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O Código da Bíblia PDF Imprimir E-mail
Escrito por Elbson   
31-Mai-2003

No melhor estilo "Matrix", o famoso Código da Bíblia sugere que tudo o que consideramos realidade e fato estaria contido sob forma codificada na Bíblia, mais especificamente na Torá judaica ou Pentateuco cristão. Presente, passado e futuro estariam emealhados nas muitas combinações de letras possíveis dentro das escrituras, como se sob a mensagem visível da palavra de Deus, houvesse ainda outra, oculta, a ser descoberta quando o homem tivesse acesso a uma tecnologia capaz de revelá-la, o computador.

O código da Bíblia, livro de Michael Drosnin, publicado pela primeira vez em 1997, provocou frisson quando lançado, o autor, em seu livro afirmava provar que a partir de combinações feitas em computador a partir dos textos hebraicos das escrituras, era possível ver confirmados vários fatos do passado como a 2º guerra mundial, a guerra do golfo, a queda de Richad Nixon, e o mais alarmante, mensagens a respeito do futuro da humanidade, por sinal essas ultimas bastante alarmantes, mas que falharam fragorosamente em seu carro-chefe, o fim do mundo no ano 2000. Guerra mundial, holocausto atômico e outras calamidades eram previstas. Talvez graças a esse alarmismo milenarista o livro tenha se tornado um best seller mundial no seu lançamento.

O Método

O sistema baseia-se na contagem das palavras e espaços entre palavras, formando padrões codificados. As estatísticas são calculadas automaticamente por computador que registra as combinações entre palavras fazendo os testes da proximidade e dos intervalos, que permitem tirar conclusões.

Mas a idéia não é nova, Eli Rips, o judeu que descobriu este código afirma: "A regra é que tudo o que existiu, existe e existirá até ao fim dos tempos está escrito na Torá (A Lei), da primeira à última palavra. E não apenas em termos gerais, mas até ao particular de cada raça e de cada pessoa individualmente, com pormenores dos pormenores de tudo o que lhe aconteceu desde o nascimento à morte".

Decodificando o Código

Desde seu lançamento, o Código da Bíblia foi rechaçado com facilidade, vários pesquisadores ao redor do mundo, utilizando o mesmo método conseguiram extrair fatos históricos de vários outros livros.

No turbilhão das críticas, o fato mais relevante ficou conhecido como "o código de Moby Dick". Drosnin desafiou os críticos a encontrarem no clássico Moby Dick (escrito em 1858) o assassinato de um primeiro ministro ou o assassinato de algum outro líder de relevância histórica utilizando exatamente o mesmo programa de computador. A intenção de Drosnin era desacreditar os críticos ao sugerir uma obra de ficção, já que os referidos críticos (entre eles vários exegetas católicos, protestantes e até judeus) afirmavam que tais coincidências poderiam ser encontradas em qualquer livro, desde que houvesse a intenção de encontrar determinadas mensagens.

O desafio talvez tenha sido formulado de forma impensada pelo fato de Drosnin ter sugerido uma obra volumosa como objeto da pesquisa, justamente os livros nos quais mais facilmente é possível encontrar tais coincidências. Como resultado foi encontrado o assassinato de Indira Ghandi, mas os críticos ainda ofereceram a Drosnin os registros sobre a morte de Martin Luther King, JFK e Abraham Lincoln. O autor preferiu o silêncio e continuou a contabilizar os lucros de seu livro. Pois nem mesmo a revelação de fatos dessa ordem alteraram o apetite do público pelo fantasioso vendido como verdade científica e religiosa.

Até mesmo o próprio livro de Drosnin provou de seu próprio veneno, veja abaixo a mensagem encontrada no texto do livro O Código da Bíblia:

* "The code is evil" - o código é mau - por essa seu autor realmente não esperava.

É interessante sublinharque o alfabeto hebraico facilita ainda mais o encontro destas "mensagens", já que há vários modos de ler e não há divisão tão clara entre consoantes e vogais.

Pode parecer estranho encontrar estas "mensagens" como coincidência, mas matematicamente, na verdade seria estranho que elas não existissem em livros tão volumosos e com critérios de leitura tão díspares que só computadores conseguem fazê-lo.

O que a Igreja nos ensina

Seis anos depois, está sendo lançado mais um livro do próprio Michael Drosnin sobre o código da biblia, mas o que mais impressiona - além da vendagem do livro e de sua tradução para vários idiomas, incluindo o português - é o fato de tal invencionice ganhar a atenção de tantas pessoas religiosas e de boa fé, que em busca de sinais e eventos miraculosos recorrem a esse tipo de literatura na intenção de melhor compreender as escrituras.

A Bíblia, por si, não é um livro de fácil compreensão em vários pontos, e por conta disso, o Sagrado Magistério da Igreja a respeito das escrituras é essencial para sua melhor compreensão. O Catecismo da Igreja nos ensina que há dois sentidos nas Escrituras, segundo uma antiga tradição da Igreja:

-O sentido literal - é dado pelo significado das palavras da Escritura e descoberto pela exegese (estudo profundo do texto bíblico) que segue as regras da correta interpretação.São Tomás de Aquino dizia que ¨todos os sentidos devem estar fundados no literal¨ (Suma Theol. 1,1, 10, ad 1). (§116)

-O sentido espiritual - Graças à unidade do projeto de Deus, não somente o texto da Escritura, mas também as realidades e os acontecimentos de que fala, podem ser sinais. O sentido espiritual pode ser subdividido em alegórico, moral e anagógico.

- O sentido alegórico - Podemos adquirir uma comprensão mais profunda dos acontecimentos reconhecendo a significação deles em Cristo; assim, a travessia do Mar Vermelho é um sinal da vitória de Cristo, e também é um sinal do Batismo (cf. 1Cor 10,12).

- O sentido moral - Os acontecimentos relatados na Escritura podem conduzir-nos a um justo agir. São Paulo diz que eles foram escritos para a nossa instrução (1 Cor 10,11; Hb 3-4,11)

- O sentido anagógico - Podemos ver realidades e acontecimentos na sua significação eterna, conduzindo-nos (em grego: anogoge) para a nossa Pátria. Assim, a Igreja na terra é sinal da Jerusalém celeste. (cf. Ap 21,1-22, 5) (§117).

Um ensinamento medieval resume a significação dos quatro sentidos: "A letra ensina o que aconteceu; a alegoria, o que deves crer; a moral, o que deves fazer; a anagogia, para onde deves caminhar"(§118).

Por tudo que foi exposto antes, é necessário estar atento a modismos e a diversos outros "códigos da bíblia" que são apregoados a cada dia por aqueles que vêem nas escrituras o veículo ideal de difusão de suas idéias, que muitas vezes são tão contrárias ao que ensina a palavra de Deus. Que se observe nos ensinamentos da Igreja o referencial seguro a respeito de sua leitura e interpretação, pois o contrário disso se faz notar quando se observa centenas de credos ditos cristãos, que arrogam sobre si o direito de interpretar corretamente a Biblia, mas que não se entendem entre si, pois possuem cada uma o seu próprio código da Bíblia, o código que mais lhes convém.

 
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