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Um jornal diário do Porto, em Portugal, publicou uma notícia não assinada intitulada: «Pílula do dia seguinte liberalizada».
Nesse escrito encontrei uma série de afirmações: umas erradas outras
confusas. É realmente lamentável que quem escreve não procure
documentar-se sobre os assuntos que não domina pois não é especialista.
Começa com a seguinte afirmação: “Em França segundo noticiou o jornal espanhol El País,
o governo permite a venda, sem receita, da chamada «pílula do dia
seguinte», também conhecida por «pílula abortiva ou das 24 horas»”.
Logo a seguir vem uma contradição: “Este medicamento – um contraceptivo
(agora chama-lhe contraceptivo, quando antes lhe chamara, e bem,
abortivo) eficaz durante 72 horas posteriores ao acto sexual – evita a
implantação do óvulo no útero. Ora realmente o que se implanta, ou
tenta implantar no útero não é o óvulo, mas o ovo ou zigoto e ao
impedir a sua implantação e consequente expulsão pratica-se um aborto,
uma vez que logo após a fecundação do óvulo já existe uma nova vida que
é impedida de se desenvolver uterinamente. Para ser aborto tanto faz
que tenham decorrido 24 horas após a fecundação como 12 semanas.
E
o jornalista continua dizendo que em França tiveram a intenção de
diminuir o número de abortos. É no mínimo espantoso que se queira
diminuir o número de abortos levando as mulheres, que usam a pílula das
24 horas a cometer um aborto, caso tenha havido um óvulo fecundado. E,
para reforçar a sua ideia dá o exemplo da Finlândia onde este
medicamento (!) é usado desde 1987, onde é grande o número de
adolescentes grávidas.
Por cá a dita pílula não está à
venda e os médicos confrontados com uma adolescente ou jovem grávida
«aconselham» uma dose reforçada da pílula normal e certamente habitual,
tomada nas mesmas condições e períodos de tempo da anterior. Mas o
pior, refere o articulista surge quando as coisas já estão num estado
avançado – os números escamoteiam a realidade.
Mas o
artigo termina com os resultados de perguntas feitas numa farmácia. Aí
o jornalista foi informado que os jovens já estão muito mais evoluídos
– já entram na farmácia para pedir preservativos ou pílulas. Como ainda
lhes resta um pouco de pudor que os nossos governantes querem abolir,
dizem que é para «o irmão» ou para «a prima»...
Com a
entrada em vigor da nova legislação isto vai acabar pois que os jovens
nem precisam de ir à farmácia – na Escola, ao lado da máquina dos
refrigerantes tem tudo à mão. Máquinas de tirar tabaco, isso não, é
proibido, agora pílulas e preservativos, sim. Quem lucrará com isto? E
qual o volume de lucro? Perguntar não
ofende...
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