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A dignidade de ser mulher PDF Imprimir E-mail
Escrito por Maria Fernanda Barroca   
26-Jun-2006
Ao fazermos uma pesquisa histórica, mesmo rápida e superficial, concluímos, sem margem de dúvida, que a mulher no mundo clássico greco-romano era muito pouco cotada; era considerada um ser de menor idade, sem o uso pleno da razão, sem personalidade jurídica e sem poder tomar parte na política.

Com umas palavras falsamente atribuídas a Demóstenes, podemos resumir o papel da mulher nessa época: “temos cortesãs para o prazer, concubinas para o cuidado diário do corpo, esposas para ter filhos e uma guardiã do lar”.

A mulher não passava de um instrumento de prazer ou de uma “coisa necessária” para ter filhos.

Na sociedade romana as coisas não se passavam de modo diferente e estas sociedades ao dispensarem metade dos seus valores – as mulheres – acabaram por sucumbir com o aumento da violência e a falta de valores humanistas que dão aos povos a sua plena maturidade.

Começou então o movimento de libertação das mulheres, com situações parecidas às que hoje vivemos: vestir como os homens, praticar os mesmos desportos, legitimar o divórcio, o aborto e promiscuidade, etc. O resultado foi a masculinização da mulher e não a sua libertação. Foi este o primeiro “feminismo”. Pela mesma época surgiu o verdadeiro movimento de libertação da mulher, quando as mesmas assumem atitudes influenciadas pela fé cristã e tomam consciência da sua condição de pessoa, autodeterminando-se face ao despotismo masculino. Esta libertação, que durou séculos, ficou a dever-se ao cristianismo.

Para a dignificação da mulher a idade de ouro foi a Idade Média, adquirindo os mesmos direitos políticos e económicos dos homens: começaram a aparecer mulheres na vida política, cultural e empresarial. Apareceram rainhas que governaram e fizeram a guerra; tinham direito a voto; dirigiam tropas como Joana d’Arc; ascenderam a graus elevados de cultura com Eloísa; publicaram livros de pedagogia como Dhuoda ou enciclopédias como Herrade de Lonesberg. Podiam ter comércio aberto sem ter de pedir autorização ao marido e encontramos mulheres das mais variadas profissões: médicas, professoras, copistas, farmacêuticas, encadernadoras, etc.

Durante a Idade Média a mulher gozou de um grau de liberdade pessoal e de igualdade ao homem sem se diminuir, coisa que lhe tinha sido negada na Antiguidade e depois lhe foi retirada na Idade Moderna.

Assim o “feminismo” dos nossos dias ao considerar-se anti-cristão, converte-se em inimigo de si mesmo, pois a mulher só pôde ser ela própria, com toda a capacidade de ternura e doação, com o cristianismo; a atual cultura de violência racionalista e inumana está a degradar a mulher, bem como a liberdade de costumes e modos de vestir. A moda, nas suas formas mais despudoradas, tem levado à perda de respeito pela mulher, a principal culpada pois se deixa escravizar perdendo a verdadeira liberdade.

A Idade Moderna, anti-cristã, fez regredir o papel social da mulher e assim não a vemos presente, durante essa época, no campo cultural, político ou económico.

Surgiu então como reação nos fins do século XIX e princípios do século XX, um novo “feminismo” marcadamente marxista e freudiano, conduzindo à situação de ser pejorativo o termo “feminista”. Dizia que lutava pelos direitos da mulher, mas só conseguiu votá-la à renúncia dos próprios valores naturais e assim vemos aparecer, de novo, a defesa do aborto e do amor livre, bem como o ataque à maternidade e à família.

O homem e a mulher são diferentes corporal e psicologicamente, mas têm igual dignidade – o homem não é superior nem inferior à mulher, mas os dois complementam-se. A sociedade enriquece quando a mulher assume ser feminina: na cultura, na política, na economia, etc., mas isto passa pela aceitação da maternidade quer a mulher seja ou não mãe. Na medida em que o “feminismo” considera a maternidade como inimigo a combater, na medida em que luta pela prática do aborto e acha degradante a dedicação aos filhos, está a empobrecer e a aviltar a mulher.

O “feminismo” só é autêntico quando faz do respeito à mulher e à maternidade um dos valores mais nobres e que mais a dignificam.
 
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