O Mistério central da Fé cristã é o de que há um só Deus, com a mesma natureza e em três pessoas distintas, Pai, Filho e Espírito Santo.
Embora este termo "Trindade" não apareça na Sagrada Escritura, todavia a realidade de um Deus Trino está indubitavelmente presente nas referências de Cristo ao Pai e ao Espírito Santo.
No Antigo Testamento Deus revelou-se de várias maneiras aos Patriarcas, deu-Se a conhecer como Deus único, mas nunca revelou o mistério da Trindade.
Só no Novo Testamento Cristo o revelou.
Por exemplo :
- Mas quando vier o Consolador, que vos hei-de enviar da parte do Pai, o Espírito da verdade, que procede do Pai, Ele testificará de Mim. (Jo.15,26).
A convicção central da Cristandade histórica - defendida firmemente durante três séculos de controvérsia doutrinal sobre essência e substância, contra o Modalismo e o Subordinacionismo - é a de que Cristo não é considerado com relações meramente externas de Deus, mas pertence à vida íntima de um Deus Trino.
A processão do Verbo do Pai (chamada "geração"), e a processão do Espírito do Pai e do Filho (chamada "expiração"), são eternos e iminentes.
As únicas distinções na Natureza Divina perfeitamente indiferenciada, são aquelas que surgem em razão das duas processões.
Se as duas processões são reais, então as relações a que elas conduzem são também reais.
Todavia, uma vez que tudo o que em Deus é real é idêntico com a Natureza Divina, as relações, embora distintas uma da outra, não são distintas de Deus.
As Três Pessoas da Trindade são relações subsistentes, cada uma plenamente divina, cada uma consubstancial com a outra.
Assim, a vida íntima de um Deus Trino é a vida de pura inter-relação mútua de conhecimento e de amor.
O surpreendente destino de todo o ser criado (humano e angélico) é o de participar nesta união pelo amor a outras pessoas e perfeitamente na própria vida Trinitária.
Este é um mistério, no sentido mais estrito, só conhecido pela revelação de Deus.
O Catecismo da Igreja Católica apresenta toda a doutrina da Santíssima Trindade a partir do Número 232, e podemos transcrever o seguinte :
234. - O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. É o mistério do próprio Deus. É, portanto, a fonte de todos os outros mistérios da fé, e a luz que os ilumina. É o ensinamento mais fundamental e essencial na "hierarquia das verdades da fé"(DCG 43). "Toda a história da salvação não é senão a história do caminho e dos meios pelos quais o Deus verdadeiro e único, Pai, Filho e Espírito Santo, Se revela, Se reconcilia e Se une aos homens que se afastam do pecado" (DCG 47).
237. - A Trindade é um mistério de fé em sentido estrito, um dos "mistérios ocultos em Deus, que não podem ser conhecidos se não forem revelados lá do Alto"(Vat. I : DS 3015). É verdade que Deus deixou traços do seu Ser trinitário na obra da criação e na sua revelação ao longo do Antigo Testamento. Mas a intimidade do seu Ser como Trindade Santíssima constitui um mistério inacessível à simples razão e mesmo à fé de Israel, antes da Encarnação do Filho de Deus e da missão do Espírito Santo.
A Santíssima Trindade é um Dogma, como afirma o Catecismo da Igreja Católica :
250. - No decurso dos primeiros séculos, a Igreja preocupou-se com formular mais explicitamente a sua fé trinitária, tanto para aprofundar a sua própria inteligência da fé, como para a defender contra os erros que a deformavam. Foi esse o trabalho dos primeiros concílios, ajudados pelo trabalho teológico dos Padres da Igreja e sustentados pelo sentido da fé do povo cristão.
A Trindade é una.
* Trindade consubstancial (II Conc. de Constantinopla 553: DS 421). C1C. 253).
* Cada uma das três pessoas fazem parte da passoa una e inteira de Deus. (XI Conc. de Toledo 675 : DS 530). (CIC 253).
* Cada uma das três pessoas é esta realidade, quer dizer, a substância, a essência ou a natureza divina. (IV Conc. de Latrão 1215 : DS 804). (CIC 253).
As pessoas divinas são realmente distintas entre Si.
* Aquilo que é o Filho não é o Pai e aquilo que é o Pai não é o Filho, nem o Espírito Santo é o que é o Pai e o Filho. (XI Conc. de Toledo 675 : DS 530) (CIC 254).
* O Pai gera, o Filho é gerado, e o Espírito Santo procede. (IV Concílio de Latrão. 1215 : DS 804). CIC 254).
As pessoas divinas são relativas umas às outras.
* Quando falamos destas três pessoas, considerando as relações respetivas, cremos, todavia, numa só natureza ou substância. (XI Conc. de Toledo 675 : DS 528).(CIC 255).
* N'Ele tudo é um, onde não há a oposição da relação. (Conc. de Florença 1442 : DS 1330). (CIC 255).