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Os três olhares de Jesus PDF Imprimir E-mail
Escrito por Maria Fernanda Barroca   
24-Set-2006
O Senhor na sua vida terrena não falou só com a boca, mas também com o olhar. Assim vamos hoje reparar em três situações nas quais  Jesus nos fala com o seu olhar.
 
A primeira sucedeu com Maria, a pecadora na qual dizem que moravam sete demónios. A cena passa-se quando Jesus estava em Betânia em casa de Simão, o leproso. Maria aproximou-se de Jesus com um frasco de alabastro com um perfume de alto preço e banhou com ele a cabeça de Jesus, ao mesmo tempo que banhava os seus pés com as suas lágrimas. Os discípulos escandalizaram-se porque acharam aquele gesto um desperdício, mas Jesus disse-lhes: “Porque molestais a mulher? Foi uma boa obra que ela praticou para comigo. Com efeito, pobres sempre os tereis convosco, a Mim, porém, não Me tereis sempre. Ela, ao derramar este bálsamo sobre o Meu corpo, fê-lo para Me embalsamar” (Mt. 26, 10-12). Esta mulher enamorada, conquistou o coração de Jesus que olhou para ela com bondade e para os acusadores com uma certa severidade. De fato para o Senhor deve ir sempre o melhor, o mais caro – os Sacrários e os vasos sagrados devem ser ricos e com a melhor apresentação e vai mal quem censura este fato.
 
A segunda situação passa-se com o jovem rico. Ele tinha ouvido falar de Jesus e sente curiosidade. O jovem além de rico era bom e diz-nos o Evangelho que observava os Mandamentos. Foi ao encontro de Jesus com o coração inquieto ansioso por saber o que lhe ia dizer Jesus. O Senhor por sua vez enche-se de alegria e prepara-se para pedir algo ao jovem. Se lhe tivesse pedido alojamento e comida para si e para os seus, o jovem tudo teria dado. Mas o Senhor, olhando-o com carinho e predileção, pede-lhe outra coisa: “vai e vende quanto tens e dá-o aos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois vem e segue-Me” (Mc. 10, 21). O jovem assusta-se e partiu triste, porque estava muito preso aos seus bens. Mas cuidado porque o apego pode não ser só aos bens materiais, mas também pode ser um apego aos nossos próprios projetos e talvez tenha sido esta a situação do jovem.
 
A terceira situação refere-se ao episódio da negação de Pedro. Jesus é preso e levado a Anás, sogro de Caifás que era o Sumo Sacerdote daquele período. Simão entrou no pátio do Sumo Sacerdote e uma criada disse-lhe: “Tu não és também dos discípulos desse homem? Ele responde: Não sou (Jo. 18, 17). Pedro fez esta negação por três vezes e com juramento. “E imediatamente, estando ele ainda a falar, cantou o galo. Voltando-Se o Senhor, fitou os olhos em Pedro e este recordou-se da palavra do Senhor ao afirmar-lhe: "Antes de um galo cantar. Me negarás hoje três vezes" (Lc. 22, 60-61). Pedro chora o seu pecado e imediatamente, devido ao olhar de Jesus, sente-se perdoado e a paz volta à sua alma, paz essa que não excluiu a dor imensa que Pedro sempre arrastou por toda a vida.
 
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