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Ao encontro da Santidade PDF Imprimir E-mail
08-Abr-2003

Falar de Santidade é tocar no fogo, com as mãos nuas, indefesas. Viver a Santidade, é caminhar, livremente, ao encontro do Oleiro, deixar-se moldar por essa Força Criadora, que dá forma ao barro.

Pedi ao Pai, para que me molde, e a ti também, meu irmão, como vasos de Santidade. Coisa dura pedi!

Felizes os puros de coração porque verão a Deus. (Mateus.5,8)

Não crês tu nestas palavras? Pergunta ao Pai! Elas não são minhas, nem sequer são da Igreja! Elas são do próprio Pai.

Se Ele falou, e alguém escreveu, então também não nos deixará sem os meios para o alcançarmos.

Se as podes ler, se as podes escutar, hoje, no teu tempo, que também é o meu tempo, então elas são também para nós, homens de barro, com tonalidades diferentes, mas iguais aos homens do passado, do Israel!

Como eles, também no nosso olhar, existe apenas a neblina, que nos oculta o rosto do Pai.
A neblina da dor, que entrou em nós, ao ferir o outro, nosso irmão.
A neblina da dúvida, que ocultou em nós, a força do seu Amor.
A neblina do orgulho, que afastou de nós, a eterna misericórdia oferecida.

Gritamos por Ele, como o Filho, e sentimos agarrar-nos a Sua mão, que escorrega lentamente, nas nossas, escorregadias pelo pecado. As suas, ficam então vazias, abertas, à espera.

Então, compreendemos o abandono, no Abandonado da cruz, e choramos. Choramos e bebemos as nossas lágrimas, misturadas com as suas lágrimas, que queimam os nossos lábios impuros.

Sede santos, porque Eu sou Santo. (I Pedro.1,16)

Somos homens de barro. Tu nos conheces, Senhor, e o que nos pedes excede as nossas forças. Ainda que muitos tenham morrido por Ti, continuamos na dúvida da nossa força, do teu poder em transformar-nos em redenção. E aí reside o nosso maior fracasso, esse polvo que nos abraça tenazmente e não nos deixa avançar ao teu encontro.

Tropeçamos e fazemos tropeçar os outros. Cegamos, e fazemos cegar os outros! Meu Deus, para onde caminhamos?
Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim. (João.14,6)

O Caminho que nos apontas, ó Pai, é longo e tortuoso, no entanto, todos os que já morreram por Ti, continuam gritando com as suas vidas, que Tu, estás presente, sempre, para nos carregar nos teus ombros, como o Bom Pastor, para que o cansaço e o desânimo não nos abrace. Basta deixarmo-nos agarrar por Ti, descansar no teu regaço, perto do teu rosto.

Pai misericordioso, dá-nos a graça de nos sentarmos à tua mesa, partilhar da tua Páscoa!

Pai Santo, sabemos que é possível ser santos, pois somos gerados por Aquele que é a própria Santidade.

Fica connosco, Senhor.

 
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