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Mutirão para um novo Brasil PDF Imprimir E-mail
Escrito por Silas   
17-Nov-2003

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
Professor do Seminário de Mariana -MG


A CNBB através do setor Pastoral Social já colocou em andamento a quarta Semana Social Brasileira. Trata-se de uma metodologia de ponderações acuradas que gerem discussões práticas para um projeto do desenvolvimento nacional, visando uma sociedade mais evangélica.

Nem é uma proposta para reflexões apressadas, mas sim um processo que deve se desenrolar durante três anos de 2004-2006. O cronograma de atividades inclui Semanas Sociais Regionais, Diocesanas, Locais, enfim, envolvendo os mais diversos setores pastorais da Igreja. Todos os trabalhos deverão se convergir para encontros por grandes regiões em 2006, ou seja, norte, nordeste, sul, sudeste e centro-oeste.

O tema geral é chamativo:"Articulação das forças sociais para construção do Brasil que queremos". Logo se percebe uma mobilização geral e uma participação efetiva, pois não adianta ficar clamando contra as injustiças e paradoxos políticos se cada cidadão não sentir profundamente que a pátria é de todos e que deve ser construída por todos. Aliás, isto vem claro no primeiro sub-tema levantado:"O Estado e seu papel na transformação da sociedade: os três poderes e a participação popular". Democracia supõe, de fato, a presença atuante da população. Por outro lado, o segundo sub-tema levará a uma conscientização dos perigos da dependência externa: "Soberania versus Império: Alca, FMI, Dívida externa, OMC, Migrações.

Cumpre, porém, acreditar na eficácia da união, dado que"um povo unido jamais será vencido, já proclamava célebre slogan, donde o terceiro sub-tema: "Forças sociais, resistência e organização. Os alicerces do atual contexto sócio-econômico são frágeis, o que leva fatalmente ao quarto sub-tema: "Crise de sustentabilidade e direitos humanos.

Cumpre, porém, que haja um sentimento arraigado de devotamento às idéias dentro de princípios morais objetivando um modelo plausível no bojo das aspirações mais recrescentes do povo, e, por isto, são eixos que perpassam todo o processo: "Mística, ética e questão de gênero".

O Setor Pastoral Social da CNBB conta com a parceria de todos os movimentos da Igreja Católica, mas também as Igrejas cristãs do CONIC e CESE, entidades sindicais e estudantis e demais movimentos sociais do país e organizações em geral e demais associações interessadas num país no qual seja dado um basta a tanta marginalização.

Este mutirão conta com a uma qualificada assessoria dos organismos ligados à Comissão para o Serviço da Caridade, Justiça e Paz da CNBB e especialistas convidados nas diversas áreas do conhecimento. É um projeto ambicioso, mas profundamente patriótico, urgente e que precisa envolver toda a sociedade.

Cumpre encontrar soluções inteligentes para que se tenha no Brasil uma democracia autêntica face aos problemas do atual contexto mundial. Chega de encenação democrática! É preciso uma luta clarividente contra os males que atribulam mais da metade dos brasileiros, muitos vivendo em situações sub-humanas. Todo o programa do referido mutirão firmará um civismo esclarecido, que deve ser a virtude de todo cidadão cônscio de suas responsabilidades sociais.

O espírito cívico quando retamente cultivado oferece meios para o harmônico desenvolvimento da comunidade política global. É a melhor maneira de se combater os interesses particulares, subordinando ao bem comum todas as atividades, situando-as no seu lugar exato na ordem da Cidade. Como o civismo requer uma orientação apropriada, sumamente pedagógica é toda a programação acima descrita.

Todos mobilizados em torno de um porvir melhor! É necessário, de fato, a coesão interna de toda a nação para atingir os grandes propósitos para uma vida individual e coletiva à altura de seres humanos. É sob o clarão da doutrina cristã da ordem social que está sendo oferecido um estimulante para que todos contribuem para realizar o bem de toda a comunidade nacional.

A coesão de todos é indispensável para a defesa dos direitos inalienáveis que estão sendo conspurcados pela ganância, por uma globalização bárbara, que aumenta cada vez mais a concentração ignominiosa da renda nas mãos de uns poucos.

Portanto, participar do referido mutirão é um dever elementar de todo cristão que não pode se omitir sob pena de estar compactuando com as calamidades sociais que afligem milhões de patrícios. Da ação cívica de cada um depende o futuro que se deve construir para que as vindouras gerações encontrem uma pátria que seja de todos, construída por todos para o bem de todos.

Disponibilizado pela CNBB em 17/11/2003

 
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