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Santo Arsênio contou, em íntima palestra a história de um certo *anacoreta muito bom, mas, simplório, que afirmava que na Santa Hóstia, não estava Jesus, pessoalmente. A Hóstia era mais um sinal, a imagem do Salvador pela qual quisera comunicar suas graças.
Dois outros *anacoretas ouviram esta narração com grande pesar e procuraram aquele homem para o instruírem.
Este, então, confessou-lhes com maior simplicidade e respeito. Todos os argumentos e a eloqüência dos dois velhinhos foram inúteis. O velho não se deixou convencer, porque não compreendia como a Hóstia podia ser o Corpo de Jesus. Manifestando, porém, toda boa vontade, em procurar entender devidamente este adorável mistério. Os três combinaram, por três semanas a fio, suplicar a Deus, que se dignasse iluminá-los e fazê-los
Conhecer a verdade.
Deus atendeu-os por um milagre.No domingo seguinte, assistiram a Santa Missa. Durante a elevação, viram, claramente, como a espécie de pão na mão do sacerdote, se transformou em um belo menino. E quando o sacerdote partiu a Hóstia viram gotas de sangue cair do cálice.
No momento da Santa Comunhão, todos receberam a Jesus na espécie do pão, mas, quando o sacerdote elevou a Santa hóstia para depositá-la nos lábios do **anacoreta, a aparência do pão se transformou em aparência de Carne, tinta de Sangue.
O velho assustado pelo milagre exclamou em voz alta: “Senhor, creio que na espécie de pão está o vosso corpo e na espécie de vinho, está o vosso sangue!”
A Hóstia tomou, imediatamente, sua forma natural e o velho recebeu-a, devotamente.
Seus dois amigos, expondo suas doutrinas, disseram: “Deus sabe que nos havia de repugnar tomar o Corpo Sagrado de Jesus em sua forma natural, por isso, instituiu este adorável Sacramento, de modo tal que todos possam facilmente, recebê-lo. Esta forma, sob o símbolo de nosso alimento quotidiano encerra já em si, um convite a nos alimentar freqüentemente com o adorável Corpo de Jesus”.
Cristo mesmo nos disse: “A minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue é verdadeiramente, uma bebida” (Jo. 6,56).
*anacoreta- Religioso que vive isolado, só.
Leituras Eucarísticas – Extraído do livro: Leituras Eucharisticas – 1935 da Ed. Vozes – Frei Mariano Wentzen , cedido pela amiga Geralda Maia de Caxambu- MG - Contribuição de Lourdinha Salles e Passos – Paróquia São Francisco Xavier – Niterói – RJ – Padres Orionitas: Pedro e Rafael.
27 - A Teimosia do Velho Anachoreta (Pág.87)
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