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No próximo dia 11 de março vai se realizar, no Palácio do Planalto, mais uma reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Ele foi criado pelo Presidente Lula, logo no início do seu governo.
Por sua composição ampla, por sua representatividade, e pelas reiteradas manifestações do Presidente da República a seu respeito, o Conselho se apresentou como a estratégia mais consistente do novo Governo para construir um consenso básico, visando definir um plano de desenvolvimento para o Brasil. De imediato, o Conselho foi chamado a trabalhar este consenso em torno das reformas estruturais indispensáveis para o crescimento do país.
Diante da urgência de grandes mudanças, o consenso se faz indispensável, esta a convicção que está na origem do Conselho. Esta também a experiência de outros países. Para enfrentar os atropelos da globalização, o caminho é a concertação.
Passado o primeiro ano de governo, e diante da próxima reunião do Conselho, parece inevitável se perguntar a quantas anda a concertação. Ainda mais diante do alarido desconcertante que se pretende sustentar em torno de episódios localizados, como o envolvimento de funcionários do Governo em esquemas de corrupção.
Por mais sérios que sejam estes episódios, o momento exige que sejam encarados com rigor, sim, mas sem fazer deles um pretexto para toldar o horizonte do país com a fuligem das intrigas políticas que só visam desestabilizar o governo e enfraquecer os consensos em torno das grandes questões que precisam de enfrentamento lúcido e urgente.
A hora é de grandeza de ânimo e de coerência ética. Não de discussões inúteis e de manobras protelatórias.
Na “Conferência Internacional” sobre “Caminhos para um Novo Contrato Social”, realizada em Brasília nos dias 11 e 12 de dezembro de 2003, os membros do Conselho puderam ouvir relatos de experiências de concertação nacional, realizadas sobretudo em países da Europa.
Foi marcante, por exemplo, o depoimento do sindicalista italiano Sergio Cofferatti. No início da década de noventa, a economia italiana sentiu logo os efeitos negativos da globalização. Seus produtos estavam rapidamente perdendo competitividade. A situação foi prontamente enfrentada. Sentaram à mesma mesa os representantes do governo, dos sindicatos e das indústrias. O governo se comprometeu a segurar as tarifas. Os industriais assumiram o compromisso de não aumentar os preços. E os sindicatos compreenderam que não era hora de reivindicar aumentos de salários. E assim a economia italiana superou o impasse que se desenhava como iminente, e encontrou o caminho para se reinserir na nova realidade.
Está aí um bom exemplo de concertação nacional. Em cima de compromissos práticos, superando interesses corporativistas, e abrindo caminhos para a superação dos problemas.
Nossa concertação brasileira ainda padece de muita retórica. Bom seria, por exemplo, ver latifundiários e sem-terra sentados à mesma mesa com a disposição de aumentar nossa produção agrícola e superar nossas tensões sociais. Precisamos passar, com urgência, das discussões teóricas para atitudes práticas, marcadas pela lucidez política e pela generosidade de propósitos.
A hora é de superar picuinhas, tanto na maneira de corrigir desvios ocasionais, como na busca das grandes opções que viabilizem o crescimento econômico e a justiça social.
Dom Demétrio Valentini Bispo de Jales
Disponibilizado pela CNBB em 6/3/2004
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