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A Família Humana e a Paz PDF Imprimir E-mail
Escrito por Dom Sinésio Bohn   
07-Jan-2008
ImageComo de costume, no início do ano, o Papa enviou aos povos sua mensagem de paz. Partiu da família, enquanto primeira forma de comunhão entre pessoas. Por analogia, estende o conceito de família aos habitantes da terra: é a família humana.
A humanidade não é uma simples agregação de vizinhos, vivendo uns ao lado dos outros, como por acaso. Mas assim como a família nasce do consenso generoso de seus membros, é preciso criar a consciência de que os seres humanos são chamados a formar a família humana comum.

Bento XVI afirma: “A família precisa de uma casa e dum ambiente onde tecer as próprias relações. No caso da família humana, esta casa é a Terra. Devemos cuidar do ambiente: este foi confiado ao ser humano para que o guarde e cultive com liberdade responsável, tendo sempre como critério orientador o bem de todos” (n° 7).

É fundamental “sentir” a terra como “nossa casa comum”. Importa amadurecer nas consciências a convicção da necessidade de colaborar responsavelmente. Os problemas são complexos e o tempo escasseia. É, portanto, necessário agir de comum acordo, evitando decisões unilaterais, mas intensificar o diálogo entre as nações.

Para a paz na família é necessário que assente sobre valores espirituais e éticos compartilhados. E a ninguém falte o necessário, evitando-se os excessos e o desperdício. O mesmo se diga da família humana. Além dos valores comuns, é preciso uma economia que corresponda ao bem comum de dimensões planetárias.

A família vive em paz se os seus membros aderem a uma norma comum, em coexistência harmoniosa. Também a comunidade internacional precisa de lei comum que proteja os Estados mais fracos contra a prepotência dos fortes.

A humanidade vive hoje grandes divisões e conflitos que ameaçam seu futuro. É só lembrar as armas nucleares, o Oriente Médio e o comércio de armas. As pessoas devem se mobilizar para a desmilitarização da terra, a começar pelas armas nucleares.

A família humana soube reagir aos horrores da II Guerra Mundial com a declaração dos direitos fundamentais dos indivíduos e dos povos pela ONU (Organização das Nações Unidas), em 1948. A Igreja Católica promoveu a Carta dos Direitos da Família (1983) e há quarenta anos celebra o Dia Mundial da Paz. Sempre no intuito de avivar a consciência de que todos os seres humanos pertencem à única família humana e todos se empenhem por uma paz verdadeira e duradoura. Todos os crentes em Deus implorem o dom da paz. Os cristãos se confiem à intercessão da Mãe comum pela salvação da humanidade inteira por graça do Filho encarnado de Deus.

* Dom Sinésio Bohn e bispo de Santa Cruz do Sul

 
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