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Termo amplamente usado para designar a prática da Adoração ininterrupta ao Santíssimo Sacramento. O termo é utilizado no verdadeiro sentido literal, isto é, para indicar a Adoração fisicamente perpétua e, freqüentemente, no sentido moral, quando é interrompida somente por um breve período de tempo, por razões imperiosas ou ainda incontroláveis, enfim, quando possível; pode indicar ainda a Adoração ininterrupta por um longo ou curto período, um dia, ou vários dias - como na devoção das Quarenta Horas - ou ainda designa Adoração ininterrupta em uma igreja em particular, ou em diferentes igrejas, em uma localidade, diocese, país, ou por todo o mundo. Não é possível encontrar traços da existência de tal culto extra-litúrgico nos registros da Igreja primitiva; Cristian Lupus, na verdade, comenta que nos dias de Santo Ambrósio e Santo Agostinho era costume, entre os neófitos a Adoração durante oito dias após o Batismo, como Santíssimo Sacramento exposto, contudo, não há nenhuma prova concreta a esse respeito.
A Adoração aparece inicialmente na Idade Média, no começo do séc. XIII e, certamente, podemos supor que a Adoração estava relacionada com a reserva na Igreja nascente, especialmente em vista do evidente desejo de ter a Eucaristia representando a unidade e a continuidade da Igreja, e não seria razoável dizer que ela seria somente a continuação da Adoração, evidente, dada à Hóstia consagrada na Sinaxe (Oração Eucarística) e tal suposição não pode persistir.
· Diante do extraordinário fato de que nenhum indício de tal Adoração seja encontrado na vida dos Santos, conhecidos por sua grande devoção ao Santíssimo Sacramento na Sagrada Comunhão, também é notável que Santo Inácio em seu Exercícios Espirituais, quando chama a atenção para a vigilante presença de Deus com suas criaturas com o objetivo de despertá-las para o amor, não faz menção ao Santíssimo Sacramento.
· Devido a prática da Igreja Greco-Ortodoxa nos presentes dias, na qual, apesar de acreditarem explicitamente na transubstanciação, nunca considerou Nosso Senhor presente no Santíssimo Sacramento, "nosso companheiro, refúgio e alimento" (Thurston).
A lentidão com que a exposição do Santíssimo Sacramento tornou-se popular, bem como o lento crescimento das Visitas ao Santíssimo Sacramento (Pe. Bridget declara que, na Inglaterra, ele não teve um claro exemplo de visitas ao Santíssimo, no período da pré-Reforma [Thorston, ibid] ), criou uma dificuldade crescente para o caso de qualquer tipo de Adoração, perpétua ou temporária, fora da Missa e da Sagrada Comunhão, assim como as várias formas de devoção com elas inter-relacionadas.
A maioria dos liturgistas atribuem corretamente a Exposição do Santíssimo Sacramento e sua adoração à instituição da Solenidade de Corpus Christi, mas é importante destacar que o primeiro registro de Adoração Perpétua é anterior ao Corpus Christi, acontecida em Avignon, França, no dia 11 de setembro de 1226 em atenção ao pedido do rei Luís VII que havia sido vitorioso contra os Albigenses e o Santíssimo Sacramento devidamente velado, foi exposto na Capela da Sata Cruz, como ação de graças. Tão grande foi a multidão de adoradores que o bispo, Pierre de Corbie, decidiu continuar a adoração noite adentro, assim como durante o dia seguinte, proposta a seguir ratificada e aprovada pela Santa Sé.
Esta verdadeira Adoração perpétua, interrompida em 1792, reiniciou em 1829, através do empenho da "Confraria dos Penitentes-Gris" (Anais do Santo Sacramento, III,90) e se diz que havia uma Adoração Perpétua na Catedral de Lugo, Espanha por mais de cem anos, como expiação à heresia Prisciliana (a que se refere o Cardeal Vaughan em carta oficial ao Cardeal Primaz da Espanha, em 1895).
História
A exposição e conseqüentemente a Adoração tornou-se relativamente geral somente no décimo quinto século; é curioso notar que estas Adorações eram, usualmente por alguma razão peculiar, ou seja, pela cura de um enfermo ou na véspera de uma execução - na esperança de que o condenado tivesse uma morte feliz. A Ordem dos "Religiosi Bianchi del Corpo de Gesú Cristo", Religiosos Brancos do Corpo de Jesus Cristo, na reforma Beneditina, reunida em Citaeux, França, em 1393, foi aprovada posteriormente como uma Comunidade à parte, devotada à Adoração do Santíssimo Sacramento.
O rei Filipe da Espanha, fundou no Escorial, a Vigília do Santíssimo Sacramento, com religiosos em pares, permanecendo, sucessivamente, dia e noite, diante do Santíssimo Sacramento. A devoção das Quarenta Horas, começou praticamente em 1534 e foi oficialmente estabelecida em 1592, desenvolvendo efetivamente, e de forma geral, a Adoração Perpétua, disseminando-a em algumas igrejas de Roma até que gradualmente se estendeu pelo mundo. Pode-se dizer, portanto, que verdadeiramente, durante todas as horas do ano o Santíssimo Sacramento, solenemente exposto, é adorado por uma multidão de fiéis pelo mundo todo.
Em 1641 o Barão de Renty, conhecido por sua devoção ao Santíssimo Sacramento, fundou na paróquia de São Paulo, em Paris, uma associação de senhoras para a Adoração Perpétua e em 1648, em Saint-Sulpice, a Adoração Perpétua ininterrupta, foi estabelecida como reparação à profanação cometida por ladrões contra a Santa Eucaristia.
Em Lion, também na França, a Adoração Perpétua foi estabelecida em 1667 na igreja do Hôtel- Dieu. Em inúmeros lugares, por diferentes pessoas, leigos e religiosos, novas associações foram criadas e desde então, a história pode ser traçada a partir da valiosa obra de Jules Corblet, Histoire du Sacrament de l´Eucharistie, A história do sacramento da Eucaristia, (II,xviii). Um último registro importante a se noticiar é a organização, em Roma, em 1882, da "Adoração Perpétua das nações Católicas", representadas na Cidade Eterna, e que possui afilados através do mundo, cujo objetivo é oferecer a Deus uma reparação, renovada diariamente, por algumas das nações católicas com representação diplomática em Roma, nas igrejas em que as Quarenta Horas acontecem, na seguinte ordem:
· Domingos, por Portugal, Polônia, Irlanda e Lombardia; · Segunda-feira, pela Alemanha, Áustria, Hungria e Grécia; · Terça-feira pela Itália; · Quarta-feira, pela América do Norte e do Sul e Escócia; · Quinta-feira pela França; · Sexta-feira, pela Missões Católicas e pela Suíça; · Sábados, pela Espanha, Inglaterra e Bélgica.
É interessante notar que a propagação da Adoração Perpétua na França, aconteceu durante os séc. XVII e XVIII, em todas as igrejas e capelas de certas dioceses; as primeiras menções a esta prática remontam a 1658, quando as igrejas da diocese de Chartres foram abertas para esse fim, das seis horas da manhã até as seis da tarde e, onde houvesse uma comunidade religiosa que possuísse uma capela, a Adoração acontecia dia e noite. Assim também aconteceu em Amiens (1658); em Lion (1667); Evreux (1672); Rouen (1700) e Boulogne (1753); nesta última diocese as paróquias foram divididas em doze grupos, representando os doze meses do ano, cada grupo com tantas paróquias quantos os dias do mês e a cada grupo foi designado um determinado dia para a Adoração.
Na Bavária, Alemanha, o trabalho da Adoração Perpétua iniciou em 1674 e caiu em desuso, mas foi restabelecido em 1802 e em grande escala em 1873; na França a Adoração Perpétua interrompida pela Revolução Francesa, foi restaurada por Luis Filipe em algumas dioceses, mais especialmente em 1848, por influência do célebre pianista Hermann Cohen, que mais tarde tornou-se um Carmelita Descalço sob o nome de Padre Agostinho do Ssmo. Sacramento. Em seis dioceses francesas a Adoração é integralmente perpétua. Ela floresce também na Bélgica, em diferentes dioceses da Alemanha, na Itália, no México, no Brasil e outros países sul-americanos, nos Estados Unidos, Canadá e mesmo na Oceania.
A Adoração Noturna é organizada em inúmeros países por associações masculinas e a primeira Fraternidade para a Adoração Noturna, denominada "Pia Unione di Adoratori dei SS. Sacramento", foi fundada em Roma em 1810. Em Paris, antes da aprovação das Leis das Associações, a Adoração Noturna era praticada em mais de trinta igrejas e capelas com a participação de mais de duzentos e cinqüenta homens. Em Roma, a Adoração Noturna, fundada em 1851, e erigida como ArquiConfraria em 1858, praticamente completa a cadeia de associações que prestam, no estrito sentido, a Adoração do Santíssimo Sacramento.
Seria impossível colocar aqui, relacionar, o grande número de associações eucarísticas, leigas e clericais, formadas exclusivamente para a Adoração Perpétua; em complemento às comunidades e associações acima citadas, enumeramos somente as mais importantes sociedades cujo objetivo tem sido a Adoração Perpétua. Um alista exaustiva e comparativa poderá ser encontrada em Corblet (op. cit. II, 444 ss.)
· Sociedade de Picpus, fundada em 1594, tendo como finalidade venerar a vida oculta de Jesus na Adoração Perpétua do Santíssimo Sacramento. · Em 1868 o privilégio da Adoração Perpétua foi concedido pelo Papa Pio IX às Irmãs da Ordem Segunda de S. Domingos no mosteiro de Quellins, próximo a Lion, França. Esta ordem foi fundada pessoalmente por S. Domingos em 1206, com a sua Constituição baseada na Regra de Santo Agostinho; esse privilégio foi estendido a alguns poucos mosteiros, como o de Newark, New Jersey, Hunt´s Point e a cidade de Nova York, nos Estados Unidos, que foram fundados a partir de Quellins, mas não a outros conventos da ordem. · Em 1647, as Bernardinas de Port Royal, associaram-se ao Instituto da Adoração Perpétua do Santíssimo Sacramento e uniram seu título original ao das Filhas do Santíssimo Sacramento. · Ana da Áustria, fundou através da irmã Matilde, uma Beneditina, a primeira comunidade de Beneditinas da Adoração Perpétua do Santíssimo Sacramento, em 1654, um Instituto presente em toda a Europa continental, com membros que fazem voto solene de Adoração Perpétua; durante a missa conventual um membro da comunidade se ajoelha no centro do côro, tendo uma corda ao redor do pescoço, e nas mãos uma tocha acesa, como reparação à Sagrada Eucaristia, tão freqüentemente insultada. Sua senha e saudação (epígrafe) em sua correspondência e visitas, no início da oração do Ofício, a primeira palavra ao acordar e a última ao se deitar, é a frase "Louvado seja o Santíssimo Sacramento do Altar". · A ordem dos Religiosos de São Norberto, fundada em 1767 em Core, Suiça, adora o Santíssimo Sacramento, cantando hinos na língua alemã. · As Adoradoras Perpétuas do Santíssimo Sacramento, conhecidas como Sacramentinas, foram constituídas em Roma, por uma irmã franciscana, e aprovadas por Pio VII em 1807 e durante a sua Adoração noturna o Santíssimo permanece no tabernáculo. · A congregação das Irmãs da Adoração Perpétua de Quimpers foi fundada em 1835 em Eisiedeln, Suíça, usam um pequeno ostensório sobre o peito para indicar a sua função especial da adoradoras perpétuas. · A congregação das Senhoras da Adoração Reparadora, fundada após a Revolução de 1838, tem três classes de membros, as quais tem o dever comum da Adoração Perpétua. · A congregação das Irmãs da Adoração Perpétua e das Pobres Igrejas, fundada originalmente na Bélgica, tem casas pelo mundo todo; por um decreto especial da Congregação das Indulgências a sede da arquiconfraria foi transferida para Roma em 1879, onde foi absorvida pela arquiconfraria do mesmo nome, já existente; seu trabalho, contudo, não é estritamente a Adoração Perpétua. · A Sociedade do Santíssimo Sacramento fundada em 1857 pelo Pe. Eymard, é possivelmente a mais conhecida de todas; seus membros dividem-se em três classes: a) os religiosos, contemplativos consagrados à Adoração Perpétua; b) os religiosos contemplativos e ativos que estão engajados no sagrado ministério; c) a Terceira Ordem, padres e leigos, que seguem somente parte da regra. Esta sociedade mantém uma publicação mensal, eucarística, "Le Trés Saint Sacrement", tem uma sociedade auxiliar de religiosas, e suas casas em Montreal, no Canadá e em Nova York, são muito conhecidas. · A Liga Eucarística dos Padres, através da sua publicação mensal "Emmanuel", praticamente mantém a Adoração Perpétua entre seus membros do clero.
Seria impraticável aqui enumerar as indulgências especiais concedidas às estas diferentes associações e comunidades.
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