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O tempo do Advento, este mês que nos prepara ao Natal, tem tudo para não dar certo. Parece uma repetição e, pior, é tempo de espera. Repetir é sempre bastante cansativo. Acontece às mães que perguntam aborrecidas ao filho: “Quantas vezes tenho que lhe dizer a mesma coisa?”. A repetição de gestos e palavras vira facilmente rotina. Acabamos todos perdendo o sentido do que estamos fazendo, nem pensamos mais, é automático e enjoado. Também aguardar é sempre um drama. Parece que o sinal nunca vai abrir, que a ligação nunca se complete e que a fila aumente ao invés de diminuir. Haja paciência! Mas sempre podemos ver as coisas de um outro ponto de vista, sobretudo quando o que se repete é importante e quem se espera é aguardado de coração. Quantas coisas agradáveis nós todos gostaríamos poder repetir, mas nem sempre é possível. Quem nunca gritou cheio de entusiasmo e emoção: “bis” num show, numa representação artística, após o malabarismo de um equilibrista? Assim também é muito bonito e mexe conosco, ver pessoas sorrindo e se abraçando numa estação. Quem chega e quem aguarda estão sérios; um cansado da viagem, o outro preocupado, mas quando se enxergam, os rosto dos amigos ficam logo sorridentes. Há esperas que animam, abrem aos sonhos e às esperanças, são momentos inesquecíveis; acontece como na espera do nascimento de um filho, acontece com a resposta negativa de um exame médico. Também o Advento e o Natal podem tornar-se rotina de final de ano, com as despedidas melosas de quem deixa o escritório, os discursos formais do chefe, as lagrimas fingidas dos colegas, os presentes inúteis esquecidos num canto. Advento e Natal não podem ser assim. Quem chega é Jesus e quem o deve acolher somos nós. De um lado, o Deus feito homem, que se faz pequeno e humilde, para ver se agora tem um lugar para Ele; do outro lado, uma humanidade que, no meio de tanto barulho, custa a admitir o seu vazio. O segredo para nos preparar ao Natal é este: admitir que nos falta algo, que não estará na próxima promoção natalina ou na imperdível queima de final de ano. Algo que só podemos conseguir se nos prepararmos, se o desejarmos, se o reconhecermos. Talvez muitos de nós, nesses dias, estejamos preparando a casa para acolher algum parente que virá passar o Natal em família, ou também se preparem para uma viagem, para visitar alguém. Quem acolhe e quem visita tem que se preparar. Não gostamos de ser pegos de surpresa e quem viaja gosta de levar o necessário. Para acolher Jesus, basta parar um pouco, pensar, refletir, olhar para trás, para o ano que passou e, muito mais, olhar para frente. O que esperamos? O que gostaríamos que acontecesse? Porque Ele, Jesus, vem para caminhar conosco, é o Deus conosco, Emanuel será chamado. Vai nos ajudar a encontrar uma solução, porque Ele é a Luz. Vai nos ajudar a perdoar e a amar de novo, porque Ele é o Príncipe da Paz. Mas Jesus vai fazer isso no silêncio, como na noite de Natal; na percepção da vida que vem e que passa e, do novo, podemos fazer acontecer dentro e fora de nós. Vale a pena nos preparar para encontrar e reconhecer Jesus outra vez, para adorá-lo com todo o coração como os Magos; a alegria será bem maior do que pensávamos.
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