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Esta palavra, "diálogo", é comum, nos lares, empresas e Comunidades Eclesiais. Nunca se falou tanto em diálogo, e, dialoga-se tão pouco! Não critico o uso desta palavra, tantas vezes, entre nós. Acredito que pelo fato de falarmos muito em diálogo, e, mesmo, não sendo capazes de dialogar como gostaríamos, isto sinalize, pelos menos, um grande desejo de nosso coração. Precisamos tanto do diálogo como precisamos da água. Pois, este é o caminho natural de nossa realização como pessoa humana. A pessoa humana é essencialmente dialogal. Surgiu do diálogo Trinitário: "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança" (Gen.1,26)!
Evangelizar através do diálogo é, também, o caminho sábio e natural de todo aquele que acolheu a proposta de Jesus Cristo, o Comunicador do Amor do Pai para toda a humanidade. Deus agiu conosco, revelando-Se, paulatinamente, na história de um povo, até fazer-Se presente entre nós, como o Emmanuel, Deus conosco. Junto a nós, Ele continua o mesmo processo dialogal. Funda o Seu Novo Povo e o torna Seu Comunicador da Boa Notícia para toda a humanidade.
Mas, o que é dialogar? Como dialogar? Com quem dialogar?
Dialogar é tomar a iniciativa em direção do outro, abrir-se, aproximar-se para estabelecer Comunhão. Deus tomou iniciativa, desde a criação até a redenção. Sempre agiu e age primeiro. Jesus Cristo confiou à sua Igreja uma missão, e, lhe ensinou como exercer esta missão. Evangelizar dialogando! Dialogando com todos os povos e suas culturas. "Ide e proclamai o Evangelho a toda a criatura (Mc.16,15).
Como dialogar? A História da Igreja mostra-nos esse esforço de diálogo, com e nas diversas culturas. Diálogo que não tem sido fácil porque exige constante discernimento e decisões acertadas na maneira de nos aproximarmos das culturas, dialogarmos com elas para estabelecer comunhão, e, partir daí, proclamarmos a Novidade de Jesus Cristo, Evangelho que se manifesta, também, nos valores que já se encontram em cada cultura.
Como não posso e não devo ocupar um espaço muito grande aqui, mas, aconselho a quem desejar se aprofundar neste tema sobre o diálogo, que leia a carta "Ecclesiam Suam" de Paulo VI. Ali ele descreve, com unção, o caminho do diálogo. Escreve ele: "a religião é, de sua natureza, enlace entre Deus e o homem, e a oração exprime em diálogo esse enlace. A revelação, quer dizer a relação sobrenatural que Deus tomou a iniciativa de renovar com a humanidade podemo-la imaginar como diálogo, em que o Verbo de Deus se exprime a si mesmo na Encarnação e depois no Evangelho". (Ecclesiam Suam,n. 41)
Com quem dialogar? "Falando em geral desta posição de diálogo, que a Igreja católica deve hoje assumir com renovado fervor, queremos simplesmente indicar que ela deve estar pronta a manter contato com todos o homens de boa vontade, dentro e fora de seu âmbito próprio... a Igreja não ignora as dimensões formidáveis da sua missão; conhece a desproporção estatística dos seus membros com a totalidade dos habitantes da Terra; conhece o limite da suas forças; conhece as suas fraquezas humanas, os seus erros; sabe também que a aceitação do Evangelho não depende, em última análise, de algum esforço apostólico seu, de alguma circunstância favorável de ordem temporal. A fé é dom de Deus e só Deus marca no mundo os caminhos e as horas da salvação"!..." Tudo o que é humano nos diz respeito. Temos, de comum com a humanidade inteira a natureza, isto é, a vida, com os seus dons e problemas... Em qualquer esforço que o homem faça para compreender a si mesmo e ao mundo, pode contar com a nossa simpatia, onde quer que as assembléias dos povos se reúnam para determinar os direitos e os deveres do homem sentimo-nos honrados, quando nos permitem, tomando lugar nelas. Uma vez que existe no homem uma "alma naturalmente cristã", queremos honrá-la mostrando-lhe estima e dirigindo-lhe a palavra" (Ecclesiam Suam, n.54)
Sirvam estas citações de motivação para um aprofundamento do diálogo como meio de evangelização. Porém, o diálogo supõe que nos eduquemos para esta atitude em todos os níveis. Dialoguemos, pois, desde o nosso encontro pessoal com Deus, com a nossa família, até com aquelas culturas e pessoas que parecem estar bem distantes de nós. Nossa missão dialogal é, sobretudo, fazermo-nos próximos provocando e proclamando, através do diálogo, a descoberta da Boa Notícia.
+Dom Luiz Mancilha Vilela Arcebispo Coadjutor de Vitória
Disponibilizado no site da Arquidiocese de Vitória em nov/2003
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