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Guerra e paz PDF Imprimir E-mail
Escrito por Dom Murilo S.R. Krieger   
02-Fev-2004

Dom Murilo S.R. Krieger, scj
Arcebispo de Florianópolis

Quantas guerras há no mundo hoje? A) Nenhuma? B) 8? C) 41? Ponto para quem escolheu a última opção. É incrível, mas é a dura realidade. Vários guerras ou conflitos armados merecem, quando muito, uma pequena nota nos jornais. Nem aparecem nos noticiários das televisões. Mesmo assim, fazem sofrer, e muito. Não merecem grande destaque porque acontecem em países do Terceiro Mundo e, particularmente, nos continentes asiático e africano. Quem está preocupado, por exemplo, com a guerra na Uganda, desde 1995? Ou com a de Casamance, no Senegal, desde 1990? Ou com a do Sudão, desde 1983? Ao lado do número de mortos (números! São pessoas, são pais de família, são jovens...) é preciso lembrar os milhares de mutilados, as crianças que ficam órfãs e as multidões que morrem de fome nesses países destruídos.

Ao lado desses dados, há outros, não menos constrangedores: somente os Estados Unidos (37,7) e a Rússia (20,7) respondem por quase 60% das armas vendidas no mundo. França (8,3), Alemanha (5,0) e Inglaterra (4,8) por quase 20%. São países desenvolvidos (!), que respondem por quase 80% do armamento exportado, inclusive para países miseráveis. A Uganda, o Senegal e o Sudão, só para ficar nos três exemplos acima, não fabricam armas. Compram. Com isso, ficam mais pobres. E os países ricos – os tais fabricantes -, mais ricos.

Quase ao mesmo tempo em que a imprensa tornava públicos esses números, um Fórum Econômico Mundial, realizado em Genebra, Suíça, denunciava que tem aumentado o número de pobres na África, na Ásia e na América Latina. Um documento desse Fórum afirma que as “Metas do Milênio”, estabelecidas em 2000 pela ONU, e que deveriam levar à redução da pobreza, da fome e da falta de educação até 2015, estão ficando cada vez mais distantes da realidade. Pior: a população de vários países corre o risco de sofrer ainda mais, nos próximos anos, diante da falta de alimentos e da ajuda internacional.

Moral da história – melhor, dos números: ou globalizamos a solidariedade ou a paz mundial será um ideal cada vez mais distante. Haverá verdadeira paz quando a justiça for completada pela caridade.

Disponibilizado pela CNBB em 2/2/04

 
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