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Protestantismo - A Minha Igreja PDF Imprimir E-mail
05-Mai-2002
Com essas palavras Jesus se dirigiu a Pedro ao confiar´lhe o mandato de governar a Sua Igreja, deixando claro que a Igreja é ´propriedade´ Dele.

Na verdade, a Igreja é, por desejo de Deus, o próprio Corpo do Senhor. Ele a quis como o Seu Corpo Místico, constituído como o ´Sacramento universal da salvação da humanidade´ (LG,48), isto é, o meio escolhido por Deus para salvar a todos.

Ela é o prolongamento da Encarnação de Jesus no meio dos homens, para formar, Nele, a grande família dos filhos de Deus. ´A Igreja é a trajetória do Cristo através dos séculos´, como disse Denis Bourgerie. Ou ainda, ´a Igreja é o Corpo do Senhor, e o ostensório do Seu coração´, como disse Maurice Zundel. Bossuet preferiu dizer que: ´A Igreja é Jesus Cristo derramado e comunicado a toda a terra´.Tudo pode ser resumido na palavra de um grande Padre do primeiro século, Santo Inácio de Antioquia (†110), ao dizer que:

´Onde está o Cristo Jesus está a Igreja Católica´.

Nestas páginas queremos aprofundar no Mistério da Igreja, na sua missão e identidade.

O pecado, desde a origem, dispersou a humanidade, quebrou a unidade e a comunhão dos homens com Deus, rompeu o belo plano de amor que o paraíso terrestre nos mostra.

Deus Pai nos criou para Si, para que fossemos a Sua família, destinados a participar da Sua comunhão íntima e desfrutar da Sua vida bem´aventurada. O pecado ´ a mais triste realidade ´ rompeu esse belo Plano de amor e ´dispersou´ os filhos de Deus, dilacerou a Sua família e feriu o próprio Deus. Por Jesus e pela Igreja, o Pai quis então refazer a Sua obra e trazer de volta os seus filhos para a Sua Comunhão. É nesse sentido que o Catecismo da Igreja Católica (CIC), afirma que :

´A convocação da Igreja é por assim dizer a reação de Deus ao caos provocado pelo pecado´(CIC,761).

O Catecismo já no seu início, nos ensina esta grande verdade:

´Deus, infinitamente Perfeito e bem aventurado em si mesmo, em um desígnio de pura bondade, criou livremente o homem para fazê´lo participar de sua vida bem´aventurada.

Eis por que, desde sempre e em todo lugar, está perto do homem. Chama´o e ajuda´o a procurá´lo, a conhecê´lo e a amá´lo com todas as suas forças. Convoca todos os homens, dispersos pelo pecado, para a unidade da sua família, a Igreja´ (CIC, 1).

Esse primeiro parágrafo do Catecismo contém, em síntese, a História da salvação. Deus criou a humanidade como a ´sua família´; mas o pecado dispersou os seus filhos; e agora Deus os reúne novamente pela Igreja, o próprio Corpo de Jesus, enviado aos homens. É nesse contexto que sobressai toda a realidade e importância da Igreja ´ a família de Deus.

E o Catecismo, ainda no primeiro parágrafo, explica como Deus refaz a sua família:

´Faz isto através do Filho, que enviou como Redentor e Salvador quando os tempos se cumpriram. Nele e por Ele, chama os homens a se tornarem, no Espírito Santo, seus filhos adotivos, e portanto os herdeiros da sua vida bem´aventurada´ (nº 9).

É preciso analisar essas palavras com muita atenção. É pelo Filho que o Pai refaz a comunhão da humanidade consigo. O Filho se faz a Igreja (Corpo Místico de Cristo). Pelo Batismo entramos nesse Corpo, e pelo Espírito Santo nos tornamos filhos adotivos e, como conseqüência, herdeiros, de novo, da vida bem´aventurada de Deus, que o pecado havia cancelado. Assim, voltaremos ao Paraíso.

Esta é a gloriosa história da nossa salvação que se completará pela Igreja, quando ela estiver plenamente glorificada em Deus. É por isso que Santo Agostinho dizia que:

´ A Igreja é o mundo reconciliado´.

Como a Igreja gloriosa é a consumação do Plano de Deus para a humanidade, nada mais importante do que conhecê´la, amá´la e servi´la com todas as nossas forças.

Quando Jesus a instituiu sobre Pedro e os Apóstolos, deixou claro que ela lhe pertence:

´Sobre esta Pedra edificarei a MINHA Igreja´ (Mt 16,18).

Ela é a Esposa de Cristo, que ele ama com um amor eterno. Por ela sofreu a paixão e derramou o seu sangue. Ele a ama como um Esposo apaixonado:

´Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá´la, purificando´a pela água do batismo, para apresentá´la a si mesmo toda glorificada, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível´ (Ef 5,25´27).

Essas palavras expressam o amor profundo de Jesus para com a ´sua´ Igreja. Esse amor é tão grande e tão fundamental, que Deus quis que cada casal na terra, pelo amor mútuo, refletisse na realidade cotidiana do matrimônio, esse amor. É por isso que São Paulo ao falar aos efésios, do matrimônio, diz que ´ é grande esse mistério, quero dizer, com referência a Cristo e a Igreja´.

A vida cotidiana do casamento nos ajuda a compreender melhor o amor de Cristo para com a sua Esposa ´ a Igreja ´ e, vice´versa.

São Paulo, que entendeu profundamente essa maravilha, exortou os maridos a amarem as suas esposas, ´como a seu próprio corpo´ (Ef 5,28). Com isto, quer dizer também que a Igreja é o próprio Corpo de Cristo. ´Quem ama a sua mulher ama a si mesmo´ (28). Quem ama a Igreja, ama a Cristo; é a mesma realidade.

O Papa Paulo VI, cujo amor à Igreja era imenso, assim se referiu a ela:

´A Igreja! Ela é nosso amor constante, nossa solicitude primordial, nosso pensamento fixo! ...

Não se ama a Cristo se não se ama a Igreja; e não amamos a Igreja se não a amamos como a amou o Senhor: ´Amou a Igreja e por ela se entregou´ (Ef 5,25)´.

É preciso destacar o que disse o Papa: ´Não se ama Cristo se não se ama a Igreja´, e podemos ir mais longe ainda e dizer: não se conhece a Cristo, se não se conhece a Igreja; não se serve a Cristo, se não se serve a Igreja; não se obedece a Cristo se não se obedece à Igreja; não se sujeita a Cristo, se não se sujeita à sua Igreja, não está na verdade de Cristo quem não está na verdade da Igreja...

O Concílio Vaticano II a chamou de ´Lumen Gentium´, isto é ´Luz das Nações´, pois a sua Luz é a mesma Luz de Cristo.

´Assim [Deus] estabeleceu congregar na Santa Igreja os que crêem em Cristo. Desde a origem do mundo a Igreja foi pré´figurada. Foi admiravelmente preparada na história do povo de Israel e na antiga aliança. Foi fundada nos últimos tempos. Foi manifestada pela efusão do Espírito Santo. E no fim dos tempos será gloriosamente consumada quando, segundo se lê nos Santos Padres, todos os justos desde Adão, ´do justo Abel ao último eleito´, serão congregados junto ao Pai na Igreja universal´ (LG , 2).

É preciso termos bem claro que Deus decidiu estabelecer o seu Reino entre nós, através da Igreja. Ensina´nos a ´Lumen Gentium´ que a Igreja tem ´a missão de anunciar e estabelecer em todas as gentes o Reino de Cristo e de Deus, e constitui ela própria na terra o germe e o início deste Reino´ (LG ,5).

Sem a Igreja não há, portanto, Reino de Deus.

Santo Agostinho escreveu que:

´A Igreja recebeu as chaves do Reino dos Céus para que se opere nela a remissão dos pecados pelo sangue de Cristo e pela ação do Espírito Santo. É nesta Igreja que a alma revive, ela que estava morta pelos pecados´.

O Catecismo mostra toda a realidade, beleza, missão e identidade da Igreja, ao ensinar que ela é:

´ Um projeto nascido no coração do Pai´ (nº 759),
´Prefigurada desde a origem do mundo´(nº 760),
´Preparada na Antiga Aliança´ (nº761),
´Instituída por Jesus Cristo´(nº 763),
´Manifestada pelo Espírito Santo´ (nº 767),
´A ser consumada na glória´ (nº769),
´ Mistério da união dos homens com Deus´ (nº772),
´Sacramento universal da salvação´ (nº774),
´Comunhão com Jesus´ (nº787),
´Corpo de Cristo´ (nº787),
´Esposa de Cristo´ (nº796),
´Templo do Espírito Santo´ (nº797),
´Povo de Deus´ (nº781).
Todas essas expressões são profundíssimas e precisam ser analisadas e conhecidas para podermos compreender o desígnio de Deus em relação à Igreja. Sem isto não a amaremos como é necessário e como pediu o Papa Paulo VI.

Alguns perguntam: por que a Igreja ? Não basta a fé em Jesus Cristo?

A resposta é, que foi o próprio Jesus quem quis a Igreja como prolongamento de sua presença salvadora no meio dos homens. Ele nos deu a Igreja e o seu Credo, como garantia de que não estamos seguindo apenas o nosso bom senso, ou uma religiosidade amorfa, mas estamos seguindo o caminho de Deus.

A Igreja é conseqüência direta do mistério da Encarnação, seu prolongamento.

Muitos querem hoje dizer Sim à Cristo, e Não à Igreja; mas isto afeta a própria identidade do Cristianismo. A Igreja, instituída por vontade de Cristo, com suas normas, como prolongamento da Encarnação do Verbo de Deus, se tornou o lugar privilegiado do encontro dos homens com Cristo e com o Pai.

Quem pergunta: ´Por que a Igreja?´, incorre no mesmo erro de quem pergunta: ´Por que Cristo?´ Cristo veio do Pai e deixou a Igreja. O Pai enviou Jesus para a salvação do mundo, e Cristo enviou a Igreja.

Muitos hoje querem a Igreja na forma de uma ´democracia moderna´, onde tudo se decida pela vontade da maioria. Ela seria então como um grande Clube religioso, de normas ´flexíveis´, mais assimiláveis. A conseqüência disso ´ e o grande engano ´ é que neste caso o homem seria guiado unicamente por si mesmo, e não por Deus. Não seria mais ´a Igreja de Deus´ (1Tm3,15).

Pelo fato da Igreja ter a sua vida guiada pela Tradição que vem de Cristo e dos Apóstolos, dá´nos a garantia de que é o próprio Jesus, presente nela, que a conduz.

O primeiro ´Sacramento´, o fundamental, é a santíssima humanidade de Jesus, através da qual (gestos, palavras) passava a graça de Deus. A Igreja é a continuação desse ´Sacramento´; por isso São Paulo a chama simplesmente de ´o Corpo de Cristo´ (Cl 1,24).

As expressões terminais desse Sacramento ´Cristo ´ Igreja´, são os sete Sacramentos, que levam a salvação ao homem, do nascer até o morrer. E sem a Igreja não há sacramentos; logo, não há salvação. Daí podemos ver claramente que a Igreja é tão essencial ao Cristianismo quanto o mistério da Encarnação do Verbo.

Num Cristianismo sem a Igreja instituída por Cristo (Mt 16,16s) sobre Pedro e os Apóstolos, o próprio Cristo ficaria mutilado, como que degolado...

E essa Igreja é a única e una, católica (universal), apostólica e romana.

Os textos bíblicos, com referência à função de Pedro e dos Apóstolos, deixam claro que Jesus quis uma Igreja estruturada e jurídica, sob o pastoreio supremo de Pedro, e não como querem os protestantes, apenas uma comunidade espiritual reunida só pela fé e pelo amor. Como ensina o Catecismo, ela é: ´ao mesmo tempo visível e espiritual´(nº770), e afirma que:

´O Senhor Jesus dotou a Sua comunidade de uma estrutura que permanecerá até a plena consumação do Reino´(nº761).

Jesus tinha consciência de que a Sua Igreja teria uma longa duração sobre a face da terra até cumprir a missão de trazer para Deus toda a humanidade. As parábolas sobre a Igreja mostram isso. A do joio e do trigo (Mt 13,1´30) nos mostra que os bons e os pecadores vão conviver na Igreja, juntos, até o fim do mundo. Jesus, ao explicar a parábola para os discípulos, diz´lhes que:

´A colheita é o fim do mundo´(Mt 13,40); e que só então ´o Filho do homem enviará seus anjos que retirarão do reino todos os escândalos e todos os que fazem o mal... Então no reino do seu Pai, os justos resplandecerão como o sol´ (vs 41´42).

A parábola do grão de mostarda (Mt 13,31´32) também indica a longa caminhada e edificação da Igreja na terra, de maneira permanente e durável.

´É a menor de todas as sementes, mas quando cresce, torna´se um arbusto maior que todas as hortaliças, de sorte que os pássaros do céu vêm aninhar´se em seus ramos´.

O Reino de Deus [a Igreja], comparado à rede lançada ao mar e que apanha peixes bons e ruíns (Mt 13,47´50), mostra´nos também que a Igreja veio para ficar até o fim dos tempos, pois Jesus afirma que só então será feita a separação:

´Assim será no fim do mundo: os anjos virào separar os maus do meio dos justos, e os arrojarão na fornalha, onde haverá choro e ranger de dentes´.

Ainda as parábolas do banquete (Mt 8,19s) e do fermento na massa (Mt 13,33s), indicam que a Igreja teria uma longa e paciente missão a cumprir, até a plena consumação do Reino.

A Igreja não é portanto, apenas uma ´Sociedade dos Amigos de Jesus e do Evangelho´, é muito mais do que isso, é uma Instituição criada pelo próprio Jesus, integrada Nele, o Seu próprio Corpo, para desta forma ser o seu prolongamento na história dos homens, reunindo´os Nele, para trazê´los de volta para a Casa do Pai.

Por tudo isso, os cristãos dos primeiros tempos não tinham dúvidas em afirmar que :

´O mundo foi criado em vista da Igreja´.

São Clemente de Alexandria (†215), por exemplo, dizia:

´Assim como a vontade de Deus é um ato e se chama mundo, assim também sua intenção é a salvação dos homens, e se chama Igreja´(CIC,760).

Esta é a Santa Igreja do Pai, do Filho, e do Espírito Santo, que São Paulo gosta de chamar de ´a Igreja de Deus´(1Tm3,15; At20,28).

Muitos e muitos filhos dessa querida Mãe souberam ser´lhe fiel até o fim. Em 1988, Monsenhor Ignatius Ong Pin´Mei, Bispo de Shangai, no dia seguinte de sua libertação, depois de passar 30 longos anos nas prisões da China, por amor a Cristo e fidelidade à Igreja Católica, declarou:

´Eu fiquei fiel à Igreja Católica Romana. Trinta anos de prisão não me mudaram. Eu guardei a fé. Eu estou pronto amanhã a voltar novamente à prisão para defender minha fé´(PR).

Igualmente o Cardeal da Tchecoslováquia, Frantisek Tomasek, arcebispo de Praga, no ano de 1985, nos tempos difíceis da perseguição comunista, perguntado por um repórter: ´Eminência, não está cansado de combater sem êxito?´, respondeu:

´Digo sempre uma coisa: quem trabalha pelo Reino de Deus faz muito; quem reza, faz mais; quem sofre, faz tudo. Este tudo é exatamente o pouco que se faz entre nós na Tchecoslováquia´( IL Sabato 8,14/06/85, p.11),( PR,n.284, jan86).

É bom recordar aqui que, alguns anos depois, em 1989, o comunismo começava a desmoronar em toda a Cortina de Ferro...

Que o Senhor da Igreja, por intercessão de Sua Mãe Virgem e Santíssima, e do seu glorioso pai, São José, patrono universal da Igreja, conceda a todos aqueles que lerem piedosamente essas páginas, um amor profundo à sua Santa Esposa, a Jerusalém celeste, na qual viveremos toda a eternidade em Deus. Amém. ´A MINHA IGREJA´

Com essas palavras Jesus se dirigiu a Pedro ao confiar´lhe o mandato de governar a Sua Igreja, deixando claro que a Igreja é ´propriedade´ Dele.

Na verdade, a Igreja é, por desejo de Deus, o próprio Corpo do Senhor. Ele a quis como o Seu Corpo Místico, constituído como o ´Sacramento universal da salvação da humanidade´ (LG,48), isto é, o meio escolhido por Deus para salvar a todos.

Ela é o prolongamento da Encarnação de Jesus no meio dos homens, para formar, Nele, a grande família dos filhos de Deus. ´A Igreja é a trajetória do Cristo através dos séculos´, como disse Denis Bourgerie. Ou ainda, ´a Igreja é o Corpo do Senhor, e o ostensório do Seu coração´, como disse Maurice Zundel. Bossuet preferiu dizer que: ´A Igreja é Jesus Cristo derramado e comunicado a toda a terra´.Tudo pode ser resumido na palavra de um grande Padre do primeiro século, Santo Inácio de Antioquia (†110), ao dizer que:

´Onde está o Cristo Jesus está a Igreja Católica´.

Nestas páginas queremos aprofundar no Mistério da Igreja, na sua missão e identidade.

O pecado, desde a origem, dispersou a humanidade, quebrou a unidade e a comunhão dos homens com Deus, rompeu o belo plano de amor que o paraíso terrestre nos mostra.

Deus Pai nos criou para Si, para que fossemos a Sua família, destinados a participar da Sua comunhão íntima e desfrutar da Sua vida bem´aventurada. O pecado ´ a mais triste realidade ´ rompeu esse belo Plano de amor e ´dispersou´ os filhos de Deus, dilacerou a Sua família e feriu o próprio Deus. Por Jesus e pela Igreja, o Pai quis então refazer a Sua obra e trazer de volta os seus filhos para a Sua Comunhão. É nesse sentido que o Catecismo da Igreja Católica (CIC), afirma que :

´A convocação da Igreja é por assim dizer a reação de Deus ao caos provocado pelo pecado´(CIC,761).

O Catecismo já no seu início, nos ensina esta grande verdade:

´Deus, infinitamente Perfeito e bem aventurado em si mesmo, em um desígnio de pura bondade, criou livremente o homem para fazê´lo participar de sua vida bem´aventurada.

Eis por que, desde sempre e em todo lugar, está perto do homem. Chama´o e ajuda´o a procurá´lo, a conhecê´lo e a amá´lo com todas as suas forças. Convoca todos os homens, dispersos pelo pecado, para a unidade da sua família, a Igreja´ (CIC, 1).

Esse primeiro parágrafo do Catecismo contém, em síntese, a História da salvação. Deus criou a humanidade como a ´sua família´; mas o pecado dispersou os seus filhos; e agora Deus os reúne novamente pela Igreja, o próprio Corpo de Jesus, enviado aos homens. É nesse contexto que sobressai toda a realidade e importância da Igreja ´ a família de Deus.

E o Catecismo, ainda no primeiro parágrafo, explica como Deus refaz a sua família:

´Faz isto através do Filho, que enviou como Redentor e Salvador quando os tempos se cumpriram. Nele e por Ele, chama os homens a se tornarem, no Espírito Santo, seus filhos adotivos, e portanto os herdeiros da sua vida bem´aventurada´ (nº 9).

É preciso analisar essas palavras com muita atenção. É pelo Filho que o Pai refaz a comunhão da humanidade consigo. O Filho se faz a Igreja (Corpo Místico de Cristo). Pelo Batismo entramos nesse Corpo, e pelo Espírito Santo nos tornamos filhos adotivos e, como conseqüência, herdeiros, de novo, da vida bem´aventurada de Deus, que o pecado havia cancelado. Assim, voltaremos ao Paraíso.

Esta é a gloriosa história da nossa salvação que se completará pela Igreja, quando ela estiver plenamente glorificada em Deus. É por isso que Santo Agostinho dizia que:

´ A Igreja é o mundo reconciliado´.

Como a Igreja gloriosa é a consumação do Plano de Deus para a humanidade, nada mais importante do que conhecê´la, amá´la e servi´la com todas as nossas forças.

Quando Jesus a instituiu sobre Pedro e os Apóstolos, deixou claro que ela lhe pertence:

´Sobre esta Pedra edificarei a MINHA Igreja´ (Mt 16,18).

Ela é a Esposa de Cristo, que ele ama com um amor eterno. Por ela sofreu a paixão e derramou o seu sangue. Ele a ama como um Esposo apaixonado: ´Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá´la, purificando´a pela água do batismo, para apresentá´la a si mesmo toda glorificada, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível´ (Ef 5,25´27).

Essas palavras expressam o amor profundo de Jesus para com a ´sua´ Igreja. Esse amor é tão grande e tão fundamental, que Deus quis que cada casal na terra, pelo amor mútuo, refletisse na realidade cotidiana do matrimônio, esse amor. É por isso que São Paulo ao falar aos efésios, do matrimônio, diz que ´ é grande esse mistério, quero dizer, com referência a Cristo e a Igreja´.

A vida cotidiana do casamento nos ajuda a compreender melhor o amor de Cristo para com a sua Esposa ´ a Igreja ´ e, vice´versa.

São Paulo, que entendeu profundamente essa maravilha, exortou os maridos a amarem as suas esposas, ´como a seu próprio corpo´ (Ef 5,28). Com isto, quer dizer também que a Igreja é o próprio Corpo de Cristo. ´Quem ama a sua mulher ama a si mesmo´ (28). Quem ama a Igreja, ama a Cristo; é a mesma realidade.

O Papa Paulo VI, cujo amor à Igreja era imenso, assim se referiu a ela:

´A Igreja! Ela é nosso amor constante, nossa solicitude primordial, nosso pensamento fixo! ...

Não se ama a Cristo se não se ama a Igreja; e não amamos a Igreja se não a amamos como a amou o Senhor: ´Amou a Igreja e por ela se entregou´ (Ef 5,25)´.

É preciso destacar o que disse o Papa: ´Não se ama Cristo se não se ama a Igreja´, e podemos ir mais longe ainda e dizer: não se conhece a Cristo, se não se conhece a Igreja; não se serve a Cristo, se não se serve a Igreja; não se obedece a Cristo se não se obedece à Igreja; não se sujeita a Cristo, se não se sujeita à sua Igreja, não está na verdade de Cristo quem não está na verdade da Igreja...

O Concílio Vaticano II a chamou de ´Lumen Gentium´, isto é ´Luz das Nações´, pois a sua Luz é a mesma Luz de Cristo.

´Assim [Deus] estabeleceu congregar na Santa Igreja os que crêem em Cristo. Desde a origem do mundo a Igreja foi pré´figurada. Foi admiravelmente preparada na história do povo de Israel e na antiga aliança. Foi fundada nos últimos tempos. Foi manifestada pela efusão do Espírito Santo. E no fim dos tempos será gloriosamente consumada quando, segundo se lê nos Santos Padres, todos os justos desde Adão, ´do justo Abel ao último eleito´, serão congregados junto ao Pai na Igreja universal´ (LG , 2).

É preciso termos bem claro que Deus decidiu estabelecer o seu Reino entre nós, através da Igreja. Ensina´nos a ´Lumen Gentium´ que a Igreja tem ´a missão de anunciar e estabelecer em todas as gentes o Reino de Cristo e de Deus, e constitui ela própria na terra o germe e o início deste Reino´ (LG ,5).

Sem a Igreja não há, portanto, Reino de Deus.

Santo Agostinho escreveu que:

´A Igreja recebeu as chaves do Reino dos Céus para que se opere nela a remissão dos pecados pelo sangue de Cristo e pela ação do Espírito Santo. É nesta Igreja que a alma revive, ela que estava morta pelos pecados´.

O Catecismo mostra toda a realidade, beleza, missão e identidade da Igreja, ao ensinar que ela é:

´ Um projeto nascido no coração do Pai´ (nº 759),
´Prefigurada desde a origem do mundo´(nº 760),
´Preparada na Antiga Aliança´ (nº761),
´Instituída por Jesus Cristo´(nº 763),
´Manifestada pelo Espírito Santo´ (nº 767),
´A ser consumada na glória´ (nº769),
´ Mistério da união dos homens com Deus´ (nº772),
´Sacramento universal da salvação´ (nº774),
´Comunhão com Jesus´ (nº787),
´Corpo de Cristo´ (nº787),
´Esposa de Cristo´ (nº796),
´Templo do Espírito Santo´ (nº797),
´Povo de Deus´ (nº781).
Todas essas expressões são profundíssimas e precisam ser analisadas e conhecidas para podermos compreender o desígnio de Deus em relação à Igreja. Sem isto não a amaremos como é necessário e como pediu o Papa Paulo VI.

Alguns perguntam: por que a Igreja ? Não basta a fé em Jesus Cristo?

A resposta é, que foi o próprio Jesus quem quis a Igreja como prolongamento de sua presença salvadora no meio dos homens. Ele nos deu a Igreja e o seu Credo, como garantia de que não estamos seguindo apenas o nosso bom senso, ou uma religiosidade amorfa, mas estamos seguindo o caminho de Deus.

A Igreja é conseqüência direta do mistério da Encarnação, seu prolongamento.

Muitos querem hoje dizer Sim à Cristo, e Não à Igreja; mas isto afeta a própria identidade do Cristianismo. A Igreja, instituída por vontade de Cristo, com suas normas, como prolongamento da Encarnação do Verbo de Deus, se tornou o lugar privilegiado do encontro dos homens com Cristo e com o Pai.

Quem pergunta: ´Por que a Igreja?´, incorre no mesmo erro de quem pergunta: ´Por que Cristo?´ Cristo veio do Pai e deixou a Igreja. O Pai enviou Jesus para a salvação do mundo, e Cristo enviou a Igreja.

Muitos hoje querem a Igreja na forma de uma ´democracia moderna´, onde tudo se decida pela vontade da maioria. Ela seria então como um grande Clube religioso, de normas ´flexíveis´, mais assimiláveis. A conseqüência disso ´ e o grande engano ´ é que neste caso o homem seria guiado unicamente por si mesmo, e não por Deus. Não seria mais ´a Igreja de Deus´ (1Tm3,15).

Pelo fato da Igreja ter a sua vida guiada pela Tradição que vem de Cristo e dos Apóstolos, dá´nos a garantia de que é o próprio Jesus, presente nela, que a conduz.

O primeiro ´Sacramento´, o fundamental, é a santíssima humanidade de Jesus, através da qual (gestos, palavras) passava a graça de Deus. A Igreja é a continuação desse ´Sacramento´; por isso São Paulo a chama simplesmente de ´o Corpo de Cristo´ (Cl 1,24).

As expressões terminais desse Sacramento ´Cristo ´ Igreja´, são os sete Sacramentos, que levam a salvação ao homem, do nascer até o morrer. E sem a Igreja não há sacramentos; logo, não há salvação. Daí podemos ver claramente que a Igreja é tão essencial ao Cristianismo quanto o mistério da Encarnação do Verbo.

Num Cristianismo sem a Igreja instituída por Cristo (Mt 16,16s) sobre Pedro e os Apóstolos, o próprio Cristo ficaria mutilado, como que degolado...

E essa Igreja é a única e una, católica (universal), apostólica e romana.

Os textos bíblicos, com referência à função de Pedro e dos Apóstolos, deixam claro que Jesus quis uma Igreja estruturada e jurídica, sob o pastoreio supremo de Pedro, e não como querem os protestantes, apenas uma comunidade espiritual reunida só pela fé e pelo amor. Como ensina o Catecismo, ela é: ´ao mesmo tempo visível e espiritual´(nº770), e afirma que:

´O Senhor Jesus dotou a Sua comunidade de uma estrutura que permanecerá até a plena consumação do Reino´(nº761).

Jesus tinha consciência de que a Sua Igreja teria uma longa duração sobre a face da terra até cumprir a missão de trazer para Deus toda a humanidade. As parábolas sobre a Igreja mostram isso. A do joio e do trigo (Mt 13,1´30) nos mostra que os bons e os pecadores vão conviver na Igreja, juntos, até o fim do mundo. Jesus, ao explicar a parábola para os discípulos, diz´lhes que:

´A colheita é o fim do mundo´(Mt 13,40); e que só então ´o Filho do homem enviará seus anjos que retirarão do reino todos os escândalos e todos os que fazem o mal... Então no reino do seu Pai, os justos resplandecerão como o sol´ (vs 41´42).

A parábola do grão de mostarda (Mt 13,31´32) também indica a longa caminhada e edificação da Igreja na terra, de maneira permanente e durável.

´É a menor de todas as sementes, mas quando cresce, torna´se um arbusto maior que todas as hortaliças, de sorte que os pássaros do céu vêm aninhar´se em seus ramos´.

O Reino de Deus [a Igreja], comparado à rede lançada ao mar e que apanha peixes bons e ruíns (Mt 13,47´50), mostra´nos também que a Igreja veio para ficar até o fim dos tempos, pois Jesus afirma que só então será feita a separação:

´Assim será no fim do mundo: os anjos virào separar os maus do meio dos justos, e os arrojarão na fornalha, onde haverá choro e ranger de dentes´.

Ainda as parábolas do banquete (Mt 8,19s) e do fermento na massa (Mt 13,33s), indicam que a Igreja teria uma longa e paciente missão a cumprir, até a plena consumação do Reino.

A Igreja não é portanto, apenas uma ´Sociedade dos Amigos de Jesus e do Evangelho´, é muito mais do que isso, é uma Instituição criada pelo próprio Jesus, integrada Nele, o Seu próprio Corpo, para desta forma ser o seu prolongamento na história dos homens, reunindo´os Nele, para trazê´los de volta para a Casa do Pai.

Por tudo isso, os cristãos dos primeiros tempos não tinham dúvidas em afirmar que :

´O mundo foi criado em vista da Igreja´.

São Clemente de Alexandria (†215), por exemplo, dizia:

´Assim como a vontade de Deus é um ato e se chama mundo, assim também sua intenção é a salvação dos homens, e se chama Igreja´(CIC,760).

Esta é a Santa Igreja do Pai, do Filho, e do Espírito Santo, que São Paulo gosta de chamar de ´a Igreja de Deus´(1Tm3,15; At20,28).

Muitos e muitos filhos dessa querida Mãe souberam ser´lhe fiel até o fim. Em 1988, Monsenhor Ignatius Ong Pin´Mei, Bispo de Shangai, no dia seguinte de sua libertação, depois de passar 30 longos anos nas prisões da China, por amor a Cristo e fidelidade à Igreja Católica, declarou:

´Eu fiquei fiel à Igreja Católica Romana. Trinta anos de prisão não me mudaram. Eu guardei a fé. Eu estou pronto amanhã a voltar novamente à prisão para defender minha fé´(PR).

Igualmente o Cardeal da Tchecoslováquia, Frantisek Tomasek, arcebispo de Praga, no ano de 1985, nos tempos difíceis da perseguição comunista, perguntado por um repórter: ´Eminência, não está cansado de combater sem êxito?´, respondeu:

´Digo sempre uma coisa: quem trabalha pelo Reino de Deus faz muito; quem reza, faz mais; quem sofre, faz tudo. Este tudo é exatamente o pouco que se faz entre nós na Tchecoslováquia´( IL Sabato 8,14/06/85, p.11),( PR,n.284, jan86).

É bom recordar aqui que, alguns anos depois, em 1989, o comunismo começava a desmoronar em toda a Cortina de Ferro...

Que o Senhor da Igreja, por intercessão de Sua Mãe Virgem e Santíssima, e do seu glorioso pai, São José, patrono universal da Igreja, conceda a todos aqueles que lerem piedosamente essas páginas, um amor profundo à sua Santa Esposa, a Jerusalém celeste, na qual viveremos toda a eternidade em Deus. Amém.

DO Livro: ´A MINHA IGREJA´ DO Prof. Felipe de Aquino
 
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