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Agora é a hora para o dogma Mariano da Corredenção PDF Imprimir E-mail
03-Dez-2002
Por quê agora é a hora para um dogma de Maria Corredentora De acordo com Mark Miravalle, Presidente da Vox Populi

STEUBENVILLE, Ohio-EUA, 31 OUT., 2002 (Zenit.org).- A nova carta apostólica
do Papa, "Rosarium Virginis Mariae" (O Rosário da Virgem Maria) reacendou o
interesse no papel de Nossa Senhora na vida de Cristo e na história da
salvação.

Mark Miravalle, um dos proponentes líderes para que se tenha Maria
proclamada como Corredentora, ofereceu seu ponto de vista para a ZENIT.
Miravalle é professor de teologia e mariologia na Universidade Franciscana
de Steubenville e presidente da Vox Populi Mariae Mediatrici.

ZENIT: Por que o senhor acha que o título de Maria Corredentora é um título
mariano legítimo dentro da Igreja?

Miravalle: O título mariano de "Corredentora" se refere à participação única
de Maria na obra de nossa redenção, realizada por Jesus Cristo. O prefixo
"co" vem do latim "cum", que significa "com" e não "igual a".
    O termo, como usado pela Igreja, jamais coloca Maria em um nível de
igualdade com Jesus Cristo, o divino redentor. Além disso, a cooperação
humana livre e ativa da Mãe de Jesus na redenção, particularmente na
anunciação e no Calvário, é corretamente reconhecida pelo magistério papal e
pelos ensinamentos do Concílio Vaticano II -- ver "Lumen Gentium," Nºs. 56,
57, 58 e 61 -- e se torna exemplo preeminente de como todo cristão é chamado
a ser "cooperador com Deus".
    O teólogo pontifício, Padre Cottier, O.P., defendeu recentemente o
título de Maria Corredentora nos ensinamentos do Concílio Vaticano II em um
pronunciamento internacional para a Congregação do Clero. O Cardeal
Schönborn, ex-secretário do Catecismo universal, também é um eloqüente
defensor do título, e um dos 550 bispos que endossam a definição papal de
Maria Corredentora, Medianeira de todas as graças, e Advogada.

Pergunta: João Paulo II alguma vez chamou Maria de "Corredentora"?

Miravalle: O Papa João Paulo II usou o título de Corredentora pelo menos em
seis ocasiões em pronunciamentos, como fez o Papa Pio XI várias vezes antes
dele.
    Por exemplo, em sua homilia em Guayaquil, Equador, em janeiro de 1985,
João Paulo II declarou que Maria estava "crucificada espiritualmente com seu
Filho crucificado" e que "seu papel como Corredentora não cessou depois da
glorificação de seu Filho".
    Os ensinamentos repetidos e consistentes de nosso Santo Padre sobre
Maria como Corredentora em pronunciamentos e homilias é uma manifestação da
mente e do magistério ordinário do Papa que pede nossa submissão religiosa
de vontade e intelecto, de acordo com a Lumen Gentium, 25.
    O Concílio Vaticano II faz referência a alocuções papais em diversas
ocasiões como apoio doutrinal para suas conclusões conciliares. Como os
pronunciamentos papais foram reconhecidos pelo Concílio como fonte doutrinal
legítima, então o magistério mariano de João Paulo II pode ser reconhecido
da mesma forma nesse período pós-conciliar.
    Os santos trazem um forte testemunho para o título de Maria
Corredentora. São Pio de Pietrelcina, São Josemaría Escrivá, Santa Teresa
Benedicta da Cruz (Edith Stein), São Leopoldo Mandic, Bem-Aventurado Bartolo
Longo e vários outros santos recentemente canonizados e bem-aventurados
usaram o título, junto com São Maximiliano Kolbe.
    Madre Teresa de Calcutá foi efetivamente um dos líderes da causa para
uma definição de Maria Corredentora e Medianeira de todas as graças. Irmã
Lúcia, a vidente de Fátima, também sublinhou o papel de Maria Corredentora
em seu último livro "Apelos da Mensagem de Fátima", expondo sobre Maria
Corredentora em seis seções diferentes.

Pergunta: E sobre a objeção de que Corredentora não é um termo legítimo
porque não está na linguagem das Escrituras e dos Padres da Igreja?

Miravalle: Opor-se à legitimidade do título de Corredentora é implicitamente
criticar João Paulo II que, mais uma vez, tem usado repetidamente o título
de Corredentora. Usar a linguagem das Escrituras e dos Padre como critério
de legitimar a terminologia da Igreja seria efetivamente eliminar os títulos
dogmáticos marianos da Imaculada Conceição e da Assunção, bem como o termo
transubstanciação e mesmo infalibilidade papal, pois nenhuma dessas verdades
dogmáticas estão descritas na linguagem das Escrituras e dos Padres.
    Seria importante evitar qualquer tipo de semi-primitivismo que
excluitria um desenvolvimento legítimo da doutrina ou título por causa da
falta de sua presença explícita nas Escrituras e nos Padres.
    O venerável Cardeal Newman respondeu a Pusey com relação a uma objeção
similar, dizendo: "Por que o senhor protesta contra Nossa Senhora ser
chamada Corredentora, quando está pronto para aceitar os títulos
incomensuravelmente mais gloriosos dados a ela pelos Padres: Mãe de Deus,
Segunda Eva, Mãe de todos os viventes, Mãe da Vida, Estrela da Manhã, Novo
Céu Místico, Centro da Ortodoxia, toda-imaculada Mãe da Santidade, e assim
por diante?"

Pergunta: Mas a definição papal de Maria Corredentora prejudicaria a
importante missão ecumênica da Igreja?

Miravalle: Nos anos 50, os teólogos protestantes Miegge e Maury
identificaram a corredenção mariana como o item fundamental da mariologia do
século 20. Mais recentemetne, a abordagem ecumênica de Dombes sobre Maria
notou que a omissão dos títulos Corredentora e Medianeira de todas as graças
no Vaticano II para não ofender os cristãos protestantes não foi efetiva, já
que a doutrina da corredenção e mediação continuou sendo um ensinamento
fundamental do concílio.
    É hora de ser mais diretos com outros corpos eclesiais cristãos sobre a
doutrina católica da corredenção e mediação mariana, e articular esta
verdade com a maior integridade e precisão teológica possível, ao mesmo
tempo manifestando grande sensibilidade com aquelas que não compartilham de
nossa visão católica. Estes seria o significativo benefício ecumênico de uma
definição de Maria Corredentora.
    O falecido Cardeal O'Connor de Nova York declarou que uma definição iria
ajudar muito o ecumenismo porque sua articulação precisa asseguraria aos
outros cristãos que distinguimos adequadamente entre a associação única de
Maria com Cristo e o poder redentor exercido somente por Cristo.
    Na "Ut Unum Sint", o Santo Padre declara que a unidade cristã desejada
por Deus só pode ser obtida com uma aceitação do conteúdo integral da
verdade revelada, e proíbe qualquer comprometimento da verdade ou do
desenvolvimento doutrinal pelo bem de um "acordo fácil".
    É por isso que a pessoa de João Paulo II oferece uma razão particular
para a oportunidade presente de uma definição papal de Maria Corredentora.
Este Papa possui o verdadeiro dom de ser ao mesmo tempo "plenamente
ecumênico" e "plenamente mariano". Quem melhor do que João Paulo II para
descobrir o delicado equilíbrio entre a plena integridade dogmática e a
genuína sensibilidade ecumênica com relação à formulação de um novo dogma
mariano? Ele não retrata brilhantemente este equilíbrio cuidadoso em
"Rosarium Virginis Mariae"?
    No início do Ano Mariano de 1987, o Santo Padre encorajou a comissão
preparatória para ter mais "confiança em Maria para a missão do ecumenismo".
A mesma sabedoria se aplica com relação a um possível dogma mariano. A Mãe
espiritual de todos os povos continua sendo a Mãe da unidade cristã, não seu
obstáculo.
    Com relação aos ortodoxos, nossas igrejas irmãs, sua generosa celebração
litúrgica do papel da Mãe de Deus em nossa salvação é algo para a Igreja
Ocidental copiar e redescobrir. Seu entreato comum litúrgico, "Ó Mãe de
Deus, salvai-nos", captura o centro do papel único de Maria na missão
salvífica de seu Filho. De fato, o Patriarca Bartholomew publicou uma
encíclica na quaresma de 1998 sobre o papel da Mãe de Deus na salvação, que
passou quase completamente despercebida no Ocidente.
    O fato continua sendo que as Igrejas Ortodoxas, como os corpos eclesiais
Protestantes, não aceitam o papel do papado, e portanto logicamente nunca
poderiam ser a favor do exercício de um carisma papal de infalibilidade de
um posto que eles rejeitam a priori. É por isso que sustentar que até que
recebamos a aprovação das autoridades ortodoxas e protestantes para um
dogma, mariano ou outro, o Papa não deve declarar um dogma, é
filosoficamente e praticamente eliminar por ocmpleto o carisma da
infalibilidade papal.

Pergunta: Quantos fiéis católicos já assinaram pedindo este dogma, e como o
senhor vê qualquer relevância para a proclamação deste dogma mariano com a
atual situação mundial?

Miravalle: Nos últimos 10 anos, cerca de 7 milhões de petições de 150 países
foram enviadas para a Santa Sé, junto com o apoio de 550 bispos e mais de 40
cardeais. Isto constitui o maior encaminhamento de petição por ano na
história da Igreja.
    À luz do atual clima de guerra e rumores de guerra no mundo, eu acredito
que a proclamação do dogma de Maria Corredentora, Medianeira de todas as
graças e Advogada seria o meio de lançar o pleno exercício do papel
intercessor materno de Nossa Senhora trazendo a paz a um mundo conturbado,
em cumprimento de sua promessa em Fátima de que "no fim o meu Coração
Imaculado triunfará... e um período de paz será concedido ao mundo". Deus
respeita a liberdade humana, e a proclamação papal a "libertaria" para
exercer plenamente seus poderes de salvação para a humanidade contemporânea.
    A recente promulgação de "Rosarium Virginis Mariae" e o dom de cinco
novos mistérios luminosos nos recordam que o Santo Padre tem uma mente
própria com relação à Mãe de Deus. Eu acredito que devemos permanecer de
mente aberta e obedientes ao discernimento final deste Papa "Totus Tuus" com
relação à oportunidade da definição papal de Maria Corredentora.

ZE02103122
(tradução de Maria Alice)
 
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