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Reforma política vai além de reforma partidária, afirma CNBB PDF Imprimir E-mail
Escrito por CNBB   
28-Out-2007

A necessidade de uma Reforma Política, que recoloque o país dentro de parâmetros éticos e o debate da CPMF foram duas preocupações discutidas durante a 64ª Reunião do Conselho Permanente da CNBB, realizada de 23 a 25 de outubro, na sede da Conferência, em Brasília. Foi o que informou hoje o presidente da instituição, dom Geraldo Lyrio Rocha, durante entrevista coletiva à imprensa. Segundo dom Geraldo, o Conselho Permanente “se debruçou não só sobre questões internas da Igreja, mas também sobre questões nacionais que interpelam a própria Igreja na sua ação evangelizadora”.

Sobre o momento político atual, dom Geraldo recordou a nota da CNBB intitulada Democracia e Ética e divulgada em junho, após a reunião do Conselho Permanente, por meio da qual os bispos afirmam crescer  “a indignação ética diante da violação de valores fundamentais para a sociedade” e urgir “uma reforma política profunda, para assegurar mais transparência, mais participação e melhor controle social do exercício do poder e do bom funcionamento das instituições”.

Ao ser questionado sobre a reforma partidária, dom Geraldo afirmou que a reforma política precisa considerar um leque mais amplo que a reforma partidária. “Quando falamos em reforma política, incluímos a reforma partidária, mas não restringimos a reforma política à partidária”, disse. 

CPMF

Sobre o debate da CPMF, o secretário-geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa afirmou que o questionamento que se faz é sobre a maneira como os impostos estão sendo aplicados. “Não se trata de dizer se somos contra ou a favor da CPMF, mas em que o imposto vai ser usado e como esse debate está acontecendo”, disse.

Padre Júlio Lancelloti

Indagado sobre o caso do padre Júlio Lancellotti, o presidente da CNBB disse que “a Conferência acompanha com muita tristeza as acusações feitas, de maneira leviana e irresponsável, a uma pessoa que vem há  longos anos dedicando-se à causa dos menores, pobres e moradores de ruas, colocando em risco sua própria vida”. Conforme dom Geraldo, a postura adotada pelo padre Lancelotti mexe com interesses que se opõem a uma ação em favor dos que estão à margem da sociedade. O arcebispo informou, também, que o Conselho Permanente redigiu uma carta de solidariedade ao padre.

CF e JMJ

A Presidência da CNBB informou aos jornalistas que, durante a reunião do Conselho Permanente, foram tratadas questões relativas às Campanhas da Fraternidade do próximo ano, Fraternidade e Defesa da Vida, e à de 2009, cujo tema é Segurança Pública. Dom Geraldo lembrou, ainda, as atividades realizadas pela Presidência da CNBB desde sua posse, em maio deste ano. Entre as principais destacam-se a visita do papa Bento XVI ao Brasil e a recente visita da Presidência da CNBB ao Santo Padre, no Vaticano.

Dom Dimas informou que, na audiência com o papa, a Presidência renovou o pedido para que o Brasil seja sede de uma das próximas Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ). Este pedido já havia sido feito a Bento XVI por ocasião de sua vinda ao Brasil já tendo sido encaminhado para  o Pontifício Conselho para o Laicato. “Temos que aguardar porque há outros países que também apresentaram o mesmo pedido”, esclareceu dom Dimas. Em julho do próximo ano, a JMJ acontecerá em Sidney, quando provavelmente será divulgada a sede do evento em 2011.

Episcopado venezulano

“Causou-nos muita estranheza a reação do presidente Chávez à exortação do episcopado venezuelano”, afirmou o presidente da CNBB.  “Se de um lado respeitamos a autodeterminação de cada um dos países e não nos sentimos no direito de intrometer nas questões internas, por outro lado, preocupa-nos quando estão em jogo valores éticos”, disse dom Geraldo. “Declaramo-nos solidários ao episcopado da Venezuela”, acrescentou. Na exortação da Conferência Episcopal da Venezuela, publicada na última sexta-feira, 19, os bispos daquele país criticaram as reformas à Constituição apresentadas pelo presidente Hugo Chávez. Os bispos afirmaram que as reformas propostas “são moralmente inaceitáveis à luz da Doutrina Social da Igreja”.

 
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