APROPRIAÇÃO - Em Teologia, a Apropriação é a atribuição de uma qualidade, um nome ou uma operação, a uma só das Pessoas da SS. Trindade. Isto, todavia, não significa que essa ação, esse nome ou operação não existam nas outras Pessoas da SS. Trindade, uma vez que todas são igualmente infinitas em todas as suas perfeições e atribuições. A Apropriação é uma maneira humana de nos referirmos, dentro dos nossos conceitos humanos para nos entendermos.
Assim, costumamos dizer que o Pai foi o Criador, o Filho, o Redentor e o Espírito Santo o Santificador, por Apropriação.
CONSUBSTANCIAL
Esta expressão, em referência a Deus, quer dizer que o Pai e o Filho são um só Deus, da mesma substância.
Assim diz o Catecismo da Igreja Católica :
242. - Na esteira dos Apóstolos, seguindo a tradição apostólica, no primeiro concílio ecuménico de Niceia, em 325, a Igreja confessou que o Filho é "consubstancial" ao Pai, quer dizer, um só Deus com Ele.
E esta mesma expressão refere-se também ao Espírito Santo, uma das três pessoas da Santíssima Trindade, como diz ainda o Catecismo da Igreja Católica :
685. - Crer no Espírito Santo é, portanto, confessar que o Espírito Santo é uma das pessoas da Santíssima Trindade, consubstancial ao Pai e ao Filho, "adorado e glorificado com o Pai e o Filho".
689. - Aquele que o Pai enviou aos nossos corações, o Espírito de Seu Filho, é realmente Deus. Consubstancial ao Pai e ao Filho, é d'Eles inseparável, tanto na vida íntima da Trindade como no seu dom de amor pelo mundo.
FILIOQUE
Esta expressão latina que se traduz à letra por e também do Filho, refere-se à processão do Espírito Santo, isto é, o Espírito Santo procede do Pai e também (Filioque) do Filho.
Esta expressão foi acrescentada ao Credo de Niceia no Concílio de Toledo (589).
Foi uma palavra de grande controvérsia, não apenas por uma questão doutrinal, mas também por causa do seu primeiro uso no século VI, aceite pela Igreja de Ocidente contra as objeções dos gregos, pela sua inserção no Credo de Niceia.
Os gregos só vieram a aceitar o Filioque isto é, a dupla processão do Espírito, do Pai e do Filho, no Concílio de Florença (1438-1445) e em que a expressão grega através do Filho, não diferia da expressão Filioque.
Depois de assinados os documentos, foram introduzidos fatores políticos e os gregos voltaram ao seu cisma e, até ao presente, os gregos da Igreja Ortodoxa e outras Igrejas cismáticas do Oriente condenam o Filioque.
HABITAÇÃO do ESPÍRITO SANTO
A presença de Deus no corpo e na alma da pessoa humana é atribuída ao Espírito Santo de maneira singular, tanto pela Sagrada Escritura como pelos escritos dos Santos Padres.
Embora Deus, isto é, as três Pessoas Divinas, esteja presente em todos os lugares pelo Seu infinito poder, a habitação amorosa de Deus existe de maneira especial nas pessoas em estado de graça e de santidade, em grau diferente, que aceitam esta familiaridade divina, pela medida do seu amor.
Assim, a habitação é a maior ou menor medida da caridade ou do amor de Deus.
Jesus prometeu a habitação da Santíssima Trindade :
- Se alguém Me ama, guardará a Minha Palavra; Meu Pai amá-lo-á e viremos a ele e faremos nele morada. (Jo.14,23).
- Ninguém jamais viu a Deus; se nos amarmos uns aos outros, Deus está em nós e o Seu amor é perfeito em nós. Nisto conhecemos que estamos n'Ele, e Ele em nós, porque nos deu o Seu Espírito.(1 Jo.4,12-13).
Falar desta habitação é realmente falar da perfeição da caridade: um amor incitado que se comunica ao amor criado.
A presença causal de Deus - o poder que mantém as coisas na existência - torna-se verdadeiramente uma presença pessoal.
No amor, a omnipresença torna-se Habitação.
HIPÓSTASE (Hypostasis)
A palavra grega hypostasis que se traduz por permanecer sob, usa-se para designar a realidade substancial ou a natureza de alguma coisa, e a instância de uma natureza.
No decurso das controvérsias Trinitária e Cristológica dos séculos III e IV, a última ganhou ascendência e o termo passou a designar a instância individual de uma natureza completa (normalmente inteligente).
Desta maneira o termo adquiriu o sentido imperfeitamente sinónimo da palavra latina persona = pessoa.
Depois do Concílio de Constantinopla (381), a Ortodoxia Trinitária foi aquilatada por esta fórmula : Três hypostaseis (pessoas) numa Ousia (substância).
No Concílio de Calcedónia, (451), apareceu a significar a união substancial das naturezas divina a humana numa só Pessoa (Hypostasis) de Jesus Cristo.
O Catecismo da Igreja Católica diz :
251. - Para a formação do dogma da Trindade, a Igreja teve de empregar uma terminologia própria, com a ajuda de noções de origem filosófica: "Substância", "pessoa" ou "Hipóstase", "relação", etc.. Ao fazer isto não sujeitou a fé a uma sabedoria humana, mas deu um sentido novo, inédito, a estes termos, chamados a exprimir também, desde então, um mistério inefável, "transcendendo infinitamente tudo quanto podemos conceber a nível humano" (Paulo VI, Credo do Povo de Deus, 2).
252. - A Igreja utiliza o termo "substância" (às vezes também traduzido por "essência" ou "natureza") para designar o ser divino na sua unidade; o termo "pessoa" ou "hipóstase" para designar o Pai, o Filho e o Espírito Santo na distinção real entre Si; e o termo "relação" para designar o facto de que a sua distinção reside na referência de uns aos outros.
468. – Depois do Concílio de Calcedónia, alguns fizeram da natureza humana de Cristo uma espécie de sujeito pessoal. Contra eles, o quinto Concílio Ecuménico, reunido em Constantinopla em 553, confessou a propósito de Cristo : «não há n’Ele senão uma só hipóstase (ou pessoa), que é nosso Senhor Jesus Cristo, um da Trindade» (DS 424). Tudo na humanidade de Cristo deve, portanto, ser atribuído à sua pessoa divina como seu sujeito próprio ; não só os milagres, mas também os sofrimentos e a própria morte: «Aquele que foi crucificado na carne, nosso Senhor Jesus Cristo, é verdadeiro Deus, Senhor da glória e um da Santíssima Trindade.
469. – Assim, a Igreja confessa que Jesus é inseparavelmente verdadeiro Deus e verdadeiro homem. É verdadeiramente o Filho de Deus feito homem, nosso irmão, e isso sem deixar de ser Deus, nosso Senhor. (Continuou a ser o que era, e assumiu aquilo que não era).
Portanto, A União Hipostática, é a união substancial das duas naturezas, divina e humana, na única Pessoa de Jesus Cristo.
Esta expressão assinala a ortodoxia Cristológica, contra :
* As correntes que negam a unidade substancial das duas naturezas na Pessoa de Jesus Cristo (Nestorianismo).
* As correntes que negam a sua permanente distinção na Encarnação (Monofisismo).
As naturezas, divina e humana, permanecem distintas em Cristo (não se dissolvem para formar uma terceira substância), embora unidas na Pessoa do Verbo eterno de Deus.
A doutrina da União Hipostática foi desenvolvida por S. Cirilo de Alexandria († 444), e proclamada pelo Concílio de Calcedónia (451).
De harmonia com esta doutrina, outros conceitos podem surgir nos nosso espírito : Cristo é Deus e homem, Cristo tem uma alma humana, Cristo tem uma vontade humana, Cristo aprendeu..
PROCESSÃO DIVINA
O sentido primário da Processão Divina refere-se à Processão eterna do Filho, do Pai (propriamente chamada geração) e à Processão eterna do Espírito Santo, do Pai e do Filho (propriamente chamada expiração «spiration»).
Segundo a doutrina trinitária não há distinção em Deus excepto a que provém da origem. Assim, portanto, a afirmação da realidade da Processão Divina permanece fundamental para a doutrina cristã da Trindade.
A Processão Divina usa-se para distinguir os atributos das três pessoas da Santíssima Trindade, respetivamente, paternidade e filiação.
No Credo de Niceia nós professamos :
* Creio em um só Deus, Pai todo poderoso.
* Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho unigénito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos [...] gerado, não criado, consubstancial ao Pai.
* Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho.
O Catecismo da Igreja Católica ensina :
245. - A fé apostólica relativamente ao Espírito foi confessada pelo segundo concílio ecuménico, reunido em Constantinopla em 381 : "Nós acreditamos no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai"(DS 150). A Igreja reconhece assim o Pai como "a fonte e a origem de toda a Divindade"(Concílio VI de Toledo, em 638:DS 490). Mas a origem eterna do Espírito Santo está ligada à do Filho: "O Espírito Santo, que é a terceira pessoa da Santíssima Trindade, é Deus, uno e igual ao Pai e ao Filho, da mesma substância e também da mesma natureza... Contudo, não dizemos que Ele é somente o Espírito do Pai, mas, ao mesmo tempo, o Espírito do Pai e do Filho"(Concílio de Toledo XI, em 675:DS 527). O Credo da Igreja confessa que Ele, "com o Pai e o Filho, é adorado e glorificado"(DS 150).
NATUREZA
Os dicionários apresentam muitos significados desta palavra, mas, filosoficamente é o mesmo que Essência, um conjunto de caracteres que fazem que uma coisa ou um ser pertençam a uma espécie ou a uma categoria determinada.
Na teologia usa-se a Natureza no conceito de Deus :
- Falando da Natureza divina, diz-se que o Pai, o Filho e o Espírito Santo têm a mesma Natureza.
- Em Cristo há duas Naturezas na única Pessoa do Filho de Deus.
O conceito de Natureza é também de suma importância na antropologia teológica, em que se consideram as relações entre a Natureza e a Graça na caminhada da pessoa humana para Deus.
Aqui, "Natureza" designa a estrutura básica da pessoa humana como um corpo criado, e um ser espiritual com várias capacidades, como, o sentido da percepção, a emoção, o conhecimento, a intenção, a decisão e a ação, social e interpessoalmente orientadas e, moralmente capazes de se aperfeiçoarem através da livre busca de uma vida virtuosa que constitui um dos seus bens básicos..
Diz o Catecismo da Igreja Católica :
1988. – (...) É pelo Espírito que nós temos parte em Deus. Pela participação no Espírito, tornamo-nos participantes da natureza divina... É por isso que aqueles em quem habita o Espírito, são divinizados. (Santo Atanásio).
Deus revelou que o destino da pessoa humana é o de se unir a Ele em perfeito amor - propriamente um destino sobrenatural, não apenas porque ultrapassa as capacidades humanas no seu exercício ordinário e porque é um dom absolutamente livre - mas especialmente porque envolve a participação na própria vida divina.
1996. - A graça é o favor, o socorro gratuito que Deus nos dá, a fim de respondermos ao seu chamamento para nos tornar filhos de Deus, filhos adoptivos, participantes da natureza divina e da vida eterna.
Assim, embora a pessoa humana seja constituída por natureza como capaz de entrar em relação com outras pessoas - incluindo, em princípio, Deus - só quando a natureza humana é elevada pela graça é que esta possibilidade se torna real.
Para além disso, a graça cura a fraqueza e os efeitos destrutivos do pecado original que impede a natureza humana de alcançar os seus bens.