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A maternidade divina na história da salvação – Se toda mulher, ao dar à
luz uma criança, influencia o curso da história, então o que dizer de Maria? Ela
ocupa um lugar único na história Sagrada da humanidade, pois que, ao receber o
Dom do Pai, contribui para dar ao mundo Aquele que é o princípio, centro e fim
da humanidade. No desenvolvimento do plano de Deus, Maria situa-se no meio do
povo que espera o Messias. Mas este será seu Filho. E porque aceita esta
Maternidade, entra numa nova dimensão de fé e introduz no mundo Aquele por Quem
podemos chegar à filiação divina. A aceitação livre de Maria e aquilo que nela
se realiza pelo poder do Espírito Santo dá, pois, à nossa história o seu sentido
último segundo o desígnio de Deus que se cumpre em Jesus e pela Sua obra. A
Maternidade divina, como nenhum dos privilégios concedidos por Deus a Maria, não
consiste num mero benefício pessoal, mas culmina na Salvação dos homens e
mulheres de todos os tempos e lugares. Assim, é eleito um dos nossos através
desta mulher da nossa raça, Maria de Nazaré, o Verbo de Deus, morto na Cruz e
Ressuscitado, o eternamente vivente, faz-nos participar desta vida no Espírito
que Ele veio dar-nos para que a tenhamos em abundância.
Maria Mãe de Deus – Segundo o Dogma da Maternidade Divina, (DOGMA CAT
495) Maria é a mãe não apenas da carne de Jesus, mas de toda a realidade do Seu
Filho, que tem duas naturezas (Humana e divina), mas uma só Pessoa (divina).
Criar é tirar do nada, e isto só Deus pode fazer. As almas humanas foram criadas
do nada por Deus, e infundidas no ventre da Mãe que concebe seus filhos. Estas
Mães estão geram as células reprodutoras de seus pais. Mas devemos estar
conscientes de que, embora uma Mãe não tenha criado a alma de seus filhos, elas
GERAM dentro de si uma pessoa inteira, de corpo e alma, cujo corpo foi tirado de
si e do pai e cuja alma foi dada por Deus. Uma mãe GERA assim uma pessoa
inteira. Cristo foi GERADO no ventre de Maria, porque Ele sempre existiu, como
Segunda Pessoas da Santíssima Trindade. Maria gerou em si, por aproximadamente
nove meses, aquela Pessoa divina que já estava no corpo desde a sua formação.
Assim como numa geração comum( a nossa, por exemplo), a Ação geradora dos pais
tem por fim toda a pessoa, alma e corpo, também a atuação maternal de Maria
repercute na Pessoa do Verbo, que por isso mesmo é realmente Seu Filho. POR ISSO
MARIA É MÃE DE DEUS: Porque GEROU em seu corpo o Deus-homem. Maria é Mãe de Deus
porque, da sua própria carne, comunica ao Verbo uma natureza semelhante à
sua.
Significado Teológico da maternidade Divina – Maria recebe, por ocasião
da Encarnação, o que equivale a um caráter (um dom de ordem estrutural), e a um
novo aprofundamento de sua plenitude de graça (Dom de ordem vital): * Pelo Dom
de Ordem estrutural, Maria foi místicamente incorporada a Cristo, contraindo em
relação a Ele a função de Sua Mãe. Ela assim recebe a Marca do Salvador, a fim
de ser configurada ao Pai, adquirindo o direito de chamar de Seu Filho Aquele
que até então era Filho somente do Pai. * O Dom de Ordem Vital torna
proporcional o ser e a atividade de Maria à qualidade nova que contrai, a de Mãe
de Deus. Certamente, ela não tem necessidade de receber a graça Santificante,
que já possui desde a sua concepção, mas recebe um novo estatuto e um novo
aprofundamento desta graça. Uma co-naturalidade nova com Deus. Ela não adora a
Deus como Pai, mas adora Jesus como Filho. Ela agora tem uma relação a mais com
Deus. Um novo aprofundamento, uma nova ação de Deus sobre Maria não alteram sua
natureza, nem a graça da Imaculada Conceição, mas a transfiguram, dilatando a
plenitude de graças que ela já tinha, na proporção de sua nova grandeza,
proporcionando-lhe possibilidades sem precedentes na ordem da Graça.
Maria, Mãe do Salvador – Esta é a essência da vocação de Maria,
profetizada no AT (Is 7,14;...), anunciada pelo Anjo Gabriel, proclamada por
Isabel, confirmada pelo Evangelho, reafirmada numa das Cartas de S.Paulo (Gál.
4,4), afirmada pela Tradição, definida no Dogma da Maternidade Divina, e
ensinada pelo Magistério da igreja. A ação maternal de Maria, sob o poder do
Espírito Santo termina, de fato, nAquele que é o Salvador dos homens, pois Jesus
é o único Salvador, o único Mediador, o Sacerdote, Profeta e Rei por excelência,
e o é na sua humanidade e divindade, porque desde o primeiro instante de sua
existência, Maria esta congenitamente unida à natureza divina na Pessoa do
excepcional, resgatada de modo eminente em consideração aos méritos do Seu
Filho, unida a Ele por um laço estreito e indissolúvel.
Maria, Mãe da Igreja – Fundamento Bíblico mais adequado a este título: Jo
19,25-27 - Embora nada novo em sua substância doutrinal, este título de Maria
foi solenemente proclamado por Paulo VI no fim da terceira sessão do Concílio
Vaticano II, nestes termos: "Para a glória da virgem e para a nossa consolação,
proclamamos Maria Santíssima "Mãe da Igreja", isto é, de todo o povo de Deus,
tanto dos fieis quanto dos pastores... e queremos que com este suavíssimo título
a Virgem seja de agora em diante ainda mais honrada e invocada pelo cristão".
(Alocução de 21.11.64)
E na Encíclica Lumen Gentium, do mesmo Concílio, Paulo VI explica: "Pois
a Virgem Maria, que na Anunciação do anjo recebeu o Verbo de Deus no seu coração
e no seu corpo e trouxe ao mundo a Vida, é reconhecida e honrada como verdadeira
Mãe de Deus e do Redentor. Em vista dos méritos de seu Filho, foi redimida de um
modo mais sublime e unida a Ele por um vínculo estreito e indissolúvel , e
dotada com missão sublime e a dignidade de ser Mãe do Filho de Deus, e por isso
filha predileta do Pai e sacrário do Espírito Santo. Por esse dom de graça
exímia supera de muito todas as outras criaturas, celestes e terrestres. Mas ao
mesmo tempo esta unida a estirpe (raça) de Adão, com todos os homens a serem
salvos. Mais ainda: é verdadeiramente a Mãe dos membros de Cristo...porque
cooperou com a caridade para que na Igreja nascessem os fieis que são os membros
desta cabeça". E por causa disto é saudade também como membro supereminente e de
todo singular da Igreja, como seu tipo e modelo excelente na fé e na caridade. E
a Igreja Católica instruída pelo Espírito Santo, honra-a com afeto e piedade
filial como mãe amantíssima". (LG 53)
A motivação da Maternidade de Maria em relação à Igreja é vista de tudo
pela cooperação da Vigem na obra do Filho: Ao conceber Cristo, gera-lo,
nutri-lo, apresentá-lo ao Pai no templo, sofrer com ele agonizante na cruz, ela
cooperou de modo todo especial na obra do Salvador, mediante a obediência, a fé,
a esperança e ardente caridade, para restaurar a vida sobrenatural nas almas.
Por isso ela é mãe para nós na ordem da Graça. E essa maternidade na ordem da
graça continua sem cessar, por que o seu consentimento dado na fé no momento da
Anunciação, além de se repetir por toda sua vida terrena, esta mantido até a
perpétua coroação de todos os eleitos. De fato, elevada ao céu, continua, com a
sua múltipla intercessão, a obter-nos os dons da Salvação eterna até o fim dos
tempos. Mas é na perspectiva trinitária que se aprende plenamente o sentido do
título de Mãe da Igreja. Quando fez de Maria a Mãe de Jesus, o Pai, por pura
graça, tornou Maria de certo modo, participante de sua fecundidade em relação ao
Filho. Assim, Ele a tornou participante também de sua relação com aqueles que se
tornaram Filhos no Filho, ou seja, os Batizados, a Igreja. Assim Maria tem com a
Igreja do Filho, relação de maternidade, fundada no Mistério de sua eleição e de
sua relação peculiar com Deus Pai. Assim, podemos dizer que o título de Mãe da
Igreja não e apenas um elogio, mas se funda na eleição divina de Maria à
Maternidade, plasmada exclusivamente pela graça divina.
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