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A Dialética Dentro da História PDF Imprimir E-mail
15-Nov-2003

Com relação a Deus, a sociedade moderna vai desde o reconhecimento de um absoluto que realiza a plenitude humana e cósmica, desde a procura e o encontro nele, Alfa e Ômega de tudo, princípio e fim... até o desconhecimento, o desprezo ou a negação dos valores religiosos da existência.

O mundo em transição, muitos cristãos sentem-se como Elias no deserto...

Elias chegou a pedir pra morrer. Não porque perdera a fé, ou estivesse definitivamente desanimado, sem ânimo para viver. Mas porque não conseguia encontrar Deus, na confusão que reinava à sua volta...

Elias, pedindo para morrer... Porque já não sabia encontrar Deus na confusão.

Ventos agitados, confusos, turbilhonantes têm varrido a face da terra e sacudido até mesmo a Igreja. Seria cegueira negá-lo.

Sempre houve essa dialética nos caminhos e descaminhos da História. A dialética da tese, da antítese, da síntese. Idem dentro da igreja. Quem possui um mínimo de formação de história, sabe disso. A fundação, a vida, o auge e o declínio de muitas congregações e ordens religiosas, dentro da Igreja, foram e são marcadas pelas leis da dialética.

Um século ressalta o valor da oração individual. Outro século enfatiza a oração comunitária. Um concílio sublinha a Igreja Hierárquica, outro enfatiza a Igreja Carismática. Inúmeros Papas declararam-se Marianos até a medula da alma. Outros citam Nossa Senhora com menos freqüência.

Parece uma constante na história: os homens de hoje vivem censurando os de ontem.

Amanhã, talvez sejamos nós, os apedrejados. Reclamamos e criticamos.

-Quase não dá para entender. Como é que as gerações anteriores não descobriram verdades tão evidentes? Porque é que subestimaram coisas tão indispensáveis e fundamentais?

Este fenômeno acontece na Igreja. O Movimento Carismático floresce. É um Movimento Carismático Universal: A descoberta ou redescoberta do Espírito Santo.

O Padre João Rocha, fala em seu livro Dia de Deserto (Ed. Paulinas), refere-se à dialética da Igreja atual:

Os cristãos viviam em orações individuais. A Liturgia, em Latim, o Padre virado de costas, os cantores no coro, tudo favorecia uma piedade individualista. E veio um homem mandado por Deus. Seu nome era João, e para não fazer confusão com os outros do mesmo nome que tinham sentado na Cátedra de Pedro, chamaram-no de João XXIII.

O Papa bom convocou um Concílio Ecumênico. Os Prelados denunciaram falhas, abriram pistas, indicaram caminhos. E a Liturgia foi a primogênita privilegiada. Alguns teólogos começaram a xingar a visão tão curta do passado, alguns Padres improvisados em pedreiros, derrubaram os altares, tiraram as imagens... Viraram tudo de perna para o ar. Alguns chegaram a banir, severamente a oração individual. Choque violento. Alguém começou a saturar-se daquelas Missas Comunitárias, dos Pai-Nossos de mãos dadas... e redescobriu Mt¨,6: "Quando queres orar, entra no teu quarto, tranca a porta e ora a teu Pai”,- e meditou LC 4,1: “ E Jesus foi para o deserto”.

“Desta história, conclui João Rocha - temos que aprender duas coisas: nunca xingar quem veio antes de nós e nunca nos fanatizarmos por aquilo que descobrimos”.

Enquanto isso... o Vaticano estuda outras modificações...

Mudam os tempos, evolui a história. Modificam-se rituais de culto e prece.

Entra o ano. Sai ano  E gerações sucedem gerações.  Mas Deus, que é eterno, em sua glória,PERMANECE.

(Pe. Roque Schneider)

 
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