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Apelo da Igreja contra pobreza na América Latina e no Caribe PDF Imprimir E-mail
Escrito por RV   
19-Mai-2008
”A situação geral na qual vivem os povos da América Latina é fortemente marcada pela pobreza, pela exclusão e pelo abismo crescente entre ricos e pobres.” É o que escrevem os bispos da América Latina e do Caribe na carta entregue ontem, sexta-feira, aos governantes reunidos em Lima na V Cúpula entre os 27 países da União Européia e 33 nações latino-americanas.

Ademais, tal situação bloqueia “a pequena produção agrícola, cria desemprego e instabilidade no âmbito de trabalho, não permite sistemas educacionais e de saúde pública adequados, gera violência e insegurança alimentar, provoca migrações e aumenta a deterioração do equilíbrio ecológico”, acrescentam os prelados.

O documento assinado pelas autoridades do CELAM (Conselho Episcopal Latino Americano) e da Igreja no Peru _ país anfitrião do encontro que se conclui neste sábado com a publicação da “Declaração de Lima” sobre pobreza e desenvolvimento sustentável _ foi entregue à chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e ao presidente do Parlamento Europeu, Hans-Gert Poettering.

Os bispos reiteram, com referência aos ensinamentos da Conferência de Aparecida, que nessa realidade “está em perigo não somente a coesão social, mas a própria estabilidade política do sistema democrático em diversas nações do continente”.

”Conscientes do fato que partilhamos os mesmos valores e princípios éticos, propomos uma agenda de trabalho co-responsável para buscar um modelo de desenvolvimento alternativo que seja integral e solidário”, explicam os bispos, que elencam depois algumas “condições” essenciais.

”É preciso subordinar o mercado a um núcleo de referência ético-cultural, como a dignidade do trabalho, os direitos dos migrantes e dos refugiados e as políticas sociais. São necessárias políticas de cooperação internacional capazes de reduzir as desigualdades e garantir, ao mesmo tempo, a paz social, na perspectiva da urgente erradicação das causas da pobreza.”

Concluindo, os signatários pedem a correção de algumas graves assimetrias nas relações comerciais bilaterais entre a União Européia e a América Latina, ressaltando a centralidade da pessoa humana também nas dinâmicas de troca de mercadorias, bens e serviços.
 
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