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Segundo o Novo Catecismo da Igreja Católica (N. 309, 310, 311, 312, 313, 314), para esta pergunta tão premente quão inevitável, tão dolorosa quanto misteriosa, não há uma resposta rápida. É o conjunto da fé cristã que constitui a resposta a esta pergunta: a bondade da criação, o drama do pecado, o amor paciente de Deus que se antecipa ao homem pelas suas alianças, pela encarnação redentora de seu Filho, pelo dom do Espírito, pelo congraçamento da Igreja, pela força dos sacramentos, pelo chamado a uma vida bem-aventurada a qual as criaturas livres são convidadas antecipadamente a sentir, mas da qual podem, por um terrível mistério, abrir mão também antecipamente. Não há nenhum elemento da mensagem cristã que não seja por uma parte, uma resposta a questão do mal.
Mas por que Deus não criou um mundo tão perfeito que nele não possa existir o mal? Segundo seu poder infinito, Deus sempre poderia criar algo melhor. Todavia, na sua sabedoria e bondade infinitas, Deus quis livremente criar o mundo "em estado de caminhada" para sua perfeição última. Este dever comporta, no desígnio de Deus, juntamente com o aparecimento de determinados seres, também o desaparecimento de outros, juntamente com o mais perfeito também o menos imperfeito, juntamente com as construções da natureza também as destruições. Juntamente com o bem físico existe, portanto o mal físico, enquanto a criação houver não atingido a sua perfeição.
Os anjos e os homens, criaturas inteligentes e livres, devem caminhar para seu destino ultimo por opção livre e preferencial. Podem, no entanto, desviar-se. E, de fato pecaram. Foi assim que o mal moral entrou no mundo, incomensuravelmente mais grave que o mal físico. Deus não é de modo algum, nem diretamente nem indiretamente, a causa do mal moral. Todavia, permite-o, respeitando a liberdade da sua criatura e, misteriosamente, sabe auferir dele o bem: pois o Deus Todo-Poderoso por ser soberanamente bom, nunca deixaria qualquer mal existir nas suas obras, se não fosse bastante poderoso e bom para fazer resultar o bem do próprio mal.
Assim, com o passar do tempo, pode-se descobrir que Deus, na sua providência toda poderosa, pode extrair um bem das conseqüências de um mal, mesmo moral, causado pelas suas criaturas: "não fostes vós, diz José a seus irmãos, que me enviastes para cá, foi Deus;... o mal que tínheis a intenção de fazer-me, o desígnio de Deus o mudou em bem afim de... salvar a vida de um povo numeroso" (Gn 45,8;50,20). Do maior mal moral jamais cometido, a saber, a rejeição e o homicídio do Filho de Deus, causado pelo pecado em todos os homens, Deus, pela superabundância de sua graça, tirou o maior dos bens: a glorificação de Cristo e a nossa Redenção. Com isso. porém, o mal não se converte em bem. "Deus coopera em tudo para o bem daqueles que o amam, (Rm 8,28). O testemunho dos santos não cessa de confirmar esta verdade: assim, Santa Cataria de Sena diz "aqueles que se escandalizam e se revoltam com que lhes acontece: tudo procede do amor, tudo esta ordenado a salvação do homem, Deus não faz nada que não seja para esta finalidade".
Cremos firmemente que Deus é o Senhor do mundo e da história. Mas os caminhos da sua providência muitas vezes não são conhecidos. Só no final, quando acabar o nosso conhecimento parcial, quando virmos Deus "face a face" (lCor 13,12), teremos pleno conhecimento dos caminhos pelos quais, mesmo através dos dramas do mal e do pecado, Deus terá conduzido sua criação até o descanso desse Sábado definitivo. em vista do qual criou o céu e a terra.
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