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Artigos Mãe de Deus
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Não é hora para mais um dogma mariano |
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03-Dez-2002 |
Por que não é a hora certa para um Dogma sobre Maria como Corredentora De acordo com membro da Academia Pontifícia Mariana Internacional.
ROMA, 21 OUT., 2002 (Zenit.org).- A Igreja irá proclamar Maria como Corredentora e Medianeira de todas as graças, como desejam alguns grupos? ZENIT perguntou ao Padre Stefano de Fiores, renomado Mariologista, sobre a possibilidade.
O Padre de Fiores é membro da Academia Pontifícia Mariana Internacional, que aconselha o Papa sobre todas as questões teológicas importantes relacionadas à pessoa de Maria. Ele disse que definir Maria como "Corredentora" não significa colocá-la no mesmo nível de Jesus, mas enfatizar seu papel de cooperação na salvação.
Pergunta: Existe uma proposta para invocarmos Maria como Corredentora. Seria necessário proclamar um novo dogma?
Padre de Fiores: Do ponto de vista conciliar e ecumênico, certamente não é oportuno proclamar um dogma agora. Os irmãos separados, protestantes e ortodoxos, nos criticam por não consultá-los com relação aos últimos dogmas sobre Maria. É por isso que penso que um dogma deste tipo deverá incluir a participação deles. Vamos primeiro nos direcionar para a união ou para uma certa convergência entre os cristãos; então examinaremos se é pertinente proclamar Maria Corredentora. De fato, o título de Corredentora não tem sido usado desde Pio XII, e os Pontífices não o mencionam precisamente para não causar mal entendidos com os protestantes. Na realidade, a corredenção não é algo novo. Já Irineu, Padre da Igreja, referiu-se a Maria como "causa salutis" [causa de nossa salvação] por seu "fiat."
Pergunta: Não é herético elevar Maria a essa categoria, colocando-a quase ao mesmo nível de Jesus?
Padre de Fiores: É necessário esclarecer que não é uma questão de colocá-la no mesmo nível de Jesus. O caráter central da salvação do Redentor é um dom. A Virgem é vista como uma colaboradora nessa redenção. Não se debate Jesus Cristo. Não é sobre uma justaposição à obra de redenção de Jesus Cristo, mas uma participação, uma dependência na salvação. Este ponto deve ficar bem claro.
Pergunta: Hoje, o catolicismo está enfatizando o papel salvífico de Maria. Por quê?
Padre de Fiores: Devemos ter em mente que todo ano cerca de mil artigos teológicos são publicados sobre Maria. A grande preocupação dos Mariologistas é evitar um discurso isolado sobre Maria. Por esta razão, a Mariologia é estudada com uma abordagem interdisciplinar, e são publicados artigos e livros que combinam a Mariologia com outros campos da teologia, incluindo soterologia. O papel de Maria na salvação já foi abordado pelo Concílio Vaticano II. A mudança de direção histórico-salvífico-conciliar falou de Maria no mistério de Cristo e da Igreja. Maria não é um capítulo à parte. Os próprios Padres da Igreja acentuaram o aspecto de Maria na salvação. Hoje, além de estar centrado na salvação, há uma tendência de ver o envolvimento do cristianismo na história. Nessa conexão, Maria é a mulher livre e responsável que canta um hino de liberdade, o Magnificat, e a mulher que mantém o pobre em mente. Ela proclama a liberdade que Cristo trará no tempo e na história. Portanto, Maria é o modelo e paradigma de homem salvo por Cristo. Em um mundo como o nosso, fragmentado em blocos, Maria é aquela que aceita o outro enquanto mantém sua identidade. Maria está a favor do homem. Além de afirmar que ela é a que recebe a salvação, ela é aquela que a traz.
Pergunta: Quais são as conseqüências no caminho ecumênico?
Padre de Fiores: Os protestantes -- estou pensando, por exemplo, em Henrick Ott, sucessor de Karl Barth em Basle -- admitem que se sentem desconfortáveis com a apresentação de Maria como Medianeira, como formulado por Leão XIII. Entretanto, eles compreendem nossa afirmação de que se vai a Jesus através de Maria. Eles pensam que por vezes nós apresentamos Maria como se estivesse fora da mediação de Cristo. O Vaticano dá a solução: a mediação de Maria é em Cristo, não próxima a Cristo. Mostra-se que não apenas ela salva mas ela torna a salvação possível. Desta forma ela é aceita por todos.
Pergunta: Em sua nova carta sobre o Rosário, o Papa propôs uma revolução espiritual Mariana. Qual a intenção do Papa?
Padre de Fiores: Não é uma revolução mas uma redescoberta e uma melhoria na forma. Com poucas variações, o rosário permaneceu praticamente o mesmo desde 1569. O Papa propõe algumas novidades com estes cinco mistérios. Ele torna a oração do rosário mais centrada em Cristo e mais meditativa, menos mecânica e mais reflexiva. Os novos mistérios respondem a uma necessidade que os estudiosos, especialmente na Itália e na França, haviam apontado em diversas ocasiões. Entre o último mistério gozoso e o primeiro doloroso havia um salto muito grande. Episódios significativos da vida pública de Jesus foram esquecidos. De qualquer forma, é óbvio que o rosário é uma síntese e não pode conter tudo.
Pergunta: O rosário agora é de caráter mais cristológico e menos mariológico?
Padre de Fiores: João Paulo II insiste em colocar Jesus Cristo no centro. A Ave-Maria é uma oração mariana mas também cristológica. Jesus e Seu nome estão no centro. Por esta razão, o nome de Jesus é repetido, o que dá a esta oração um caráter mais cristológico e, portanto, mais ecumênico. Já em 1300, uma comunidade de mulheres religiosas cistercenses de Treveri acrescentaram mais de 50 cláusulas ao nome de Jesus. Também significante é a ênfase que o Papa dá aos momentos de silêncio. O rosário não deve ser rezado mecanicamente. Além de enfatizar o silêncio, a enunciação bíblica do mistério, e outras novidades, o Papa acrescentou uma jaculatória final: uma oração para a graça do mistério ser garantida para a pessoa que recita o rosário. É uma passagem da oração para a vida. O rosário é a única oração que traz o mistério celebrado liturgicamente para a vida pessoal. Além disso, é extremamente importante para a paz. O rosário, por exemplo, teve um papel decisivo na vida da Igreja do tempo da Batalha de Lepanto [7 de outubro de 1571], que marcou a derrota dos otomanos. Realmente, foi aí que o título de Virgem do Rosário nasceu. No entanto, cuidado: não devemos considerar o rosário como uma arma. Não é. É um meio pacífico para obter a paz. Dada a violência e insuficiência dos meios públicos, somente Deus pode dar a paz. Somente Ele pode infundir nos corações dos homens e mulheres a serenidade para não seguir a violência.
ZE02102102 (tradução de Maria Alice)
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