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RABÔNI, LADY E NICOLA. PDF Imprimir E-mail
Escrito por Silas   
14-Abr-2004
             
 
Acabei de ler o noticiário nacional e mundial, estou sentindo uma tristeza profunda. Alguma coisa que não sei ainda explicar, aperta meu coração. Transpassa meu pulmão igual lança certeira, vou escrevendo essas linhas enquanto presto atenção a essas sensações.
  
  
 
Percebo que havia prendido a respiração e faço algumas inspirações profundas, conforme aprendi que era bom. Minha cabeça está pesada, minhas costas tensas, meus ombros caídos. Fecho meus olhos por um instante, escuto o som do ventilador que ameniza o calor matinal do Rio de Janeiro. Penso em Jesus e nas multidões que o seguiam, bebendo na fonte, as palavras de solução. O cheiro da brisa marinha entranha nas minhas narinas e penso que lá também podia-se sentir o cheiro dos peixes.
 
O som de mais um e-mail chegando na minha caixa postal, me faz abrir os olhos. Que notícia trará desta vez? Mais guerra? Mais desencontros? Mais alienação? A campainha toca, é a faxineira que chega para mais um dia de trabalho. Vem limpar os objetos do mundo, mas a minha alma, quem limpará?Minha mente está poluída com tudo que li e vi, mas a vida rica em surpresas me traz uma luz no fim do túnel.
 
Não era a faxineira que tocava a campainha, era uma amiga que vinha acompanhada com sua amorosa cadela de nome Lady. Lady é a alegria em pessoa, ops, em animal, é ainda "criança", gosta de brincar com o gato aqui de casa, são os melhores amigos do mundo. Nicola, o gato, sempre tranqüilo, como os gatos adultos costumam ser, transforma-se com a presença de Lady, faz gracinhas, corre, vira de barriga para cima. Lady por sua vez, vai direto no prato de comida do Nicola, parece que prefere a comida do gato e ele não fica atrás, é só botar a ração da Lady que ele zás, saboreia a comida da amiga, com um ar de quem, se irmana em dividir o pão. Observo essa relação dos dois, tão natural, tão pura e penso no porquê dos aculturados humanos se estapearem ao primeiro revés. Medito em tudo que li , hoje e sempre. Concluo que temos muito à aprender com os animais irracionais.
 
Aprender sobre partilhar, sobre tolerância mútua, sobre respeito às diferenças alheias. Aprender a alegria do simples, à aceitação sem restrições do outro, do diferente, do co-irmão. Lembro da intolerância religiosa, que tantas vítimas tem feito ao longo dos séculos. Penso em João Paulo II, que hoje naturalmente cansado, devido aos pesados compromissos da Semana Santa ( não sei como ele agüenta, eu mesma não conseguiria enfrentar  um terço de sua maratona diária), não leu a reflexão das quartas-feiras, mas mesmo assim, não deixou de tomar a palavra para saudar aos fiéis presentes. Orgulho-me do esforço que o Chefe de nossa Igreja Católica faz, para alcançar o bem comum. Medito em suas palavras desta manhã: “Cristo triunfa sobre o mal e a morte”.
 
Este é um  verdadeiro raio de Luz a nos mostrar o Caminho, nosso Papa oferecendo a esperança de paz ao mundo de hoje,  Cristo Triunfante, Vivo, Presente. Meu corpo e minha mente agora se harmonizam instantaneamente, uma sensação de liberdade toma conta de mim, respiro ar puro, despoluído, transmutado. Esta certeza limpa minha alma. Inspiro as palavras inspiradas, um grito de alegria incontido sai de minha boca, Aleluia! Já não me sinto mais só, desamparada. Como Maria Madalena de outrora, hoje e sempre, abro os olhos,vejo e anuncio: Rabôni!
 
Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, 14 de abril de 2004.
Elisabete S.C.Garcia
 
 
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