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O papado de João Paulo II mantém a posição adotada com a encíclica Humanae Vitae que condena o uso de contraceptivos. A Igreja, amparada em toda filosofia que frui das Escrituras, promulgou - já na década de 60 - uma norma de conduta que, se tivesse sido seguida pela esmagadora maioria dos cristãos, seguramente, muito teria contribuído para impedir que a AIDS tivesse alcançado índices tão altos de disseminação.
A comparação do mapa da divisão religiosa, comparado ao mapa de distribuição da AIDS no mundo é muito significativa. As populações que crêem em um Deus Único, e possuem rigorosos códigos de conduta - como os muçulmanos do Oriente Médio - pouco foram afetadas. As populações de predominantes religiões animistas do continente africano, as mais atingidas.
Na visão da Igreja - já na década de 60 - prenunciavam-se tempos difíceis para as questões que envolviam a sexualidade humana. O corpo teórico freudiano ampliava sua disseminação. Iluminava, cada vez mais, as questões,as decorrências e os desdobramentos, relativos à repressão sexual.
Apontava para tempos de maior libertação do espírito humano. Surgia o biquíni, as primeiras separações, o divórcio. Prenúncios de uma provável desintegração da estrutura familiar, que crescia convivendo com os primeiros beijos televisivos na década de 70. Presságios de um término precoce da infância. Sinais da ânsia de se buscar desvendar - e tornar pública - a práxis da sexualidade humana. O mundo girou. A televisão cada vez mais ampliou sua penetração nos lares. A força das questões econômicas aliou-se ao apelo sexual para incentivar vendas. A economia cresceu; a pobreza também.
A família desenvolveu-se mudando suas características. A mulher passou a trabalhar fora de casa. Cresceu o abandono paterno. Constatou-se um vertiginoso aumento da gravidez adolescente. Enfim, o constante afastamento de valores baseados em castidade, fidelidade e abstinência fora do casamento.
Na década de 80, o advento da AIDS, com seus primeiros casos diagnosticados. As razões deste aparecimento, hoje já pouco importa, tornou-se fato facilmente constatável. Existem versões religiosas para tal acontecimento. Que os cientistas apurem as razões científicas e nos repassem uma versão crível. A sociedade ocidental amadurecia em suas experiências de liberdade. A Igreja Católica mesmo mantendo sua forte influência, também constatou maiores dificuldades em suas ações pastorais. Novos desafios a serem superados e que demandavam radicalização do discurso e ações efetivas de amparo aos necessitados.
Apesar de não aprovar o uso de métodos contraceptivos, a Igreja Católica tem sido uma das instituições que sempre evidenciou um expressivo envolvimento na assistência aos soropositivos e afetados pela Aids. Envolvimento com a assistência ao menor, com as adolescentes grávidas, com os drogaditos, e com os totalmente despossuídos - em várias partes do mundo. Aquele que não tiver pecado, que atire a primeira pedra.
Hoje, todavia, assistimos a mídia inundar-se de comunicações que relatam o posicionamento - oficial da Igreja católica - promulgado lá na longínqua década de 60. Ufa! Antes tarde do que nunca. Que a encíclica possa,ainda hoje, cumprir o papel educativo que lhe foi impresso. Tristemente, porém, verificamos que estas comunicações encontram-se repletas de críticas explícitas e implícitas. Que apresentam-se com o intuito de expor a Igreja como uma instituição obsoleta, anacrônica. Avessa à modernidade. Não é verdade. Juntam-se a estas comunicações outras, expondo chagas próprias de toda grande instituição, que de tempo em tempo, se vê atormentada por insurgências decorrentes de Indivíduos humanos que se afastam de seus ofícios. Que se desviam e precisam ser reorientados; resgatados quando possível. Desarraigados em último caso. A Igreja Católica jamais perdeu oportunidades inequívocas de elevar-se quanto instituição.
A função profética da Igreja continua a ser mantida. Evidenciou-se, e ainda evidencia-se, com muita clareza no caso da encíclica Humanae Vitae. Mostra-se em completa sincronia com o desenvolvimento social da humanidade. Procurou adiantar-se aos seus desdobramentos, inclusive. Apontava, já na década de 60, o adequado caminho a seguir. A dimensão assistencial aos desmazelos decorrentes da inadequada prática humana, até hoje é mantida. Equipara-se, somente - em quantidade e alcance - às ações governamentais. A dimensão litúrgica elevou-se. Ampliou a dimensão comunitária; um espaço saudável para o convívio fraterno, baseado na tolerância. A Aids é uma epidemia mundial.
Um problema de saúde pública que precisa ser enfrentado adequadamente com avanços científicos e métodos eficazes. Os métodos preconizados pela Igreja Católica, por ventura, não são cientificamente eficazes? A própria OMS admite que o uso de preservativos não é 100% seguro, por causa do risco de má utilização ou de ruptura. Tanto a castidade, quanto abstinência de sexo fora do casamento, entretanto, sempre serão 100% seguros. À contundência deste primeiro argumento, soma-se outro, também incisivo: Nestes tempos de espiral erótica, quem haverá de falar dos valores de família, baseados em castidade, fidelidade e abstinência fora do casamento? As casas noturnas, por um acaso? Os Bingos? Os integrantes do narcotráfico? Devem, valores que foram preservados ao longo de inúmeras gerações, serem abandonados até pela Igreja Católica, em nome da modernidade? Abandonados, em nome das causas econômicas que promovem o erotismo para vender produtos?
Não. A Igreja sempre se manterá fiel. Não somente está certa em preconizar que as campanhas que encorajam o uso de métodos contraceptivos são equivocadas como além: Tem o Dever de buscar resgatar importantes valores morais que foram abandonados. Zelar pela manutenção de um código de conduta que nos ficou registrado em Seculares Escritos. No sentido estrito de prevenção da AIDS, repensar a abordagem tradicional à moral teológica, ética, preservação e proteção da vida é uma tarefa completamente desnecessária. A igreja, por ora, não vê - e dificilmente verá - razões para revisar sua posição.
A humanidade, entretanto, só progride com o embate de idéias.Registramos aqui, portanto, uma fraternal provocação: Há mais de 2000 anos o Evangelho é difundido. Os críticos - mais mordazes ou não - sempre surgiram. Sempre surgirão: Sejam Bem-Vindos!
A paz de Cristo a todos!
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