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Gay pode comungar? PDF Imprimir E-mail
Escrito por Diácono Sérgio Fontes   
28-Set-2003

Um dia perguntei a um membro da diretoria do Grupo Gay da Bahia (GGB) o que ele me dizia a respeito dos homossexuais que se convertiam ao protestantismo e deixavam de ser homossexuais. Ele me respondeu na bucha:

-Não existe ex-anão!

-Como? – Pedi que me explicasse.

Continuou ele:

-Rapaz, para satisfazer a essa sociedade hipócrita algumas pessoas são capazes de tudo. Inclusive de renegar à própria homossexualidade. Esses que viram crentes e dizem que deixaram de ser homossexuais são mentirosos. Não existe ex-homossexual, tanto quanto não existe ex-anão. Entendeu?

Naturalmente foi uma maneira jocosa que o meu amigo encontrou para me responder. Nada obstante forneceu-me munição para meu ponto de vista de que o homossexualismo é, de fato, uma anomalia. Tanto quanto o nanismo. Ou não seria verdadeira a recíproca: não existe ex-anão, tanto quanto não existe ex-gay?

Se tal premissa for verdadeira, poder-se-ia afirmar também: se ser anão não é pecado, ser homossexual também não o é. Logo, o homossexual incorrerá em pecado nas mesmas circunstâncias que um anão. Como a ninguém é dado o direito de cometer pecados, poderíamos fazer a assertiva de modo universal: o homossexual incorre em pecado nas mesmas condições que as pessoas ditas normais.

Por exemplo: o pecado contra a castidade. Todo que pratica sexo fora do casamento, peca contra a castidade. Seja casado, seja solteiro. Destarte o pecado do homossexual é, independentemente do sexo com que ele se relaciona, um pecado contra a castidade.

Daí porque os homossexuais tanto anseiam e lutam para que a Igreja reconheça o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo. Ou seja (pensam eles), se o pecado está apenas em praticar o sexo sem ser casado, então eu me casando com meu companheiro (a) deixarei de estar em situação pecaminosa. Porém, a bem do bom senso e da verdade, a Igreja jamais poderá conceder status de sacramento a algo tão cristalinamente anti-natural, como é o fato de duas pessoas do mesmo sexo coabitarem.

A esse respeito há que se passar a palavra à Bíblia, à Ciência e à Igreja, para que todos possamos formar um juízo sobre controvérsia (aparentemente) tão complexa.

1.“... Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus”.(I Cor 6, 9)

Esta é apenas uma dentre várias passagens bíblicas que inclui o homossexualismo no rol dos pecados graves. Reconhecemos que São Paulo jogou pesado ao colocar no mesmo tacho pecados tão díspares, mas há que se contextualizar a citação, bem como entender o estado de espírito do apóstolo ao fazê-la.

Claro está, outrossim, que o sagrado autor considera o homossexualismo (os efeminados), no mínimo, como algo não natural.

2.A Ciência, seja a medicina ou a psicanálise, ainda não deu a última e definitiva palavra sobre o assunto homossexualismo. Várias hipóteses já se levantaram desde a explicação freudiana do complexo de Édipo mal resolvido: a explicação do hipotálamo, a do cromossoma “x” (ou y) extra, a da predisposição orgânica, até a estúpida justificativa de que se trata de uma “orientação sexual”.

(A ser “orientação”, o paralelismo com o anão seria definitivamente inválido, pois orientação se muda: hoje eu prefiro loiras, amanhã posso preferir morenas; hoje alguém que prefere meninos, amanhã poderá preferir meninas).

Não somos, portanto, obrigados a aceitar tais hipóteses, nem às engolir enquanto não virem acompanhadas de experiências científicas consistentes e forem fruto de estudos de instituições com credibilidade internacional.

3. Ante tal polêmica, nada como pedir a opinião de quem está na estrada há milênios. Ouçamos, pois, a Igreja Católica.

No CIC (Catecismo da Igreja Católica), nos números 2357 a 2359 achamos colocações nas quais os plantonistas do preconceito não acreditariam. Citemo-las:

1.Enquanto a Sagrada Escritura (Bíblia) “apresenta como depravações graves” os atos homossexuais, a tradição (leia-se Igreja), bem mais light, declara-os como “intrinsecamente desordenados”. Ainda assim, reconhece que “sua gênese psíquica continua amplamente inexplicada”;

2.No parágrafo seguinte o CIC registra que “Um número não negligenciável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais inatas (i. é, congênitas). Não são eles que escolhem sua condição homossexual”. Convenhamos que esta colocação constitui um salto astronômico (a favor dos gays) em relação à posição da lei mosaica;

3.Sensível ao dilema interior desses homens e mulheres, acrescenta a Igreja no seu Catecismo, que a condição de homossexual “constitui uma provação. Devem (os homossexuais) ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta”;

4.Conclui o Catecismo fazendo um apelo que bem poderia ser estendido a todos os seres humanos: “As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes do autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã”.

Castidade, autodomínio, liberdade interior, amizade desinteressada, oração e graça sacramental levam à perfeição cristã este que escreve, você que nos lê e a todos que se consideram pecadores. Não somente aos homossexuais.

Nisso estamos todos nivelados: adúlteros, efeminados, devassos, ladrões, avarentos, bêbados, difamadores, assaltantes (v. citação acima) e mais aqueles que o apóstolo não citou, por esquecimento ou falta de tinta: assassinos, corruptos, traidores, grileiros, traficantes, etc. e por aí vai.

Em síntese, estando o homossexual em estado de graça ou, melhor dizendo, não tendo pecado grave a acusar-lhe a consciência pode e deve aproximar-se da Mesa Eucarística, como qualquer outra pessoa. Caso contrário, deve antes receber o sacramento da Reconciliação (ou Confissão) – Deus é amor e a tudo perdoa.

Cumpridas essas tão pouco severas condições podemos responder com toda serenidade: sim, gay pode comungar!

Diác. Sérgio Fontes

 
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