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Dom Demétrio Valentini, bispo de Jales (SP)
Neste mês de janeiro, as crianças não estão na escola, os professores não estão nas salas de aula, e muitos podem interromper suas atividades normais, tirando suas merecidas férias. O temo de férias é importante e abençoado. Não é por nada que a Bíblia conclui o seu impressionante relato da criação, colocando o descanso como ponto culminante de toda a obra de Deus. O relato da criação é tido, agora, como umas das páginas mais famosas da literatura mundial. Superados os preconceitos do tempo do cientificismo, em que a Bíblia foi tida, açodadamente, como superada, pelo equívoco de não se entender o caráter simbólico de suas páginas iniciais, agora se percebe o vigor de sua expressão, que aponta para verdades bonitas e encantadoras. Uma delas é, exatamente, a respeito do valor do descanso. Ficou lugar comum achar que o final da obra de Deus, segundo o simbolismo da “semana da criação”, era o homem e a mulher, que aparecem no sexto dia. Na verdade, o homem não é colocado no topo da criação. Como ponto de chegada, a Bíblia coloca o descanso, que de maneira alguma é tido como vazio ou sem sentido. Ao contrário, o descanso é expressa o retorno à condição divina, de serenidade e de paz, de plenitude e de harmonia, de gozo e de comunhão. Assim, a própria Bíblia insinua o ponto de chegada de toda o projeto de Deus: o descanso permanente, junto a Ele, na plenitude da eternidade. Desta maneira, as férias se tornam símbolo da plena gratuidade, a que Deus nos chama, como desfecho de toda a nossa existência terrena. As férias são, assim, sacramento da graça de Deus. Daí a importância de vivê-las de acordo com esta finalidade, que as caracteriza e lhe dá sentido. “É na oração e no descanso que encontrareis vossa força”, diz a Palavra de Deus. Durante as férias podemos melhor experimentar esta verdade. Viver os dias na gratuidade, percebendo a ligação que eles possuem com Deus, que é a fonte de toda gratuidade. Bom seria que todos pudessem ter os seus dias de férias. Este é um direito, que deve decorrer da maneira como todo o sistema econômico deveria estar estruturado. Não só para reservar dias de descanso, mas para que o trabalho possa ser feito com dignidade e com alegria. Em todo o caso, as férias nos ensinam a realizar o trabalho com prontidão de espírito, fazendo dele um motivo de alegria, que nos leva ao merecido repouso de cada noite. Que cada ano, e cada dia, nos ajude a perceber o amor gratuito de Deus, e a vivê-lo com alegria e intensidade. Boas férias para todos!
Disponibilizado pela CNBB em 25/1/2004
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