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Ao fazermos uma pesquisa histórica,
mesmo rápida e superficial, concluímos, sem margem de dúvida, que a
mulher no mundo clássico greco-romano era muito pouco cotada; era
considerada um ser de menor idade, sem o uso pleno da razão, sem
personalidade jurídica e sem poder tomar parte na política.
Com umas palavras falsamente atribuídas a Demóstenes, podemos resumir o
papel da mulher nessa época: “temos cortesãs para o prazer, concubinas
para o cuidado diário do corpo, esposas para ter filhos e uma guardiã
do lar”.
A mulher não passava de um instrumento de prazer ou de uma “coisa necessária” para ter filhos.
Na sociedade romana as coisas não se passavam de modo diferente e estas
sociedades ao dispensarem metade dos seus valores – as mulheres –
acabaram por sucumbir com o aumento da violência e a falta de valores
humanistas que dão aos povos a sua plena maturidade.
Começou então o movimento de libertação das mulheres, com situações
parecidas às que hoje vivemos: vestir como os homens, praticar os
mesmos desportos, legitimar o divórcio, o aborto e promiscuidade, etc.
O resultado foi a masculinização da mulher e não a sua libertação. Foi
este o primeiro “feminismo”. Pela mesma época surgiu o verdadeiro
movimento de libertação da mulher, quando as mesmas assumem atitudes
influenciadas pela fé cristã e tomam consciência da sua condição de
pessoa, autodeterminando-se face ao despotismo masculino. Esta
libertação, que durou séculos, ficou a dever-se ao cristianismo.
Para a dignificação da mulher a idade de ouro foi a Idade Média,
adquirindo os mesmos direitos políticos e económicos dos homens:
começaram a aparecer mulheres na vida política, cultural e empresarial.
Apareceram rainhas que governaram e fizeram a guerra; tinham direito a
voto; dirigiam tropas como Joana d’Arc; ascenderam a graus elevados de
cultura com Eloísa; publicaram livros de pedagogia como Dhuoda ou
enciclopédias como Herrade de Lonesberg. Podiam ter comércio aberto sem
ter de pedir autorização ao marido e encontramos mulheres das mais
variadas profissões: médicas, professoras, copistas, farmacêuticas,
encadernadoras, etc.
Durante a Idade Média a mulher gozou de um grau de liberdade pessoal e
de igualdade ao homem sem se diminuir, coisa que lhe tinha sido negada
na Antiguidade e depois lhe foi retirada na Idade Moderna.
Assim o “feminismo” dos nossos dias ao considerar-se anti-cristão,
converte-se em inimigo de si mesmo, pois a mulher só pôde ser ela
própria, com toda a capacidade de ternura e doação, com o cristianismo;
a atual cultura de violência racionalista e inumana está a degradar a
mulher, bem como a liberdade de costumes e modos de vestir. A moda, nas
suas formas mais despudoradas, tem levado à perda de respeito pela
mulher, a principal culpada pois se deixa escravizar perdendo a
verdadeira liberdade.
A Idade Moderna, anti-cristã, fez regredir o papel social da mulher e
assim não a vemos presente, durante essa época, no campo cultural,
político ou económico.
Surgiu então como reação nos fins do século XIX e princípios do século
XX, um novo “feminismo” marcadamente marxista e freudiano, conduzindo à
situação de ser pejorativo o termo “feminista”. Dizia que lutava pelos
direitos da mulher, mas só conseguiu votá-la à renúncia dos próprios
valores naturais e assim vemos aparecer, de novo, a defesa do aborto e
do amor livre, bem como o ataque à maternidade e à família.
O homem e a mulher são diferentes corporal e psicologicamente, mas têm
igual dignidade – o homem não é superior nem inferior à mulher, mas os
dois complementam-se. A sociedade enriquece quando a mulher assume ser
feminina: na cultura, na política, na economia, etc., mas isto passa
pela aceitação da maternidade quer a mulher seja ou não mãe. Na medida
em que o “feminismo” considera a maternidade como inimigo a combater,
na medida em que luta pela prática do aborto e acha degradante a
dedicação aos filhos, está a empobrecer e a aviltar a mulher.
O “feminismo” só é autêntico quando faz do respeito à mulher e à maternidade um dos valores mais nobres e que mais a dignificam.
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