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Padre argentino envolvido com a ditadura será julgado PDF Imprimir E-mail
Escrito por RV   
03-Out-2006
Pela primeira vez na história da Argentina, um sacerdote católico será levado a julgamento, por sua presumível participação em graves violações dos direitos humanos, durante a ditadura militar (1976-1983).

Trata-se do Pe. Christian Von Wernich, acusado de ter participado ativamente nas torturas de prisioneiros políticos, em 19 assassinatos e 33 seqüestros, incluindo o de filhos de desaparecidos. O julgamento terá início, segundo fontes extrajudiciais, em dezembro próximo.

Pe. Von Wernich, ex-capelão da polícia em Buenos Aires, agia sob as ordens do ex-delegado-geral, Miguel Etchecolatz, que há 11 dias foi condenado à prisão perpétua, por assassinatos e torturas. Ambos eram subordinados ao general Ramón Camps, que pregava uma "limpeza étnica de subversivos".

Jacobo Timmerman, empresário argentino já falecido, teria sido vítima de Pe. Von Wernich. Segundo a acusação, o sacerdote o torturava com especial sadismo, pelo fato de ele ser judeu. "Era um canalha" _ disse Timmerman.

Outro preso que teve contato com o sacerdote foi Luis Velasco, que disse que o padre "ria dos torturados com choques elétricos".

A Igreja Católica na Argentina tem sido duramente criticada por sua presumível colaboração ativa com a ditadura. Segundo os acusadores, sacerdotes e bispos assistiam a sessões de tortura e pediam aos prisioneiros que se confessassem para "salvar suas almas". (MZ)
 
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