovelhas”. A pergunta foi, no seu caso, Karol amas-me? e a resposta foi semelhante à de Simão. Tornou-se, pelo seu ‘sim’ o pastor do rebanho de Cristo, da sua Igreja universal.

O Santo Padre encontrou o reflexo puro da misericórdia de Deus em Maria, Sua Mãe, ele que tinha perdido a sua mãe terrena quando ainda era criança. As palavras do Senhor na Cruz: “Aí tens a tua Mãe”, tiveram um franco e pleno acolhimento no seu coração.

João Paulo II escreveu muito: homilias, discursos, encíclicas, poemas, livros e até obras de teatro, mas sabia que o impacto mais profundo não estava aí, mas no contacto vivo com as pessoas, por isso  João Paulo II gastou a sua vida peregrinando ao encontro das multidões famintas de Deus, e essas mesmas multidões não o esqueceram e comparecerem aos milhares na Praça de S. Pedro para o acompanharem com a sua oração na lenta e dolorosa agonia. Essa mesma multidão manteve-se firme horas a fio para ver o seu cadáver e assistir às solenes exéquias.

Canonizou muitos santos; um deles Josemaria Escrivá, escreveu: “Estas crises mundiais são crises de santos”. De fato podemos pensar no impacto que tiveram nas suas épocas figuras como Francisco de Assis, Bento, Agostinho, Teresa de Calcutá, Tomás de Aquino ou Joana d’Arc, enquanto que os papas e imperadores que dominaram nas épocas em que viveram não são lembrados.

Ao olhar para tantas canonizações (mais que todos os seus predecessores juntos) e com o olhar posto no novo milênio, João Paulo II escreveu: “agradeço ao Senhor por me ter concedido, nestes anos, beatificar e canonizar muitos cristãos, entre os quais numerosos leigos que se santificaram nas condições ordinárias da vida. É hora de propor de novo a todos, com convicção, esta «medida alta» da vida cristã ordinária: toda a vida da comunidade eclesial e das famílias cristãs deve apontar nesta direcção”. Estas beatificações e canonizações foram, mais que um reconhecimento das virtudes heróicas dos santos, um legado maravilhoso de santidade – afinal o maior legado que nos deixou João Paulo II. Esperemos, com total obediência à Igreja, que chegue a hora de também o vermos a ele nos altares.

João Paulo II disse que o homem alcança a plenitude do dom, na entrega de si a Deus e aos outros. Ora quem como ele o fez?– isso recordamos com emoção um ano após o seu falecimento; fez a sua entrega ao Senhor, à sua Igreja, não com generosidade, mas com sacrifício heróico.

 
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