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Este trabalho tem o objetivo
único de passar algumas idéias que possam auxiliar o leitor na reflexão de
trechos bíblicos, enriquecendo a compreensão e o sentimento envolvidos na
Palavra de Deus.
Todos nós sabemos que Deus fala
ao coração através do seu Espírito Santo. Durante a meditação de um trecho das
Sagradas Escrituras isto também acontece, pois o Espírito vem em socorro à nossa
falta de compreensão das coisas do alto e à nossa falta de fé. Mas nós podemos e
devemos, no plano mental, buscar entender, saborear e maravilhar-se com os
ensinamentos divinos. É justamente este ponto, o ¨buscar¨, que se quer detalhar
e enriquecer.
Este trabalho é de uso livre, não
possuindo qualquer direito autoral. Sendo assim, é autorizada sua reprodução por
qualquer meio conhecido bem como alterações de conteúdo que corrijam eventuais
falhas ou que melhorem, de alguma forma, a exposição de idéias para alcançar com
mais acerto o objetivo proposto.
Airton Meireles de
Castro
(paroquiano do Santuário de Santo
Antonio de Pádua, Caçapava – SP)
ONDE FAZER A
REFLEXÃO?
Sem dúvida alguma, o melhor local
para se fazer a reflexão é onde exista silêncio. O silêncio ajuda a concentração
e a interiorização. Uma música instrumental em volume baixo, ao fundo, pode
também ajudar neste aspecto. O importante é que nossa mente não desvie sua
atenção para nada além da meditação que queremos fazer. Neste sentido, não só o
silêncio é grande aliado mas também os objetos e cores que se encontram no
local. Quanto menos objetos e cores diferentes, melhor.
QUE BÍBLIA UTILIZAR?
Se você é católico, utilize uma
bíblia católica, identificada facilmente em suas primeiras páginas pela
recomendação ou aprovação do bispo de alguma diocese. A bíblia protestante tem
diferenças no Antigo Testamento se comparada com a católica (esta possui 73
livros, 7 a mais que aquela, pois os protestantes não os consideram de
inspiração divina).
Outro ponto : procure uma bíblia
que tenha uma linguagem mais fácil de entendimento. Nos últimos
tempos, têm saído publicações que
se preocupam com isto. Peça a ajuda de algum entendido neste assunto (o padre de
sua paróquia, o líder de seu grupo de oração, a editora que você conhece e gosta
de seus livros, etc).
COMO FAZER A LEITURA?
Se a reflexão é individual, o
trecho bíblico pode ser lido duas vezes, assim : após a primeira leitura, fazer
uma reflexão bem geral (de que assunto trata o texto, qual parece ser a mensagem
principal, a quem se destina a mensagem, etc); e, depois da segunda leitura,
fazer uma reflexão profunda partindo dos pontos captados na primeira leitura.
Se a reflexão é coletiva, o
trecho bíblico deve ser lido apenas uma vez e, de preferência, por alguém que
possua as qualidades de um bom leitor (boa dicção, voz forte e velocidade média
na leitura).
DEVE HAVER UMA PREPARAÇÃO
ESPIRITUAL?
Antes de iniciar a leitura do
texto bíblico, é importante fazer o sinal da cruz e rezar uma oração, mesmo que
curta, invocando o Espírito Santo para que Ele nos ajude no entendimento do
texto, toque nosso coração para despertar nele a essência do Amor que lá reside
e, ao mesmo tempo, que Ele afaste de nós qualquer pensamento ou ato que possa
nos distrair durante a meditação.
Para este propósito, uma oração
bem conhecida é esta :
¨Vide, Espírito Santo, enchei os
corações de vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso Amor.
Enviai o vosso Espírito e tudo será criado e
renovareis a face da Terra. Oremos : Deus, que instruístes os corações de vossos
fiéis com as luzes do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as
coisas, segundo o mesmo Espírito. Por Cristo, Senhor nosso.
Amém.¨
IDÉIAS
- Aplicar os pré-conhecimentos
históricos
Sabendo-se que a Bíblia foi escrita por
partes, entre alguns séculos antes de Cristo e até um século
após Ele, ter conhecimento de como eram
os usos e costumes da época em que os relatos foram
escritos é, sem dúvida, um item forte de
ajuda na compreensão destes textos. Há, nas livrarias e nas
bibliotecas, muitas literaturas que
abordam estes temas, como : a Antiga Palestina (mapas,
geografia, costumes do povo, etc), as
crenças dos antigos judeus (rituais, costumes, etc), moedas e
unidades de medida no tempo de Cristo, e
assim por diante. Em muitas bíblias, há comentários e
explicações sobre estes temas, o que
pode e deve ser utilizado como pré-conhecimento na
meditação da Palavra de Deus. Exemplo de
pré-conhecimento : na época de Jesus não existiam
cédulas; estas eram algumas moedas da
região :
- Talento : era a de mais alto valor.
Comparada com outras moedas, ela valia,
aproximadamente, 60 minas ou 1500
pratas romanas ou 6000 dracmas (também chamados
denários).
- Dracma (denário) : era a de menor
valor. Correspondia ao salário de um operário após um
dia de trabalho.
Texto bíblico (Mt 18, 23-35)
:
¨Por isso o reino dos céus é comparado a
um rei que quis tomar contas a seus servos;
e, tendo começado a tomá-las, foi-lhe
apresentado um que lhe devia dez mil talentos;
mas não tendo ele com que pagar, ordenou
seu senhor que fossem vendidos, ele, sua mulher,
seus filhos, e tudo o que tinha, e que se
pagasse a dívida. Então aquele servo, prostrando-se,
o reverenciava, dizendo: Senhor, tem
paciência comigo, que tudo te pagarei. O senhor
daquele servo, pois, movido de compaixão,
soltou-o, e perdoou-lhe a dívida. Saindo, porém,
aquele servo, encontrou um dos seus
companheiros, que lhe devia cem denários; e,
segurando-o, o sufocava, dizendo: Paga o
que me deves. Então o seu companheiro, caindo-
lhe aos pés, rogava-lhe, dizendo: Tem
paciência comigo, que te pagarei. Ele, porém, não quis;
mandou encerrá-lo na prisão, até que
pagasse a dívida. Vendo, pois, os seus companheiros o
que acontecera, ficaram penalizados e
foram revelar tudo isso ao seu senhor. Então o seu
senhor, chamando-o á sua presença,
disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida,
porque me suplicaste; não devias tu
também ter compaixão do teu companheiro, assim como
eu tive compaixão de ti? E, indignado, o
seu senhor o entregou aos carrascos, até que
pagasse tudo o que lhe devia. Assim vos
fará meu Pai celestial, se de coração não
perdoardes, cada um a seu
irmão.
Entendimento do texto :
Entende-se, facilmente, a mensagem
principal deste texto : como Deus perdoa as nossas
faltas, assim devemos também nós
perdoarmos os que falham conosco. Aplicando o pré-
conhecimento das moedas existentes na
época de Jesus (um talento valia 6000 denários),
entendemos que o senhor perdoou seu servo
em uma dívida de 60 milhões de denários (uma
verdadeira fortuna) enquanto que este,
por sua vez, não quis perdoar a quem lhe devia
apenas 100 denários. A dimensão dos
valores envolvidos no texto nos dá a compreensão
exata do quanto o senhor foi bom e do
quanto seu servo foi mau.
- Fazer uma imagem real do fato
descrito no texto
Procurar formar uma imagem real do fato
descrito no texto, dando à nossa mente uma fotografia do
relato. Esta imagem que então se forma
em nossa mente nos dá muitos elementos para a reflexão,
frutos dos detalhes que a imagem nos
transmite.
Texto bíblico (Lc 10, 30-35)
:
¨Jesus, prosseguindo, disse: Um homem
descia de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos de
salteadores, os quais o despojaram e,
espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.
Casualmente, descia pelo mesmo caminho
certo sacerdote; e, vendo-o, passou adiante. De
igual modo também um levita chegou àquele
lugar, viu-o, e passou de lado. Mas um
samaritano, que ia de viagem, chegou
perto dele e, vendo-o, encheu-se de compaixão; e,
aproximando-se, atou-lhe as feridas,
deitando nelas azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua
montaria, levou-o para uma estalagem e
cuidou dele. No dia seguinte tirou dois denários,
deu-os ao hospedeiro e disse-lhe: Cuida
dele; e tudo o que gastares a mais, eu te pagarei
quando voltar.¨
Entendimento do texto :
Pode-se imaginar : a vítima, um homem
bastante ferido, sangrando pelo rosto, com alguns
cortes, dores por todo o corpo e a roupa
rasgada e suja, pois foi espancado por mais de um
ladrão e certamente tentou impedir que
levassem seus pertences; o sacerdote e o levita,
trajando vestimentas nobres; o
samaritano, com lágrimas nos olhos ao ver aquele pobre
homem ferido, que deu-lhe os primeiros
socorros ali mesmo, naquele lugar, levando-o depois
para uma hospedaria para que lá
recuperasse plenamente a saúde; e o dono da hospedaria,
que certamente perguntou ao samaritano
quem era o tal homem ferido e, sem dúvida,
espantou-se com a resposta de que
tratava-se de um estranho.
- Reparar nas mensagens por trás
dos detalhes que cercam o texto
Muitas vezes um texto bíblico, além do
ensinamento principal que quer transmitir, traz várias outras
mensagens que estão ¨escondidas¨ nos detalhes envolvidos no texto, como
estes : local onde se
passa a ação (templo, praça, cidade,
etc), pessoas ou tipos de pessoas que estão presentes
(fariseus, cegos, povo em geral,
autoridades, estrangeiros, etc), distâncias citadas (longe ou perto)
ou valores citados (muito ou pouco). Ao
analisar estes detalhes deve-se ter em mente a realidade do
tempo, usos e costumes relativos à
ação.
Texto bíblico (Lc 16, 19-31) :
¨Ora, havia um homem rico que se vestia
de púrpura e de linho finíssimo, e todos os dias se
banqueteava esplendidamente. Ao seu
portão fora deitado um mendigo, chamado Lázaro,
todo coberto de feridas; o qual desejava
alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do
rico; e os próprios cães vinham
lamber-lhe as feridas. Veio a morrer o mendigo, e foi levado
pelos anjos para o seio de Abraão; morreu
também o rico, e foi sepultado. No inferno, ergueu
os olhos, estando em tormentos, e viu ao
longe a Abraão, e a Lázaro no seu seio. E,
clamando, disse : Pai Abraão, tem
misericórdia de mim, e envia-me Lázaro, para que molhe
na água a ponta do dedo e me refresque a
língua, porque estou atormentado nesta chama.
Disse, porém, Abraão : Filho, lembra-te
de que em tua vida recebeste os teus bens, e Lázaro
de igual modo os males; agora, porém, ele
aqui é consolado, e tu atormentado. E além disso,
entre nós e vós está posto um grande
abismo, de sorte que os que quisessem passar daqui
para vós não poderiam, nem os de lá
passar para nós. Disse ele então : Rogo-te, pois, ó pai,
que o mandes à casa de meu pai, porque
tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a
fim de que não venham eles também para
este lugar de tormento. Disse-lhe Abraão : Eles têm
Moisés e os profetas; ouçam-nos.
Respondeu ele: Não! pai Abraão; mas, se alguém dentre os
mortos for ter com eles, hão de se
arrepender. Abraão, porém, lhe disse : Se não ouvem a
Moisés e aos profetas, tampouco
acreditarão, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.¨
Entendimento do texto :
A mensagem central deste texto é esta : a
vida que levamos aqui na Terra condiciona o local
para o qual iremos após a nossa morte
(uma vida de fé e amor nos levará ao céu enquanto
que uma vida só de prazeres e luxo no
conduzirá ao inferno). Mas percebemos que há outras
mensagens paralelas que também podemos
tirar deste mesmo texto. Tais mensagens estão
como que ¨escondidas¨ ou ¨camufladas¨,
pois não fazem parte da idéia central do texto, mas
nos transmitem ensinamentos importantes.
Eis algumas destas mensagens : 1)O simples fato
de ser rico não condena ninguém ao
inferno mas sim o apego a ele (no texto, era um homem
rico que não se importava com ninguém,
vivendo apenas para seus prazeres, a julgar pelas
roupas que usava e pelos banquetes
diários); 2)No dia do julgamento final, o justo será
premiado enquanto o maldoso será
castigado (o texto não diz que o pobre era uma pessoa
justa mas supõe isto em dois momentos :
quando o pobre é citado pelo nome (Lázaro), o que
não acontece com o rico; e quando, ao
falar de sua morte, diz que o pobre fora levado pelos
anjos para o seio de Abraão, enquanto que
o rico foi sepultado); 3)Na vida eterna, os
conceitos e princípios humanos não terão
valor algum (no texto, o rico pede a Abraão que
envie Lázaro a ele e aos seus irmão, numa
clara atitude de superioridade pois se julgava
melhor que Lázaro, já que tivera mais
riquezas que ele); 4)Abraão nos deixa um ensinamento
importante : céu ou inferno, uma destas
será a morada definitiva do Homem. Uma vez estando
num destes lugares, será impossível
passar para o outro lugar, o que será uma grande
garantia para os bons e um imenso
tormento para os maus; 5)Mesmo sendo má, uma pessoa
pode ter atitudes nobres, como o rico que
pediu a Abraão para ajudar aos seus
irmãos (até
com certa insistência); 6)Outro
ensinamento de Abraão : a mensagem da salvação e da fé em
Deus é proclamada por pessoas e por
escritos sagrados, não havendo nenhuma necessidade
de qualquer outro meio para que a
humanidade se arrependa de seus pecados e tome o
caminho do bem.
- Reparar nos números
referenciados pelo texto
Existe um pré-conhecimento muito útil a
respeito dos números utilizados nas Sagradas Escrituras,
baseado no modo de pensar do Oriente
antigo : o número 3 representa a confirmação (no Antigo
Testamento, dizia-se que o testemunho de
3 pessoas era suficiente para atestar uma verdade;
lembrando aqui que Deus são 3 pessoas);
o 7 representa o infinito, uma quantidade que não pode
ser medida (lembrando aqui as palavras
de Cristo : ¨Perdoar até 70 vezes 7¨); o 12 representa o
número perfeito, a quantidade ótima de
alguma coisa (lembrando aqui os 12 apóstolos). Este pré-
conhecimento estende-se também aos
múltiplos destes números (lembrando aqui as 144 mil
pessoas (12 vezes 12000) que passaram
pela Grande Tribulação da qual nos fala o Apocalipse). Ao
fazer a meditação do texto bíblico será
interessante trocar o número lido por seu significado.
Texto bíblico (Ap 21, 10-17) :
¨E levou-me em espírito a um grande e
alto monte, e mostrou-me a santa cidade de
Jerusalém, que descia do céu da parte de
Deus, tendo a glória de Deus; e o seu brilho era
semelhante a uma pedra preciosíssima,
como se fosse jaspe cristalino; e tinha um grande e
alto muro com doze portas, e nas portas
doze anjos, e nomes escritos sobre elas, que são os
nomes das doze tribos dos filhos de
Israel. Ao oriente havia três portas, ao norte três portas,
ao sul três portas, e ao ocidente três
portas. O muro da cidade tinha doze fundamentos, e
neles estavam os nomes dos doze apóstolos
do Cordeiro. E aquele que falava comigo tinha
por medida uma cana de ouro, para medir a
cidade, as suas portas e o seu muro. A cidade era
quadrangular; e o seu comprimento era
igual à sua largura. E mediu a cidade com a cana e
tinha ela doze mil estádios; e o seu
cumprimento, largura e altura eram iguais. Também mediu
o seu muro, e era de cento e quarenta e
quatro côvados, segundo a medida de homem, isto é,
de anjo.¨
Entendimento do texto :
A Jerusalém celeste compreende : um muro
de 144 côvados (12 vezes 12), com 12 portas, 12
anjos, 12 inscrições com os nomes das 12
tribos de Israel, e construído sobre 12 fundamentos
(alicerces) nos quais há 12 inscrições
com os nomes dos 12 apóstolos de Cristo; e a cidade,
com 12 mil estádios de cumprimento, 12
mil estádios de largura e 12 mil estádios de altura.
Fica clara a mensagem, usando a
simbologia do número 12 : a Jerusalem celeste é um local
perfeito, com dimensões perfeitas e onde
tudo é perfeito, pois desceu do céu da parte de Deus
e tem a glória de Deus, que é perfeito.
- Reparar na sequência em que a
ação, palavra ou frase é relatada no texto
Quando no texto há uma sequência de
ações, palavras ou frases é interessante reparar na ordem
utilizada nesta escrita. Muitas vezes, a
sequência apresentada nos ensina a ordem de grandeza,
importância ou santidade daquilo que
está sendo exposto e nos dá pontos fortes para nossa
reflexão.
Texto bíblico (Mt 2, 7-11)
:
¨Então Herodes chamou secretamente os
magos, e deles inquiriu com precisão acerca do
tempo em que a estrela aparecera; e
enviando-os a Belém, disse-lhes: Ide, e perguntai
cuidadosamente pelo menino; e, quando o
achardes, comunicai-me, para que também eu vá e
o adore. Tendo eles, pois, ouvido o rei,
partiram; e eis que a estrela que tinham visto quando
no oriente ia adiante deles, até que,
chegando, se deteve sobre o lugar onde estava o menino.
Ao verem eles a estrela, regozijaram-se
com grande alegria. E entrando na casa, viram o
menino com Maria sua mãe e,
prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros,
ofertaram-lhe dádivas: ouro incenso e
mirra.¨
Entendimento do texto :
É interessante notar que os primeiros
atos dos magos ao avistarem o menino Jesus foram de
prostração e adoração. A lição que isto
nos dá é esta : quando nos colocamos diante de Deus
para orarmos, nossa primeira atitude deve
ser a prostração, em sinal de reconhecimento e
respeito à Sua grandeza, e depois a
adoração, na qual nossa mente, coração e espírito
louvam a Deus por tudo que Ele é e por
tudo que faz. Atitude idêntica devemos ter ao
adentrarmos numa igreja, pois Cristo está
lá no sacrário, e também ao recebermos a
Eucaristia, quando o próprio Cristo
penetra a nossa alma. Voltando ao texto bíblico, após a
prostração e adoração, só então os magos
ofertaram seus presentes ao menino Jesus. No
nosso caso, somente depois de nos
prostrarmos e adorarmos a Deus é que devemos oferecer
a Ele nossos pedidos, lamentos e
necessidades.
- Reparar na quantidade de vezes
em que uma palavra aparece no texto
A repetição de uma palavra no texto é um
recurso que seu autor pode ter usado para chamar a
atenção do leitor para esta palavra ou
para aquilo que ela significa. Este destaque pode nos ensinar
algo e, assim, enriquecer nossa
meditação.
Texto bíblico (Mt 5, 1-12)
:
¨Jesus, pois, vendo as multidões, subiu
ao monte; e, tendo se assentado, aproximaram-se os
seus discípulos, e ele se pôs a
ensiná-los, dizendo: Bem-aventurados os humildes de espírito,
porque deles é o reino dos céus.
Bem-aventurados os que choram, porque eles serão
consolados. Bem-aventurados os mansos,
porque eles herdarão a terra. Bem-aventurados os
que têm fome e sede de justiça porque
eles serão saciados. Bem-aventurados os
misericordiosos, porque eles alcançarão
misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração,
porque eles verão a Deus. Bem-aventurados
os pacificadores, porque eles serão chamados
filhos de Deus. Bem-aventurados os que
são perseguidos por causa da justiça, porque deles é
o reino dos céus. Bem-aventurados sois
vós, quando vos injuriarem e perseguiram e,
mentindo, disserem todo mal contra vós
por minha causa. Alegrai-vos e exultai, porque é
grande a vossa recompensa nos céus;
porque assim perseguiram aos profetas que foram
antes de vós.¨
Entendimento do texto :
Devido à muita repetição da palavra
¨bem-aventurado¨, sem dúvida alguma há uma ordem
implícita de Cristo a todos nós :
tornem-se bem-aventurados, através da busca da humildade,
mansidão, justiça, misericórdia, pureza e
paz.
- Substituir a palavra-chave do
texto por outra sinônima
Algumas vezes, substituir a
palavra-chave do texto por outra semelhante nos dá uma visão mais
clara e ampla do significado do texto.
Palavra-chave é aquela palavra central que referencia o objeto,
a pessoa, o fato ou a ação mais
importante relata no texto. Essa prática de substituição será ainda
mais válida e benéfica se o texto
bíblico contiver alguma palavra de uso pouco comum na língua
portuguesa, mesmo não sendo ela a
palavra-chave (lembrando aqui algumas versões que
empregam o termo ¨Paráclito¨ no trecho em que Cristo nos promete
enviar seu Espírito Santo).
Texto bíblico (1Cor13, 4-8
)
¨O amor é paciente, é bondoso; o amor não
é invejoso; o amor não se vangloria, não se
ensoberbece, não faz o que é
inconveniente, não busca os seus próprios interesses, não se
irrita, não suspeita mal; não se alegra
com a injustiça, mas se regozija com a verdade; ele tudo
sofre, tudo crê, tudo espera, tudo
suporta. O amor jamais acaba.¨
Entendimento do texto :
Sem dúvida, este é um dos escritos mais
lindos já produzidos a respeito do amor. Mas
podemos ampliar o seu significado,
trocando a palavra ¨amor¨ do texto por ¨Deus¨. Então
leremos assim :
¨Deus é paciente, é bondoso; Deus não é
invejoso; Deus não se vangloria, não se
ensoberbece, não faz o que é
inconveniente, não busca os seus próprios interesses, não se
irrita, não suspeita mal; não se alegra
com a injustiça, mas se regozija com a verdade; Ele
tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo
suporta. Deus jamais acaba.¨
Feita esta leitura, constatamos que, não
somente entendemos melhor o que é o amor, mas
também temos uma imagem mais real de quem
é Deus.
Podemos fazer ainda uma outra troca : no
lugar da palavra ¨amor¨ coloquemos o nosso nome.
Lendo desta nova forma teremos uma noção
se estamos ou não agindo conforme o
mandamento do amor.
- Trazer a ação e a situação do
texto para os dias atuais
Como muitos fatos relatados nos textos
bíblicos não fazem parte da nossa realidade de hoje, é
interessante ¨adaptar¨ ou ¨atualizar¨
estes fatos para uma melhor compreensão. Meditar sobre um
fato que já presenciamos ou já ouvimos
dizer dá-nos mais elementos para a reflexão.
Texto bíblico (Mt 8, 28-34 e Mt 9, 1)
:
¨Tendo ele (Jesus) chegado ao outro lado,
à terra dos gadarenos, saíram-lhe ao encontro dois
possessos, vindos dos sepulcros; tão
ferozes eram que ninguém podia passar por aquele
caminho. E eis que gritaram, dizendo: Que
temos nós contigo, Filho de Deus? Vieste
aqui atormentar-nos antes do tempo? Ora,
a alguma distância deles, andava pastando uma
grande manada de porcos. E os demônios
rogavam-lhe, dizendo: Se nos expulsas, manda-
nos entrar naquela manada de porcos.
Disse-lhes Jesus: Ide. Então saíram, e entraram nos
porcos; e eis que toda a manada se
precipitou pelo despenhadeiro no mar, perecendo nas
águas. Os pastores fugiram e, chegando à
cidade, divulgaram todas estas coisas, e o que
acontecera aos possessos. E eis que toda
a cidade saiu ao encontro de Jesus; e, vendo-o,
rogaram-lhe que se retirasse do seu
território. E entrando Jesus num barco, passou para o
outro lado, e retornou à sua própria
cidade.¨
Entendimento do texto :
Jesus ordenou aos demônios que se
retirassem daquelas duas pessoas. A cidade, ao invés
de se alegrar porque aquelas pessoas
ficaram livres da possessão dos demônios, lamentou o
fato de perder a manada de porcos. Para
eles, o valor material dos porcos foi mais importante
que a recuperação das duas pessoas. Nos
dias atuais, quantas situações vemos exatamente
iguais a esta, em que coisas, status e
aparências são mais valorizadas que a vida humana.
Alguns exemplos disto : falsificação de
medicamento (obter dinheiro com a ruína da saúde de
alguém), trabalho infantil (obter lucro
através do serviço de quem nem adolescente é ainda) e
assassinato por motivo fútil (como, por
exemplo, tirar a vida de alguém porque este causou um
pequeno dano à sua propriedade).
- Perguntar a si mesmo : eu faria
isto que o texto descreve?
Uma boa maneira de trazer o texto
bíblico para a minha realidade pessoal, quando ele descreve uma
tomada de decisão ou de ação, é
perguntar ao próprio íntimo : se fosse eu nesta situação, faria isto?
quero fazer isto agora? A resposta virá,
inevitavelmente, e trará muitos elementos para a reflexão da
Palavra de Deus. A comparação entre o
que descreve o texto e a resposta de meu íntimo servirá
também de termômetro para eu saber se
estou agindo de acordo com os ensinamentos do Pai e, se
não estou, conhecer o motivo
disso.
Texto bíblico (Lc 19, 1-9)
:
¨Tendo Jesus entrado em Jericó, ia
atravessando a cidade. Havia ali um homem chamado
Zaqueu, o qual era chefe dos recebedores
de impostos e era rico. Este procurava ver quem
era Jesus, e não podia, por causa da
multidão, porque era de pequena estatura. E, correndo
adiante, subiu a um sicômoro (espécie de
árvore) a fim de vê-lo, porque havia de passar por
ali. Quando Jesus chegou àquele lugar,
olhou para cima e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa;
porque hoje eu fico em tua casa. Desceu, pois, a toda a pressa, e o
recebeu com alegria. Ao
verem isso, todos murmuravam, dizendo:
Entrou para ser hóspede de um homem pecador.
Zaqueu, porém, levantando-se, disse ao
Senhor : Senhor, dou aos pobres metade dos meus
bens; e se em alguma coisa tenho
defraudado alguém, eu lhe restituo quadruplicado. Disse-
lhe Jesus: Hoje veio a salvação a esta
casa, porquanto também este é filho de Abraão.¨
Entendimento do texto :
São muito admiráveis as três atitudes de
Zaqueu : o esforço que fez para ver Jesus, a
repartição de metade de seus bens e a
restituição com grande lucro a alguém que ele tenha
tirado algum dinheiro ilicitamente. E eu,
faria estas coisas? Faço isto? Zaqueu fez um esforço
para conseguir ver Jesus. E eu? Me
esforço para ver Jesus? Sei que Ele está na igreja, no
sacrário e na Eucaristia, além do
coração. Procuro vê-Lo e senti-Lo através da participação da
missa, da visita ao sacrário ou da
comunhão? Tenho contato com Ele através da minha
oração pessoal? Zaqueu destinava a metade
de seus bens aos pobres. E eu? Sinto as
carências dos outros e procuro ajudá-los?
Dou esmola com frequência? Sou capaz de negar
um prato de comida ou um simples copo de
água? Zaqueu também restituia quatro vezes
mais o dinheiro que, porventura, tivesse
tirado indevidamente de alguém. E eu? Qual foi a
última vez que eu disse ¨Desculpe-me¨, ¨Sinto muito¨ ou
¨Perdoa-me¨? Tenho procurado
corrigir os erros que cometo com meu
próximo? Dou a eles algum tipo de compensação por
ter falhado com eles?
RESUMO DAS IDÉIAS
- Aplicar os pré-conhecimentos
históricos
- Fazer uma imagem real do fato
descrito no texto
- Reparar nas mensagens por trás
dos detalhes que cercam o texto
- Reparar nos números
referenciados pelo texto
- Reparar na sequência em que a
ação, palavra ou frase é relatada no texto
- Reparar na quantidade de vezes
em que uma palavra aparece no texto
- Substituir a palavra-chave do
texto por outra sinônima
- Trazer a ação e a situação do
texto para os dias atuais
- Perguntar a si mesmo : eu faria
isto que o texto descreve?
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