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Muito se tem discutido sobre este
assunto e parece que não são os padres os mais empenhados nessa
discussão, mas outras pessoas empenhadas em dar destaque ao tema.
O Cardeal Basil Hume, primaz católico de Inglaterra, a 17 de Setembro
de 2005, declarou aos microfones da BBC, que a lei do celibato não é
divina, mas eclesiástica e portanto passível de ser mudada. Acrescentou
algo, de muito controverso: que as vocações aumentariam, se bem que a
Igreja está a perder pessoas muito válidas porque não querem ser
sacerdotes celibatários. Acrescentou também que o celibato conserva o
seu valor na sociedade actual “obcecada pelo sexo”: “É bom haver gente
que possa dar testemunho do amor sem sexo”.
Estas palavras foram interpretadas, pela imprensa, como uma proposta
que o Cardeal fazia para rever a lei do celibato. Logo a seguir o
próprio Cardeal no Daily Telegraph, declarou: “Não proponho mudar a
lei. Creio que o celibato é a solução adequada para a Igreja. (...) É
um valor que devemos preservar”.
Muitos acenam com o que se passa nas igrejas protestantes, onde os pastores não assumem o celibato. Será que isso resolve tudo?
O então Cardeal Ratzinger no seu livro O Sal da Terra, afirma a dado
passo: (...) “Quanto mais pobre é uma época no que respeita à fé, mais
frequentes se tornam as quedas. Desse modo, o celibato perde
credibilidade, e o que significa realmente não se manifesta. Mas é
preciso perceber que épocas de crise do celibato são também épocas de
crise do casamento. Porque hoje não observamos apenas rupturas do
celibato, o próprio casamento torna-se cada vez mais frágil como
fundamento da nossa sociedade. Para o celibato a escolha tem de ser
livre. Antes da ordenação, até tem de se fazer uma promessa solene,
confirmando que é o que se quer e que se faz livremente. Por isso, não
me agrada muito que depois se diga que se tratou de um celibato
obrigatório, e que foi imposto. Isso contradiz a palavra dada no
início. (...) Para dizer de uma forma linear: depois da abolição do
celibato só teríamos outro tipo de problemática com os padres
divorciados”.
O Cardeal Hume referiu que é difícil o celibato, “mas seria ingênuo
crer que a vida matrimonial é mais fácil. Atualmente 40 % dos
matrimônios desfazem-se - uma proporção muito mais elevada que a do
abandono do sacerdócio”.
Mas para avaliar as vantagens de suprimir a lei do celibato, ninguém
melhor do que uma pessoa que conhece pessoalmente o assunto - Pamela
Nightingale, casada com um sacerdote católico que antes fora ministro
anglicano. Também ela hoje é católica.
“33 anos de vida matrimonial fizeram-me compreender bem o heroísmo que
pedimos aos nossos sacerdotes para que vivam, geralmente, sós, sem
ninguém com quem compartilhar intimamente as necessidades físicas,
mentais e espirituais; (...) também é fácil esquecer a lealdade e a
dedicação de tempo que o matrimônio exige a um homem. Qualquer pai ou
mãe sabe os cuidados e as preocupações que os filhos dão, o esforço
econômico que exige a sua educação. (...) Como poderia um bispo
católico atender as numerosas paróquias da sua diocese, se os
sacerdotes tivessem de colocar em primeiro lugar as necessidades das
suas famílias? (...) O celibato sacerdotal é uma jóia da Igreja
católica que só se tem posto em causa desde que começamos a ficar
obcecados com a realização sexual, em vez de pensar na outra forma de
realização que oferece o sacerdócio. Olhemos para o Papa João Paulo II
e nele vemos uma pessoa totalmente íntegra na qual os dons intelectuais
e os dotes físicos se combinam com uma profunda piedade e simpatia”.
A tudo o que foi escrito queria contrapor algo dito por Pamela
Nightingale, acerca da falta de disponibilidade dos padres casados, com
palavras do então Cardeal Ratzinger: “(...) Não se trata simplesmente
de poupar tempo, porque, como não sou pai de família, até disponho de
um pouco mais de tempo; isto seria demasiado primitivo e ingénuo.
Trata-se, realmente, de uma existência que aposta inteiramente em Deus
e que omite aquilo que normalmente torna uma existência humana adulta e
auspiciosa”.
E para terminar cito uma frase que ouvi de um sacerdote católico,
acerca deste assunto, e dita de uma forma jocosa: “Por que será que
tanta gente quer que nós (os padres) tenhamos sogra?”.
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