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Ossuário que provava a existência dos "irmãos de Jesus" é uma fraude PDF Imprimir E-mail
18-Jun-2003

O Departamento de Antiguidades de Israel anunciou nesta quarta-feira (18/06/2003) que o ossuário no qual se lê a inscrição "Jacob, filho de José e irmão de Jesus" não passa de uma fraude. A divulgação desse ossuário em finais de 2002 causou alvoroço entre a imprensa sensacionalista e os meios protestantes, que viram nesse falso achado a prova que faltava à sua tese de que Jesus teve outros irmãos carnais e de que Maria teria tido outros filhos.

Shouka Dorfman, diretor do Departamento, deu uma coletiva de imprensa em Jerusalém para apresentar as conclusões - categóricas, segundo ele - das duas comissões encarregadas de verificar a autenticidade da peça arqueológica, que foi alvo de polêmica por ocasião do anúncio de sua descoberta, em outubro de 2002.

Composta por paleógrafos, geólogos, lingüistas e arqueólogos, as duas comissões chegaram à mesma conclusão: O ossuário é uma falsificação realizada recentemente.

O objeto é um ossuário feito em mármore similar aos encontrados em pesquisas arquelógicas anteriores, no qual se poder ler a frase em aramaico: "Jacob, filho de José e irmão de Jesus". Este tipo de ossuário, no qual aparece gravada a identidade do defunto, era corrente na época de Cristo.

"Ao examiná-lo, descobriu-se que a inscrição foi gravada recentemente", afirmou Dorfman, dando abundantes explicações sobre o trabalho das comissões que a analisaram.

A peça, de antigüidade e origem duvidosas são propriedade de um colecionador israelense, Oded Golan, que alega tê-las comprado em um antiquário da Cidade Velha de Jerusalém, cuja identidade afirma ter esquecido.

Os trabalhos das duas comissões israelenses duraram dois meses e meio.

Os responsáveis do Departamento de Antigüidades de Israel não abordaram, no entanto, o aspecto jurídico da questão. De fato, uma investigação está em andamento em relação ao proprietário das duas peças, acusado de ser cúmplice da falsificação.

O referido ossuário foi festejado como prova antes mesmo de divulgada sua análise de veracidade. No Brasil, além de virar tema de programas evangélicos e inúmeros sermões, serviu de base a diversas matérias publicadas na imprensa, principalmente a de um famoso semanário que trouxe em sua matéria de capa o instigante título "a família oculta de Jesus", além do lançamento de um livro que dizia trazer provas contundentes acerca dessa misteriosa família de Jesus não abordada pelos evangelistas. Tudo em vão, a peça é falsa e mais uma vez percebe-se o quanto é premente o uso da razão e do bom senso ao se deparar com notícias parecidas. Houve quem desse o caso por encerrado com a divulgação do referido achado, mas mais uma vez a verdade dos fatos provou ser diferente daquilo que os entusiástas do polêmico pregaram como verdade.

Fonte consultada: Agência AFP

 
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