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Artigo - João Paulo II e o Laicato
Com muita alegria e grande esperança devemos reconhecer a significativa atenção que o Papa João Paulo II tem dado ao laicato católico durante esses 25 anos de pontificado.
Dirigindo-se aos leigos, o Papa João Paulo II faz um veemente apelo para que estejam atentos ao que o Concilio Vaticano II propõe para os leigos, apresentando-lhes extraordinárias perspectivas de envolvimento e de compromisso na missão da Igreja. O Concílio recorda a participação deles na função sacerdotal, profética e real de Cristo, e a eles é confiada, e de modo especial, a missão de \"procurar o reino de Deus, tratando das realidades temporais e ordenando-as segundo Deus\" (Lumen gentium, 31).
Seguindo com a doutrina do Concilio Vaticano II e após a realização do Sínodo dos Bispos de 1987 e promulgação da Exortação Apostólica Christifideles laici, que é o seu fruto, foi dado grande destaque a propósito da identidade dos leigos, fundada na “radical novidade que promana do batismo” (n. 10). A chamada feita a todos os membros do Corpo Místico de Cristo, a participar ativamente na edificação do povo de Deus, ressoa continuamente nos documentos do Magistério.
O apostolado dos leigos vem assumindo uma importância determinante para aproximar a Deus tantos homens e mulheres, pois é no ambiente que lhes é familiar – no trabalho, no lar e na sociedade em geral – onde o papel do leigo se torna imprescindível e, muitas vezes, insubstituível.
O Papa João Paulo II acentua também a importância das associações laicais que estão dando origem a novos movimentos, sodalícios e comunidades. Hoje, mais do que nunca, o apostolado dos leigos é indispensável para que o Evangelho seja luz, sal e fermento de uma nova humanidade.
Às portas do 3°. Milênio Deus chama os crentes, de modo especial, os leigos, a um renovado impulso. A missão não é acrescentada à vocação cristã. Pelo contrário, afirma o Concilio Vaticano II, a vocação cristã é por sua natureza vocação ao apostolado (cfr. Apostolicam actuositatem, 2). Cristo deve ser anunciado com o testemunho de vida e com a palavra, e, antes de ser um empenho estratégico e organizado, o apostolado comporta a gratificante e alegre comunicação a todos do dom do encontro com Cristo. Uma pessoa, ou uma comunidade, madura do ponto de vista evangélico é animada por uma intensa paixão missionária que a impele a dar testemunho de Cristo em cada circunstancia e situação, em cada contexto social, cultural e político.
Lembramos, ainda, os encontros da Juventude promovidos pelo Papa João Paulo II nestes anos. Milhões de jovens se movimentaram no mundo todo para poder ter o seu encontro com o Papa. E com que encanto e beleza se deram esses encontros do Papa como os jovens. Aí os jovens se sentem acolhidos e acarinhados pelo pai de todos e têm no Papa João Paulo II o modelo de vida comprometida com a verdade de Jesus Cristo. Através desses encontros a juventude se sente mais Igreja e também se compromete mais com o seu protagonismo evangelizador. Os jovens se vêem motivados sempre mais a serem verdadeiros missionários para a transformação da humanidade e a construção da sociedade de paz, de justiça, de amor e solidariedade.
Por tudo isso, louvamos e agradecemos a Deus pelos 25 anos de pontificado do Papa João Paulo II e pedimos a Deus que continue amparando-o com a força do Espírito Santo a fim de ser fiel à sua missão até o fim.
Dom Mauro Montagnoli CSS Bispo de Ilhéus, BA Presidente da Comissão para o Laicato
Publicado pela CNBB 3/10/2003
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