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Proposta a criação de uma área cristã autônoma no Iraque |
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Escrito por CN
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07-Jan-2007 |
Um novo plano para a autonomia dos cristãos na região curda do Iraque desencadeou o debate entre os líderes cristãos iraquianos, que não sabem como deter o êxodo massivo de cristãos do Iraque. Com igrejas alvos de atentados a bomba e sacerdotes seqüestrados em Mosul e Bagdá, estima-se que a população cristã do Iraque tenha decrescido em 450.000 pessoas, até chegar à metade do que era em 1991. "Há um ano, a situação da comunidade cristã não era muito bem conhecida —explicou à agência Associated Press, Michel Gabaudan, do Alto Comissionado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR)—. Mas isso mudou porque agora temos a clara evidência de que estão sendo perseguidos". Meia dúzia de igrejas históricas do Iraque, muitas delas que remontam aos primeiros três séculos depois de Cristo, expressaram seu temor e pensam que se deve fazer algo para preservar sua existência. Mas não há consenso sobre a solução. Existe desacordo sobre se cooperar com os líderes curdos para formar uma área autônoma dentro de um estado federal curdo, ou se permanecer só e criar um novo estado federal só para as minorias. Um bispo caldeu disse que o plano só faria com que as coisas piorassem criando um gueto cristão. Por outro lado, é muito improvável que os iraquianos sunitas que controlam atualmente o governo de Mosul que administra este território, apóiem um plano para qualquer forma de autonomia das minorias. Aí é onde começam os problemas, disse o arcebispo caldeu de Kirkuk, Dom Luis Sako, à agência Compass. Um dos poucos religiosos a falar sobre o tema, Dom Luis Sako disse que teme que qualquer anuncio de que os cristãos estão tentando conseguir sua própria região será violentamente reprimido. "Temos 300.000 cristãos em Bagdá, Kirkuk e Basra, e em muitos casos têm problemas, até são perseguidos por isso —disse o arcebispo—. Outros dirão: 'Saiam daqui, saiam para sua própria área'". O arcebispo disse que duvida que o plano de uma área cristã em Nínive possa ser seguro, embutida entre as regiões árabe e curda. "Os cristãos não podem viver ilhados, estamos no norte, estamos no meio do Iraque e estamos no sul —disse monsenhor Sako—. Onde quer que vivamos, deveríamos cooperar com os cidadãos. Não temos que criar um gueto". Mas alguns lideres assinalaram que os ataques aos cristãos estavam aumentando já antes de que se publicasse algum plano para a autonomia cristã. "Temos visto ataques contra nosso povo na área de Mosul", comentou o ministro de Turismo Baito, partidário da autonomia cristã dentro da região curda e chefe do Partido Patriótico Assírio. Grupos islâmicos começaram a impor um imposto aos cristãos na cidade de Mosul, declararam fontes cristãs à agência Compass. Quem se nega a pagar geralmente é seqüestrado e assassinado. "O líder da mesquita próxima à nossa casa disse aos muçulmanos no púlpito da mesquita que não comprassem casas dos cristãos porque a terra já era deles", disse um cristão de Mosul. Um ex-diretor de banco abandonou o norte com sua família depois que sua casa sofreu um atentado a bomba por se recusar a pagar três milhões de dinares (2.276 dólares) a uma banda local. Recentemente, três irmãos ortodoxos armênios foram assassinados em sua oficina mecânica em Mosul, enquanto enfrentavam um grupo terrorista que tentou seqüestrá-los. Em outro incidente, um cristão identificado como "Jayri" foi assassinado e seu filho menor seqüestrado para obter um resgate. Os seqüestradores inicialmente pediram 50.000 dólares pela devolução do menino mas aceitaram 35.000 dólares de um familiar. A viúva do cristão e dois filhos tiveram que se mudar para a aldeia predominantemente sírio-orotodoxa de Bartalla, a 25 quilômetros a leste de Mosul.
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