Busca no Site

Interativos

Receba nossas novidades



Receber em HTML?

Enquete

Você concorda com a condenação da Igreja ao uso de preservativos?
 

Compartilhe este site

Faça um pedido de oração





  
Informe o código de segurança para confirmar:
 

Fátima - História e Mensagem PDF Imprimir E-mail
Escrito por Elbson Araujo   

Texto extraído do Guia do Peregrino de Fátima, edição do Santuário, 1990, no qual se apresenta um apanhado das descrições de Lúcia das aparições e dos principais aspectos do que habitualmente se designa «Mensagem de Fátima»

 

Os fatos e a Mensagem de Fátima formam uma unidade perfeita, constituída por três momentos: as aparições do Anjo em 1916, as Aparições de Nossa Senhora, em 1917, e as aparições complementares de Pontevedra (1925-26) e Tuy (1929).

 

1. AS APARIÇÕES DO ANJO

 

O anjo de Fátima, como os anjos bíblicos, preparou os caminhos do Senhor. A primeira aparição deu-se durante a primavera de 1916, no lugar chamado "Cabeço". Lúcia, Francisco e Jacinta viram "uma luz mais branca que a neve, com a forma de jovem transparente, mais brilhante que um cristal, atravessado pelos raios do sol".

- Não temais. Sou o Anjo da Paz. Orai comigo.

Ajoelhando-se, mandou repetir às crianças três vezes:

- Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam.

Depois, ergueu-se e disse:

- Orai assim. Os corações de Jesus e Maria estão atentos à voz das vossas súplicas.

A segunda aparição teve lugar durante o Verão, junto do poço do quintal da casa de Lúcia.

- Que fazeis? Orai! Orai muito! Os corações de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente ao Altíssimo orações e sacrifícios.

- Como nos havemos de sacrificar?

- De tudo que puderdes, oferecei um sacrifício em ato de reparação pelos pecados com que ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores. Atraí, assim, sobre a vossa Pátria, a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo, aceitai e suportai com submissão o sofrimento que o Senhor vos enviar.

A terceira aparição deu-se no Outono, de novo na Loca do Cabeço. As crianças começaram a rezar "Meu Deus, eu creio, ..." quando deram conta que sobre elas brilhava uma luz desconhecida. Viram, então, o Anjo, que segurava na mão esquerda um cálice, sobre o qual estava suspensa uma hóstia. Desta caíam dentro do cálice algumas gotas de sangue. O Anjo ajoelhou diante delas e convidou-as a repetir por três vezes a seguinte oração:

- "Santíssima Trindade, pai, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente, e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E, pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores".

Em seguida, o Anjo ergueu-se, tomou de novo o cálice e a hóstia, que tinham ficado suspensos no ar e deu a hóstia à Lúcia e o que continha o cálice ao Francisco e à Jacinta, dizendo ao mesmo tempo:

- Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o Vosso Deus.

 

2. AS APARIÇÕES DE NOSSA SENHORA

 

O dia 13 de Maio de 1917 era Domingo.Depois de terem ido à Missa à paróquia, as crianças tinham levado as ovelhas a pastar para um lugar a dois quilômetros de Aljustrel, chamado "Cova da Iria". O céu estava azul e claro, mas, a dado instante, pareceu-lhes ver um relâmpago. Receando tempestade, juntaram o gado para o conduzir para casa. De repente, viram outro clarão... e ali, a poucos passos deles, sobre uma pequena azinheira, apareceu a figura de "uma Senhora vestida toda de branco, mais brilhante que o sol, espargindo luz, mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente".

- Não tenhais medo. Eu não vos faço mal.

- Donde é Vossemecê?

- Sou do Céu.

 - E que é que Vossemecê me quer?

- Vim para vos pedir que venhais aqui seis meses seguidos, no dia 13, a esta mesma hora. Depois vos direi quem sou e o que quero.

- E eu também vou para o Céu?

- Sim, vais.

- E a Jacinta?

- Também.

- E o Francisco?

- Também, mas tem que rezar muitos terços.

Lúcia fez ainda mais algumas perguntas. Por fim, Nossa Senhora perguntou-lhes:

- Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?

- Sim, queremos.

- Ides, pois, ter muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto.

Ao dizer estas últimas palavras, Nossa Senhora abriu as mãos, num gesto acolhedor de Mãe, oferecendo o seu Coração. Um misterioso reflexo de luz desceu até às crianças penetrando-lhes a alma e fazendo-as verem-se envolvidas em Deus, "mais claramente do que nos vemos no melhor dos espelhos", - diz Lúcia. Finalmente, Nossa Senhora acrescentou:

- Rezem o terço todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra.

No dia 13 de Junho, os pastorinhos, acompanhados de algumas pessoas, estavam a rezar o terço, quando, de novo, viram o misterioso clarão. Lúcia iniciou o diálogo:

- Vossemecê que me quer?

- Quero que venhais aqui no dia 13 do mês que vem, que rezeis o terço todos os dias e que aprendam a ler. Depois direi o que quero.

Lúcia pediu a cura de um doente. Nossa Senhora respondeu:

- Se se converter, curar-se-á durante o ano.

- Queria pedir-lhe para nos levar para o Céu.

- Sim, a Jacinta e o Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-Se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. A quem a abraçar, prometo a salvação e serão queridas por Deus, como flores postas por mim a adornar o Seu trono.

- Fico cá sozinha?

- Não, filha. E tu sofre muito? Não desanimes. Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus.

No dia 13 de Julho foi já uma multidão a acompanhar os pastorinhos. Viu-se o costumado clarão. Lúcia começou o diálogo:

- Vossemecê que me quer?

- Quero que venham aqui no dia 13 do mês que vem, que continuem a rezar o terço todos os dias, em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter a paz do mundo e o fim da guerra, porque só Ela lhes poderá valer.

Lúcia apresentou a Nossa Senhora diversos pedidos e continuou:

- Queria pedir-lhe para nos dizer quem é, para fazer um milagre com que todos acreditem que vossemecê nos aparece.

- Continuem a vir aqui todos os meses. Em Outubro direi quem sou, o que quero, e farei um milagre que todos hão de ver e acreditar. Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes, em especial sempre que fizerdes algum sacrifício: Ó Jesus, é por vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria.

Neste momento o reflexo misterioso penetrou a terra. Os pastorinhos, assombrados, contemplaram a horrível visão do inferno. Assustados, e como que a pedir socorro, levantamos, - diz Lúcia - a vista para Nossa Senhora, que nos disse com bondade e tristeza:

- Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores; para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. Se fizerem o que eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar. Mas, se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XII, começará outra pior. Quando virdes um noite alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz. Em Portugal se conservará sempre o dogma da fé. Isto não o digais a ninguém. Ao Francisco podeis dizê-lo.

Depois destas importantes declarações, Nossa Senhora continuou:

- Quando rezais o terço, dizei, depois de cada mistério: Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno; levai as alminhas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem.

No dia 13 de Agosto não houve aparição de Nossa Senhora porque o Administrador de Vila Nova de Ourém prendeu os pequenos e levou-os para a Vila. Ali os reteve injustamente durante três dias, submetendo-os a múltiplos interrogatórios e ameaçando-os com violentos castigos. Por fim, não tendo conseguido obter deles nem a retratação da veracidade das aparições, nem a revelação do segredo, entregou-os aos pais.

A multidão esperou em vão, nesse dia, pelos pastorinhos. Nosso Senhor, porém, realizou alguns prodígios extraordinários, que a todos consolaram e convenceram mais da veracidade das aparições.

No Domingo seguinte, 19 de Agosto, Nossa Senhora tornou a aparecer num lugar chamado "Valinhos".

- Que é que Vossemecê me quer?

- Quero que continueis a ir à Cova da Iria no dia 13, que continueis a rezar o terço todos os dias.

A Lúcia apresentou, depois, alguns pedidos que Nossa Senhora atendeu. E, tomando um aspecto mais triste, terminou dizendo:

- Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas.

No dia 13 de Setembro, a multidão ultrapassava já as 25 mil pessoas. As crianças chegaram com dificuldade ao local das aparições. Pouco depois, a Santíssima Virgem manifestou-se e disse:

- Continuem a rezar o terço, para alcançarem o fim da guerra. Em Outubro virá também Nosso Senhor, Nossa Senhora das Dores e do Carmo, S.José com o Menino Jesus para abençoarem o mundo.

Como das outras vezes, Lúcia transmitiu a Nossa Senhora vários pedidos. Por fim, Nossa Senhora, refreando o espírito mortificado dos pastorinhos, acrescentou:

- Deus está contente com os vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda; trazei-a só durante o dia.

No dia 13 de Outubro, não obstante a chuva torrencial que encharcara e enlameara os caminhos, dificultando a subida da serra, a multidão ultrapassou as 50.000 pessoas.

Era meio-dia solar, quando começou o

diálogo Senhora aparecida:

- Que é que Vossemecê me quer?

- Quero dizer-te que façam aqui uma capela em minha honram, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o terço todos os dias. A guerra vai acabar e os militares voltarão em breve para suas casas.

Depois, tomando um aspecto mais triste, disse:

- Não ofendam mais a Nosso Senhor, que já está muito ofendido!

Quando Lúcia viu que Nossa Senhora se elevava, e que o seu brilho continuava a projetar-se no sol, num movimento instintivo apontou para o sol, e, com um grito espontâneo, recomendou:

- Olhem para o sol!

Foi então que se realizou o milagre prometido por Nossa Senhora três meses antes. O Céu que, até então, tinha estado coberto de nuvens negras, rasgou-se, deixando ver o sol. Este tomou a forma e a cor de um disco prateado que não feria a vista. Ao mesmo tempo, começou a girar vertiginosamente sobre si mesmo, como uma roda de fogo de artifício. Por três vezes, desceu até à altura do horizonte, como que ameaçando cair sobre a terra. Brilharam no sol todas as cores do arco-íris que se refletiram na paisagem, na terra, nas árvores e nas pessoas. O espetáculo durou cerca de um quarto de hora. A multidão assistia ao acontecimento atemorizada: chorava, gritava, invocava a misericórdia de Deus e da Santíssima Virgem, e pedia perdão para as suas culpas.

Lúcia, mergulhada no êxtase, não tinha contemplado o fenômeno solar, mas, imediatamente depois, pôde contemplar uma série de visões multiformes que ela descreve com sobriedade: "Desaparecida Nossa Senhora, na imensa distância do firmamento, vimos, ao lado do sol, S.José com o Menino, e Nossa Senhora vestida de branco com um manto azul. S.José com o Menino pareciam abençoar o mundo, com uns gestos que faziam com a mão, em forma de cruz. Pouco depois, desvanecida esta aparição, vi Nossa Senhora das Dores. Nosso Senhor parecia abençoar o mundo da mesma forma que S.José. Desvaneceu-se esta aparição e pareceu-me ainda ver Nossa Senhora em forma semelhante a Nossa Senhora do Carmo".

 

A mensagem de Fátima

 

As principais características da mensagem de Fátima para o mundo e para a Igreja, poderiam escrever-se assim:

 

1ª Perfeita ortodoxia.

 

Reproduz fielmente, embora de maneira popular e catequética, a doutrina da Igreja Católica, contida na Sagrada Escritura e na Tradição. Apresenta-se-nos com toda a frescura evangélica e com toda a singeleza da primeira catequese cristã. Nas suas imagens, nos seus gestos, nas suas palavras ressoam todas as páginas do Evangelho, desde as fortes chamadas de João Baptista à penitência, desde os acentos escatológicos de Cristo sobre a ruína de Jerusalém, até à catequese de Jesus, nas suas parábolas, na sua vida de aldeia, nas suas preocupações quotidianas, nos seus gestos emotivos, nas próprias orações que Ele ensinou.

 

 2ª Abrange todo o dogma católico.

 

A Mensagem de Fátima poderia definir-se como uma suma ou compêndio da doutrina católica. Nada lhe falta quanto ao essencial: a Santíssima Trindade, a habitação de Deus nas almas pela graça, o mistério da Redenção de Cristo, o mistério de iniqüidade do pecado, o sentido de solidariedade dos cristãos dentro do Corpo Místico de Cristo-Cabeça na reparação, a intercessão dos anjos e santos, o mistério inefável da Eucaristia, o lugar único da Virgem Intercessora, mostrando a maternal solicitude do seu Coração Doloroso e Imaculado, os grandes dogmas do Céu e do inferno. Fátima é na verdade um "evangelho abreviado". Jamais houve manifestação sobrenatural de Nossa Senhora de conteúdo tão rico como a de Fátima, nem aparição alguma reconhecida nos transmitiu mensagem tão clara, tão materna, tão profunda como esta" (Cardeal Larroana).

 

3ª Atualidade viva.

 

A mensagem de Fátima revelada num tempo, cheio de contradições, de lutas, de sofrimentos e penas, é sempre atual e eterna, como o Evangelho.

Assim o declarou João Paulo II, em 13 de Maio de 1982:

"...o convite evangélico à penitência e à conversão, expresso com as palavras da Mãe, continua ainda atual. Mais atual mesmo do que há sessenta e cinco anos atrás. E até mais urgente".

4ª Grande valor santificador.

A prática da mensagem de Fátima não é apenas apta para santificar a vida cristã em geral, mas também oferece, no exemplo dos pastorinhos e dos peregrinos, uma doutrina espiritual, capaz de elevar as almas à mais alta vida do espírito. Enumeremos, brevemente, os principais pontos da mensagem:

Penitência.

A penitência de Fátima, como aliás toda a penitência cristã, não consiste apenas em atos de mortificação corporal. É, antes de mais, afastamento do pecado, cumprimento da lei de Deus e da Igreja, cumprimento do dever do próprio estado. É contrição interior. As últimas palavras de Nossa senhora, foram: "Não ofendam mais a Nosso Senhor, que já está ofendido". Lúcia mostra-se, todavia, impressionada pela tristeza da Virgem, ao dizer estas palavras, quando escreve: "Desta aparição, as palavras que mais se me gravaram no coração, foi o pedido de Nossa Santíssima Mãe do Céu: Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor, que já esta muito ofendido. Que amorosa queixa e que terno pedido! Quem me dera que ele ecoasse pelo mundo fora e que todos os filhos da Mãe do Céu ouvissem o som da Sua voz!"

Oração.

Em Fátima, a Virgem volta a ser grande Mestra da oração. Por isso, Fátima se converteu numa das maiores escolas de oração. O Anjo detém-se demoradamente com as crianças rezando com elas prostrado por terra e ensinando-lhes algumas orações preciosas. Nossa Senhora confirmou e insistiu neste espírito de fervor e oração que ali se respira.

 

O Santo Rosário.

 

A oração predileta de Fátima é, sem dúvida, o Santo Rosário. Todavia, será preciso insistir que esta prática não é uma recitação mecânica de preces, mas uma recitação vocal que deve ser acompanhada pela meditação dos mistérios da Vida, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. A devoção dos primeiros sábados inclui esta meditação.

 

A Vida Eclesial.

 

Eis um dos elementos mais característicos da mensagem de Fátima. A "vida eclesial", segundo a doutrina do Concilio Vaticano II, é a comunhão de caridade, a união sacramental e a união hierárquica. O primeiro elemento manifesta-se em Fátima sobretudo pela idéia da reparação para a conversão dos pecadores. O segundo elemento, a prática sacramental, está vivo nos fatos de Fátima e no exercício constante das peregrinações. Finalmente o terceiro elemento, a união hierárquica, manifesta-se, não só enquanto Fátima surge como um carisma privilegiado de toda a Igreja e para toda a Igreja, aprovado pela hierarquia como tal, mas, ainda mais no fomento do amor ao Santo Padre e da união de coração e ação dos bispos de todo o mundo com ele. Deste modo, Lúcia contempla os futuros sofrimentos do Papa... Jacinta vê-o numa visão apocalíptica, perseguido e injuriado. Os Pastorinhos convertem a oração reparadora ao Coração de Maria numa oração pelo Santo Padre.

 

Escatologia de Fátima.

 

Fátima traz uma mensagem escatológica ao mundo e à Igreja em diversas dimensões lembrando com insistência aos homens o sentido último da vida. O céu e o inferno, por exemplo, são elementos da justiça e da misericórdia de Deus.

"Rússia" e Fátima.

É necessário assinalar bem a relação, que a mensagem de Fátima estabelece entre esta palavra "Rússia" e Fátima: O fato histórico, bem provado dessa relação, é indubitável. Interessa, contudo, não adulterar essa relação com falsas interpretações. A palavra "Rússia" não significa, na mensagem, a nação russa geograficamente tomada. Fátima, como continuação da história da salvação e mensagem exclusivamente religiosa e sobrenatural, refere-se à "Rússia", unicamente sob o aspecto religioso-sobrenatural. Ora, este aspecto é bem conhecido: trata-se do comunismo materialista e ateu, como doutrina e prática do Partido Comunista que, desde Outubro de 1917, domina nessa nação, outrora profundamente cristã. Em Fátima não se descobre nenhuma aversão, mesmo contra os homens que erroneamente militam no comunismo; somente se deseja e reza pela sua conversão.

 

O Coração Imaculado de Maria.

 

É o ponto mariano mais especifico, mais essencial, e mais característico da mensagem. A devoção ao Coração de Maria era já bem conhecida na Igreja sob todos os pontos de vista: tradição, escritura, história e teologia. Mas Fátima trouxe manifestações mesmo simbólicas, completamente originais e próprias, que penetram e informam todos os outros elementos da mensagem. Assim, não se trata apenas de um convite constante à oração, mas também, concretamente, de uma oração de intercessão que passa necessariamente pelo Coração da Virgem. Não se trata de uma "reparação em geral"; mas sim, concretamente, duma reparação especial pedida pelas ofensas cometidas contra o Coração Imaculado de Maria.

A devoção do Rosário também não é simplesmente uma nova recomendação desta devoção... mas sim, mais do que isso, uma interiorização que deve ser conseguida na prática dos primeiros sábados. Por isso, a "intenção" desta prática não é só satisfazer cinco vezes seguidas as condições exigidas... mas levar à prática continuada da reparação ao Coração de Maria. A escatologia de Fátima está internamente iluminada por essa luz que nasce do peito de Nossa Senhora: a visão do inferno... a Rússia e o mistério da iniqüidade... o afastamento das terríveis penas cominadas. E, finalmente, até o triunfo escatológico de Fátima é oferecido como um triunfo do Imaculado Coração de Maria. Fátima é hoje o que é, por ter revelado ao mundo o Coração da Virgem e a promessa do seu "triunfo", cuja realização parece anunciar-se no horizonte.

 

Fátima e a Autoridade Eclesiástica

 

Os fatos e, sobretudo, a Mensagem de Fátima, obtiveram da parte da hierarquia da Igreja, garantias que fatos semelhantes até então nunca tinham obtido.

D. José Alves Correia da Silva, Bispo de Leiria, no dia 13 de Outubro de 1930, na Carta Magna de Fátima, aprovava assim as aparições:

"Havemos por bem:

1º declarar como dignas de crédito as visões das crianças na Cova da Iria, Freguesia de Fátima, desta Diocese, nos dias 13, de Maio a Outubro de 1917;

2º permitir oficialmente o culto a Nossa Senhora de Fátima."

A esta aprovação seguiram-se outras de todo o episcopado português, principalmente do Cardeal Patriarca de Lisboa, que afirmou que Fátima se tinha imposto à Igreja. A visita de tantos cardeais, os documentos pontifícios, a consagração do mundo ao Coração de Maria por Pio XII, a concessão de indulgências, a Missa votiva, a coroação da imagem de Nossa Senhora como Rainha do mundo, o encerramento do Ano Santo para o estrangeiro, a concessão da Rosa de Ouro, finalmente, as peregrinações de Paulo VI, em 13 de Maio de 1967, e de João Paulo II em 1982, são fatos mais que suficientes para atestar o reconhecimento solene e público das aparições de Fátima por parte da Igreja. E o futuro, que deve trazer-nos ainda novidades, não deixará de nos esclarecer também sobre o significado da visita da Imagem da Capelinha a Roma, 24 e 25 de Março do Ano Santo de 1984, para, diante dela, João Paulo II renovar, com máxima solenidade e em união com todos os bispos do mundo, a consagração ao Imaculado Coração de Maria.