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Quando eu era padre novo, um grupo de colegas se queixou de que o Bispo não dava suficiente reconhecimento aos carismas. Tomei coragem e fui conversar com Dom Vicente Scherer. Ele escutou e respondeu: “Meu caro, eu gostaria de valorizar os carismas. Meu problema é distinguir entre carisma e mania”. Como sabemos, o carisma é um dom suscitado pelo Espírito Santo para o bem da comunidade. Não é dado para o interesse egoísta e individual. Para distinguir os carismas precisamos do discernimento. Este é o papel do Espírito Santo no coração da Igreja. Por isso falamos em tempo da Igreja, qual o tempo do Espírito Santo, que é a alma da Igreja. Todos temos nossos problemas. Escutei alguém falar que vivemos num “ninho de serpentes”: é ódio, inveja, maledicência, engodo, roubo, violência etc. Sem falar nas tentações, nas provações, nas aflições da família e na dificuldade de optar pela vocação. Para discernimento importante se aconselha sair da rotina e do barulho, colocar-se em sintonia com Deus, em atitude generosa e livre e deixar aflorar as várias opções. Aquela que me traz alegria interior, paz de espírito e certa plenitude, recebe a maior probabilidade de ser inspirada por Deus. Isto mais vezes repetido, permite à pessoa uma opção livre e firme. Desta firmeza interior brota a harmonia do coração, o gosto da realização pessoal, a capacidade de amar e de fazer o bem, mesmo em meio a um “ninho de serpentes”. Um coração distraído e armado, em “águas turvas”, como dizem os mestres espirituais, é difícil a manifestação do Espírito. Li uma quadra do vovô que diz mais ou menos assim: Pus-me a contar pelos dedos Quantos já são os meus netos; Mas não consegui sabê-lo Porque nunca estão quietos!
O dom do discernimento brota do íntimo, do templo do Espírito Santo, como um “instinto evangélico”. “Instinto”, isto é, uma inclinação permanente da pessoa ligada a Deus. A “mania” faz parte da comédia humana da humanidade ferida e fragilizada pelo pecado. Peço ao Espírito Santo que renove em mim sua presença e me dê a capacidade de perceber suas inspirações. Como Maria de Nazaré: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo sua vontade”. * Dom Sinésio Bohn, bispo de Santa Cruz do Sul (RS) 02 de junho de 2006 * * * Fonte: CNBB
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